22 de setembro de 2020

Quem cala consente

Com o título “Em Resposta a Carlos Rezendes Cabral: Podia ao menos estar calado … mas nem isso”, publicado a 19 do corrente mês, neste mesmo Jornal, o senhor Marcos Couto da ilha Terceira de Jesus Cristo, resolveu atacar o meu último trabalho sob o título - COMENTÁRIOS À PARTE, O REGRESSO DA RYANAIR – publicado a 15 do corrente. Não fiz qualquer pergunta ao senhor Couto para que ele me respondesse; o que fiz foram afirmações publicadas a 15 e não a 8 do corrente como, erradamente, refere o senhor Couto no seu chorrilho de inverdades.
Diz aquele senhor que o meu escrito é um delírio intelectual preocupante. Bem, cada qual é livre de dizer aquilo que quiser, porque o papel aceita tudo. 
Todavia, o que eu acho preocupante, é a falta de inteligência e humildade de alguns políticos que teimam em pedinchar tudo e mais alguma coisa, só porque outros têm.
Mas, vamos, em concreto, à resposta ao senhor Couto. 
Devo dizer em primeiro lugar que, em termos de beleza paisagística – que é o que o turismo procura - a ilha de S. Miguel nada tem a ver com a ilha Terceira. É uma verdade, não é bairrismo.
Sou daqueles que pensam que cada ilha dos Açores tem a sua própria beleza, e que o todo açoriano é que nos torna um destino turístico apetecível. Isto é bairrismo?
Todavia, S. Miguel (dizem que as Flores também, mas não conheço) nesta matéria “dá cartas” a todas as outras.
Por muito que “grite” o senhor Couto, as Lagoas das Sete Cidades não podem ser “transferidas” para a ilha Terceira. É verdade, não é bairrismo.
Por muito que reclame o senhor Couto, a Lagoa do Fogo não pode ir para a ilha Terceira. É verdade, não é bairrismo.
Por muito que “grite” o senhor Couto, as Furnas com as suas caldeiras, com os seus parques, com a sua gastronomia cozinhada sob o solo, não podem ir para a ilha Terceira. É verdade, não é bairrismo.
Isto para já não falar na estonteante beleza da Ribeira dos Caldeirões, dos miradouros e das montanhas do Nordeste de S. Miguel que, certamente, o senhor Couto gostaria de ter na sua ilha.
Tudo o que atrás citei é que chama o turista a S. Miguel, por muito que se roa de inveja o senhor Couto e quem pensa como ele.
Desde que S. Miguel se separou da Capitania Geral dos Açores no século dezanove (isto é que ainda dói a alguns terceirenses) cresceu em indústria, comércio e em população que fez desta ilha o motor da economia dos Açores.
Hoje, apesar de desmanteladas as nossas indústrias, S. Miguel continua a ser o motor económico dos Açores porque acentuou o seu desenvolvimento noutras áreas.
Esta é que é a verdade, nua e crua, quer o senhor Couto queira quer não.
Devo também informar o senhor Couto que o turismo em Ponta Delgada nada teve, tem, e provavelmente terá a ver com a “sua” tão famosa base das Lajes.
Tão pouco a DELTA AIRLINES operou em Ponta Delgada “às custas” da base das Lajes, com aliás foi, em devido tempo, desmentido pelo Governo Regional.
O raciocínio do Senhor Couto naquele pretenso trabalho jornalístico é que é uma demonstração de inveja doentia, de desconhecimento da realidade e de inconformismo palpável.
Sobre os comentários que faz da SATA, devo recordar o senhor Couto que, grande parte dos prejuízos que aquela empresa apresentou, se devem ao facto de terem sido feitos pacotes, com passagens gratuitas a mais duas ilhas para os turistas com destino a S. Miguel.
Todas as ilhas beneficiaram com esta medida, incluindo a Terceira, como é evidente.
Perante as acusações descabidas do senhor Couto não me restou alternativa senão responder. Até porque quem cala consente, e eu não consinto tais juízos a meu respeito.
Por fim, quero dizer ao senhor Couto, que me desconhece em absoluto, como desconhece o que sinto pelos Açores, que pergunte ao Presidente do seu partido quem sou eu, o que fiz, e continuo fazendo pelos Açores, no seu todo, para serem o que são hoje.
Termino dizendo que, para mim, nesta matéria, o assunto está encerrado.

P.S. Texto escrito pela antiga grafia.

          20 de Setembro de 2020

Print

Categorias: Opinião

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima