21 de setembro de 2020

Em jeito de Memória ao Professor Carlos Cordeiro (Atlântico Expresso)

Na Senda da Identidade Açoriana

Ao passar o 2º aniversário da morte do Professor Carlos Cordeiro (18/09/2018), e porque é a memória que faz com que continuem em nós aqueles que estimamos e respeitamos, resolvemos trazer aqui, em jeito de homenagem, dois livros que são uma referência e, para mim, leitura frequente. “Na Senda da Identidade Açoriana” e “História, Pensamento e Cultura”. O primeiro é um livro marcante na história do jornal “Correio dos Açores”, porque assinalou, em 1995, os 75 anos do jornal, que coincidiram com os cem anos da Autonomia Administrativa dos Açores, consignada pelo Decreto de 2 de Março de 1895, e o segundo porque é um livro em homenagem ao Professor Carlos Cordeiro, organizado pelo Departamento de História, Filosofia e Ciências Sociais da Universidade dos Açores, com coordenação de Manuel Sílvio Alves Conde e Susana Serpa Silva e execução gráfica da Nova Gráfica. Não podia haver melhor título para um livro de homenagem a Carlos Cordeiro: História, Pensamento e Cultura: História, porque o Homenageado foi e é uma referência, nos Açores, no todo nacional e a nível internacional, quando se fala de história dos séculos XIX e XX; Pensamento, porque Carlos Cordeiro tocou e continua a marcar, em boa recordação, várias gerações de alunos, de estudiosos e de cidadãos, com a sua maneira de ver os acontecimentos e de os enquadrar no tempo; Cultura, porque o Professor conseguiu sempre transmitir conhecimentos, de forma abrangente, multidisciplinar e, acima de tudo, contagiante, como deve ser a verdadeira cultura que não se enclausura em redomas de intelectualidade, mas transborda, ao serviço da sociedade e da partilha do saber.
 Enquanto este é uma selecção de textos de homenagem a Carlos Cordeiro, o livro Na Senda da Identidade Açoriana, que ele coordenou e em que tive o gosto de acompanhar semanalmente, na recolha e selecção de editoriais e textos, é de consulta obrigatória para que quiser perceber ou aperfeiçoar conhecimentos sobre a segunda campanha autonómica, nos anos vinte do século passado, liderada pelo Correio dos Açores.
Carlos Cordeiro é Autor também de Insularidade e Continentalidade dos Açores e as Contradições da Regeneração (1992), Nacionalismo, Regionalismo e Autoritarismo nos Açores durante a I República (1999) e Autoritarismo, Totalitarismo e Respostas Democráticas (2011), para além de inúmeros trabalhos em revistas, colóquios e conferências.
Para quem gosta de História, para quem reconhece os valores açorianos e da Academia Açoriana, onde Carlos Cordeiro fez Doutoramento e foi Professor, ele foi um dos três autores do livro Machado Santos o Intransigente da República, com os Professores Armando Malheiro da Silva e Luís Filipe Torgal.
Repito aqui o que escrevi, na devida altura, no jornal “Correio dos Açores” que no 30º dia do falecimento do Professor publicou um vasto suplemento de homenagem: A “democratização” da História, de que fala o madeirense, Professor Doutor Alberto Vieira, conheceu no Professor Doutor Carlos Alberto da Costa Cordeiro, um dos seus verdadeiros e grandes arautos.
Paralelamente à sua carreira académica e científica, de que, com propriedade, melhor falarão os seus pares da Academia açoriana, Carlos Cordeiro deixa entre quantos com ele conviveram esta marca indelével de alguém que “democratizou” a História, despindo-a das vestes académicas e trazendo-a para o grande público, através de intervenções, publicações e lições dadas nas mais diversas circunstâncias. E eram muitas as ocasiões, porque, com o seu espírito cívico e de cidadania, estava presente, sempre que o convidavam para servir, na política, na freguesia, na igreja, ou em movimentos culturais ou evocativos, como era, por exemplo, o Núcleo dos Antigos Combatentes.
Carlos Cordeiro tornou-se querido de muitas gerações que ensinou, porque soube inculcar o gosto pelas lições que o passado nos transmite; era ouvido atentamente quando sabia aliar a verdade dos acontecimentos à interpretação dos sinais dos tempos, um factor muitas vezes esquecido e que leva à tentação fácil de querer “reescrever” a história, consoante os interesses políticos e sociais do momento.
Carlos Cordeiro ultrapassou a dimensão de mero académico, porque em tudo colocava o grande coração que era e que se entregava, por inteiro, desde a família que amava entranhadamente e de que falava com grande e são orgulho, até aos alunos que guiava e orientava, fazendo deles amigos para sempre.
Em mim, e passados estes dois anos, continua presente o Amigo de muitas décadas, descontraído, simples no trato e sempre pronto para tudo quanto fosse valorizar a terra e suas gentes. Na freguesia e na cidade, na Ilha e na Região, apaixonado por tudo quanto lhe era proposto e de total dedicação e amor à família.
Foram muitas as homenagens que recebeu em vida, mas a maior que lhe pode ser prestada é a de não deixar esquecer o vasto trabalho que nos deixou, na história e no conhecimento sobre a nossa identidade, como Povo e como Região.

Santos Narciso

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Autor: CA

Categorias: Opinião

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