Duarte Nuno Chaves e treze fotógrafos cruzam o olhar contemporâneo sobre os espaços conventuais de origem franciscana

O Museu Vivo do Franciscanismo, na Ribeira Grande, recebe esta Quinta-feira às 18h30, o lançamento do livro “Conventos Franciscanos nos Açores do Século XXI: Memórias da Província de S. João Evangelista”, que será apresentado por João Paulo Oliveira e Costa, catedrático de História da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Esta publicação, coordenada por Duarte Nuno Chaves, investigador do CHAM – Centro de Humanidades da Universidade dos Açores e editada pelas Letras Lavadas, surge da necessidade de um melhor conhecimento, em pleno século XXI, do actual estado de conservação e inserção urbanística dos antigos espaços conventuais franciscanos, originários da presença dos frades menores nas ilhas dos Açores, particularmente durante o período da Idade Moderna.
Numa nota à imprensa, a Câmara da Ribeira Grande refere que em 2017, comemoraram-se os 70 anos das visitações empreendidas pelos frades franciscanos, Bartolomeu Ribeiro e Mário Branco, ao arquipélago dos Açores. Destas visitações resultou a edição de um conjunto de artigos de divulgação, da autoria de Bartolomeu Ribeiro, no jornal açoriano Diário dos Açores de Setembro a Dezembro de 1947 e, posteriormente, na “Coletânea de Estudos” [Missões Franciscanas] de 1949.
Neste contexto, adianta a mesma nota, foi proposto o desafio a treze fotógrafos para que, sete décadas volvidas, percorressem o mesmo espaço geográfico, por estes frades palmilhado, captando, com as suas objectivas, os locais referenciados por frei Bartolomeu Ribeiro no seu artigo «Açores, arquipélago franciscano».
A presente obra, organizada pelo Museu Vivo do Franciscanismo e pelo CHAM – Açores é composta pela reedição do texto original de Bartolomeu Ribeiro acompanhado por um relevante acervo fotográfico, no qual se retrata o olhar contemporâneo sobre este conjunto de edifícios, que outrora foram espaços conventuais de origem franciscana.
Duarte Nuno Chaves é também autor do livro “As Imagens de Vestir da Procissão dos Terceiros: um legado patrimonial franciscano em São Miguel, Açores, séculos XVII a XIX”, que já vai na sua segunda edição. 
Para além de investigador e de colaborar na qualidade de docente convidado, Duarte Nuno Chaves está a desenvolver um projecto de pós-doutoramento, financiado pelo Fundo Regional de Ciência e Tecnologia, que tem como objectivo articular a área do turismo e a produção de conteúdos históricos. Este projecto pretende contribuir para a criação de uma linguagem comum aos vários actores envolvidos na área do turismo cultural e religioso, conforme disse ao Correio dos Açores em entrevista recente.
Mais adiantou que a investigação desenvolve-se no âmbito geográfico das regiões autónomas dos Açores e Madeira, sendo que propõe um conjunto de estudos comparativos que proporcionem um melhor entendimento e conhecimento sobre os contextos e conteúdos de algumas manifestações de religiosidade católica, dedicada ao culto e veneração popular que é consagrada aos santos. 
O investigador é de opinião de que o turismo cultural e religioso, enquanto factor de sustentabilidade local, não pode esquecer o seu compromisso com a memória. 
“A título de curiosidade, posso afirmar que, durante a primeira metade do Século XX, nos arquipélagos dos Açores e Madeira, mais de meia centena de eventos de religiosidade popular, de cariz franciscano, oriundos dos séculos XVII e XVIII, caíram no esquecimento, sem que tenham sido realizados estudos que viabilizassem o seu registo para memória futura”, disse.                     

 N.C.

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Autor: CA

Categorias: Regional

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