Formandos queixam-se de falta de condições sanitárias na Rede Valorizar na Ribeira Grande

 Na Ribeira Grande, no edifício onde funciona a formação da Rede Valorizar, os formandos queixam-se de falta de condições sanitárias para fazer face à situação de pandemia que se vive actualmente. Ao Correio dos Açores chegam relatos de que em todas as quatro salas onde é dada a formação, chega a haver 16 formandos em ensino presencial juntamente com a professora, e que não é cumprido o distanciamento de pelo menos um metro entre cada aluno. Nas secretárias maiores, sentam-se quatro formandos lado a lado e sem qualquer tipo de separação em acrílico, sendo que a única protecção é a máscara que usam. Aliás, contam os formandos, que à entrada do edifício não há qualquer indicação para a obrigatoriedade de máscara. E já houve formandos que entraram sem máscara nas instalações pelo facto de não haver qualquer indicação na entrada da escola. 
Na sala de convívio, onde existem duas máquinas de vending com cafés e snacks, não há indicação alguma para a necessidade de distanciamento social nem qualquer desinfectante que possa ser usado depois de usar as ditas máquinas, relatam os formandos. 
O grupo de formandos relata ainda ao Correio dos Açores que têm de ser os próprios a desinfectar as mesas e cadeiras depois de terminarem as três horas de formação diárias e que a solução usada para a desinfecção é a base de lixívia. “Assinámos um contrato com a Rede Valorizar para estudar e não para limpar”, refere um dos formandos.
Os formandos relatam ainda que os horários das aulas têm sido constantemente alterados, ora começando às 9 horas e terminando às 13 horas, ora sendo alteradas das 8h30 às 12 horas, ora das 9h30 às 123h30 e novamente das 9 horas para as 12 horas.  
Para além disso, referem os formandos, neste ano lectivo que arrancou a 16 de Setembro ainda não foram assinados os contratos de formação que normalmente são assinados no início de cada ano lectivo. Quem recomeça um novo ano teme por isso que o último contrato, assinado para vigorar entre 10 de Fevereiro de 19 e 1 de Julho de 2020, não tenha validade e se houver alguma situação em que seja necessário accionar o seguro, este não esteja válido. 
Questões que preocupam os formandos da Rede Valorizar na Ribeira Grande, que acolhe desempregados das várias freguesias da cidade e que através desta formação conseguem a validação e certificação das suas competências ao nível do ensino básico, secundário ou profissional.

Rede Valorizar responde
Perante as queixas dos formandos, o coordenador da Rede Valorizar, Acir Meireles, contrapõe informando que esta fase de pandemia é uma fase de adaptação para toda a população e que da parte da Rede Valorizar também houve necessidade de ajustar procedimentos. No entanto, o responsável por este serviço do Governo Regional, destaca que estão a ser cumpridas todas as orientações emanadas pela Direcção Regional da Educação que indica que o distanciamento social deve ser mantido dentro das salas de aula, quando possível. Neste caso, optou-se por reduzir os formandos de alunos por turma e ao contrário dos mais de 20 que era habitual “agora não há mais que 15 formandos por turma e até temos turmas que têm menos”. O coordenador da Rede Valorizar destaca que também as horas de formação diárias foram reduzidas e que anteriormente eram quatro horas diárias e agora são apenas três. Além disso, a Rede Valorizar também optou por iniciar mais este ano lectivo com ensino à distância, reconhecendo que muitos dos formandos que têm agora aulas presenciais ou não mostraram competências digitais para o ensino digital ou não têm meios técnicos em casa para tal. 
Acir Meireles garante que há sinalização para a obrigatoriedade de máscaras no espaço da formação e que se houve algum “caso pontual” em que alguém tenha entrado sem máscara, acredita que prontamente essa pessoa terá sido alertada para a obrigatoriedade do seu uso, uma vez que o espaço de formação “é simples e ninguém entra sem que seja visto”. 
Quanto aos horários da formação e à constante alteração, salienta que a Rede Valorizar tentou “fazer horários adaptados” a esta nova realidade mas também as empresas de transportes públicos se adaptaram com novos horários doa autocarros e necessário ajustar os horários da formação aos horários dos autocarros para evitar que as pessoas ficassem em grandes aglomerados quer à entrada, caso chegassem mais cedo nos autocarros, quer à saída enquanto esperassem pelo transporte público. Além disso, explica o coordenador da Rede Valorizar “também tivemos de ter atenção às mães que estão a fazer formação connosco”, já que muitas são responsáveis por deixar os filhos nas escolas e só depois podem seguir para a formação. Acir Meireles lembra que os formandos são pessoas desempregadas “que têm de ter disponibilidade para trabalhar em qualquer horário” e estas alterações de horários da formação foram comunicadas a todos com antecedência. 
O responsável pela Rede Valorizar garante ainda que todos os formandos estão abrangidos pelo seguro, uma vez que devido à pandemia muitos dos procedimentos foram realizados e renovados online, garantindo que “desde o primeiro dia em que assinaram o sumário”, estão abrangidos pelo seguro. 
Quanto ao facto de terem de ser os formandos a desinfectar a sua própria secretária e cadeira no final das três horas de formação, explica ser “uma questão de cidadania” e que os formandos não são obrigados a “limpar” sendo que “a única coisa que pedimos é que passem a solução desinfectante sobre a secretária e a cadeira” para que a turma que irá usar a mesma sala da parte da tarde ou na manhã seguinte, possa ter o material desinfectado. Quanto à solução usada para desinfecção, é a preconizada pela Direcção Geral da Saúde de diluição de lixívia em água.

C.D.
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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