17 de setembro de 2020

Do Meu Olhar!

Eleições - o mesmo fado !

1.  Estamos em época eleitoral, cujo resultado determinará o futuro dos Açores, mesmo que a abstenção possa andar à volta dos 60 por cento ou mais! O mesmo fado ! Este problema não foi resolvido a tempo e horas porque os senhores deputados regionais entenderam levar a CEVERA  ao colo, com todos os cuidados para não magoar ninguém, sobretudo a República muito ciosa dos seus poderes paternalistas em relação às ilhas que já foram adjacentes e que agora são autónomas, mas que no mapa continuam no seu lugarzinho no meio do Atlântico. apesar das suas virtualidades e reais potencialidades, que acabam por dar dimensão ao país !  A CEVERA ( Comissão Eventual para a Reforma da Autonomia dos Açores ) andou a passo de caracol e os senhores deputados não foram suficientemente persistentes e esforçados para levar a água ao seu moinho, trabalhando e melhorando as propostas que foram surgindo, que tinham em vista, muitas delas, melhorar a qualidade da Autonomia e o seu mais consentâneo enquadramento institucional e a sua funcionalidade e clarificação em relação aos poderes que já a Região detém e àqueles que o Poder Central do Estado põe em dúvida em determinadas circunstâncias, como foi o caso recente da malograda Pandemia. E pretendia-se também estancar esta doença viral que é a Abstenção, que põe as pessoas em casa, amanhadas e muitas desalentadas com o que se vai passando nos Açores e em cada uma das nossas ilhas ! O Parlamento dos Açores perdeu, deste modo,  uma rica oportunidade de provar que era capaz de apresentar trabalho sério e competente, que era capaz de mostrar o seu empenho e sacrifício pelo futuro da Região, melhorando a imagem de uma Assembleia onde se discute muito e se debate pouco, cada um puxando a brasa à sua sardinha e provando que afinal havia produção legislativa conducente com as necessidades, potencialidades e progressos da Autonomia, que poderá ser,  ainda mais,   a grande alavanca do desenvolvimento do povo açoriano, que foi  abandonado à sua sorte durante séculos ! Nada  aconteceu e por aqui ficamos !

2.  Neste cenário eleitoral vão surgindo algumas questões pertinentes que merecem debate e amadurecimento para que o crescimento e a qualidade institucional dos vários poderes sejam mais equilibrados e vocacionados para a justa escolha e definição das prioridades de cada ilha, de cada concelho e para cada freguesia, sem olhar a cores partidárias e a interesses de grupo e de clube e muito menos de amiguismo, uma espécie de alergia que pega facilmente a quem vai para a cadeira do poder, seja em que partido for ! Neste âmbito há também uma discussão ampla e profunda a fazer sobre a importância e papel que cabem às lideranças aos mais variados níveis e à terrível doença crónica e até pandémica que é a corrupção que corrói e se espalha por todos os patamares da sociedade.
 Interessa, neste contexto, referir a proposta que apresentou o líder Bolieiro que defende um  “ regime de cooperação com as freguesias, transparente e reforçado “. A este respeito nunca se viu nenhum deputado interessado em ter na sua posse, preto no branco, um quadro com todos os apoios concedidos pelo governo dos Açores às Juntas de Freguesia  do Arquipélago ( e das Câmaras Municipais ),  que facilmente se cruzam nos valores e destino, como faz todos os dias a Autoridade Tributária e Aduaneira na sua missão de captar receitas ! O mesmo se aplica às Instituições, às bandas e clubes, às Casas de Povo, Centros e Associações e às Santas Casas. Isto é ainda mais emergente numa altura em que os Açores vão dispor de um quadro global de financiamento comunitário de 3 257 milhões de euros até 2027. Para que os Açores possam arrancar da sua ancestral pobreza ! Este tema, a nosso ver, requer desenvolvimento 
para colocarmos no lugar certo a Educação e a Saúde e o papel das Instituições.

3. A ONU  declarou há dias que a pandemia deverá criar mais 176 milhões de pobres no mundo inteiro e nós, que se saiba, pertencemos a este mundo criado por Deus e gerido pelos homens. É por isso urgente que o governo que vai sair das eleições de Outubro próximo, coloque este problema grave da nossa sociedade em primeira prioridade e não se contente com planos e projetos que não passam das secretárias e das boas intenções,  e destas está o inferno cheio como diz o nosso povo na sua santa e enigmática  sabedoria ! É preciso ir para o terreno, falar com as pessoas e com os agregados, porta a porta, família a família , com preparação e com condescendência, com olhar humano e com competência técnica e desbravar as encrencas e as burocracias sufocantes ! Com coordenação , com integração e com partilha de tarefas e ações.  E relativamente aos idosos, que têm sido muito mal tratados pelas poderosas hierarquias deste mundo, quero manifestar o meu apoio e concordância à sugestão do conceituado jornalista e diretor adjunto deste jornal, Santos Narciso, no sentido de ser criada a figura de Provedor do Cidadão Idoso, para defesa dos mais velhos da nossa Região! Com os pés assentes no chão, com vontade e determinação, com conhecimento e competência, com independência, poder de influência ,   humildade e humanismo  e sem megalomanias bacocas ! Difícil é encontrar o perfil adequado de alguém que aceite este projeto desafiador !

    Aos 15 de Setembro de 2020
 

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Categorias: Opinião

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