24 de setembro de 2020

A talho de foice…

A resposta ou a falta dela

Era de esperar que atualmente, com o acesso à educação privilegiada, à informação disponível e à cultura, que seriamos pessoas melhores. Mais educados e respeitadores do próximo, considerando-os como parte de nós, mas lamentavelmente verifica-se, que a realidade é outra. Cada vez somos mais egoístas, inzoneiros e materialistas, mesmo ofuscados por tantas frases positivas publicadas nas redes sociais, o cinismo aumenta em proporção ao tamanho do umbigo de cada um. A ausência de resposta, não é por si só, falta de educação, porque o silêncio não significa consentimento, mas a indiferença como resultado ao esforço e dedicação é pura falta de consideração e respeito. O direito de resposta está assegurado legalmente, pelo que é uma garantia constitucional que protege o cidadão comum, fazendo com que veículos de comunicação façam uso deste, embora nunca, ou raramente, seja usado contra o destinatário, por desconhecimento ou falta de apoio jurídico. Mais importante do que a legalidade deste facto, é a falta de consideração e respeito, por parte dos recursos humanos de uma empresa, seja ela privada ou pública, a alguém que se candidata a uma oferta de trabalho, que empenhado na descrição do curriculum, anexando provas da sua experiência ou justificando a falta dela, e á noite, adormece convicto que satisfaz os requisitos, esperando que na manhã seguinte receba a resposta da aceitação da sua candidatura e que mais tarde passará obviamente, pelo processo de seleção. Mas a dureza da vida, gerada por pessoas de medo e com medo que surja alguém mais dotado e lhes possam ocupar o lugar ou cargo, faz com que não haja sequer resposta a receção da candidatura. Os dias que se seguem são de enorme angústia, consultado a caixa de correio, quase que, de minuto em minuto e a cada notificação recebida, acelera o ritmo cardíaco, porque somos açambarcados pela emoção de sermos comtemplados, nem que seja apenas vivenciar a primeira parte do processo ou no pior cenário, que fomos excluídos e ai poderemos encerrar mais um capitulo da nossa resiliência e continuar, mas não, é apenas mais um email de alguém a tentar vender um artigo que é indispensável á nossa vida e que irá proporcionar-nos momentos de alegria, quando a única coisa que nos daria alegria, era ser selecionado para uma entrevista de trabalho. Estar desempregado, só por si, é por à prova a capacidade de resistência, otimizando o tempo, lutando contra a impotência, dando largas à imaginação criativa, de modo a quem cada minuto seja ocupado de forma séria, construtiva, mantendo a sanidade mental e não dar por vencido. Não sendo uma tarefa fácil, mais difícil se torna pela falta de coerência de quem abre uma vaga de trabalho, recebe as candidaturas e numa atitude desumana, abstêm-se de prestar qualquer informação ao candidato da boa receção e do ponto de situação no decorrer do processo a que está sujeito. O silêncio é um dos maiores desafios de quem passa por este processo a enfrentar, por isso é necessário mostrar aos outros, que esta não é a forma correta de agir, mostrando a indignação para com o silêncio, que sem palavras, é detentor de uma enorme força destruidora. Quantas vezes, é preferível uma má noticia, do que não receber notícia alguma. Hoje, alguém adormecerá nesta angústia, amanhã poderá ser a tua vez.  

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Categorias: Opinião

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