Abandono escolar de 28% nos Açores é mais do dobro que a nível nacional

Nos Açores, em 2019, a taxa de abandono escolar dos jovens entre os 18 e os 24 anos foi de 27%, o que representa “mais do dobro” da registada a nível nacional, revela a PORDATA, projecto da Fundação Francisco Manuel dos Santos
Na Região, sete em cada 10 habitantes têm, no máximo, o ensino básico e um em cada 10 completou o ensino superior.
O número de pessoas com o ensino superior no arquipélago, o ano passado, era mais do triplo do registado em 1998. “Ainda assim”, lê-se no estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos, “há uma diferença de 9 pontos percentuais” em comparação com o que se verifica a nível nacional.
O documento salienta que, a partir de 2017, regista-se uma tendência de decréscimo da percentagem da população com o ensino superior (12,7% em 2017; 12,3% em 2018; e 11% em 2019). Isto quando a nível nacional a tendência foi de crescimento (18,1% em 2017; 18,7% em 2018; e 19,6% em 2019).
O estudo salienta que São Miguel é a única ilha dos Açores com mais jovens do que idosos e onde o saldo natural ainda é positivo.
Refere que, em média, uma habitação vale, por metro quadrado, menos 146 euros do que a média nacional.

Riqueza gerada pelas empresas
nos Açores decresceu 8%
entre 2018 e 2019

A PORDATA constata que, apesar do crescimento da área dos serviços na Região (hotelaria, restauração, animação turística), o facto é que mais de uma em cada quatro empresas são do sector primário – agricultura, produção animal, caça, florestas e pescas (95% do total das empresas). A indústria foi o sector que, em termos, do peso no número de empresas, mais contraiu, seguindo a tendência nacional.
O número de alojamento turísticos nos Açores duplicou entre 2014 e 2018 a par da tendência nacional.  Nos outros alojamentos que não hotéis, o crescimento chegou mesmo a triplicar. E os maiores crescimentos registaram-se nas ilhas de São Jorge, Flores e Pico. 
Os Açores têm mais de 28 mil empresas não financeiras e quase metade está na ilha de São Miguel (48%). Oito em cada 10 empresas são de empresários em nome individual ou trabalhadores independentes.
Na Região, entre 2018 e 2019, a riqueza gerada pelas empresas, a preços constantes, decresceu 8% quando, em Portugal, aumentou 5%. Na Região Autónoma, as maiores quedas, em termos de sectores de actividade, verificaram-se nas indústrias extractivas, na construção e nos transportes e armazenamento. Já as evoluções mais favoráveis aconteceram nas actividades artísticas, na agricultura e pescas e no alojamento e restauração.
Segundo o estudo, a aquisição de animais na Região (48 milhões de euros) representa 73% do total do investimento no sector da agricultura regional e 37% do total investido na aquisição de animais a nível nacional.

Na Região existem 10 beneficiários do RSI por 100 residentes

Ao nível do emprego e mercado de trabalho, quase três em quatro trabalhadores nos Açores estão empregados no sector terciário. No período de uma década, verificou-se uma redução de 29% na população açoriana empregada na indústria e de 20% nos efectivos do sector primário.
Na Região, o estudo em referência, há 10 beneficiários do Rendimento Social de Inserção por cada 100 residentes. E, com excepção do Pico, Faial, Flores e Corvo, este rácio está acima do observado a nível nacional (três benefícios do RSI para cada 100 residentes).
Já os beneficiários do subsídio de desemprego registam um valor próximo ao nacional (cerca de 2 em cada 100 residentes). Apenas o Corvo, São Jorge e Terceira estão abaixo deste valor.
Em 2018, a dívida total das autarquias açorianas representa 3,4% da dívida total do país. Ponta Delgada contribui com mais de ¼ para o total da dívida das autarquias açorianas, seguindo-se Vila Franca do Campo e Nordeste.
Entre 2014 e 2018, a divida autárquica diminuiu em todos os municípios dos Açores com excepção de São Roque do Pico, Ponta Delgada e Ribeira Grande.
Vila Franca do Campo e Nordeste foram as únicas câmaras dos Açores que, em 2018, “ultrapassaram” a sua capacidade de endividamento.
Ainda segundo a PORDATA, em 2014, o incumprimento tinha-se verificado em seis municípios da Região.
O estudo revela que, em 2018, apenas quatro dos 19 municípios dos Açores apresentaram um saldo financeiro negativo: Ponta Delgada, Corvo, Ribeira Grande e São Roque do Pico.
Na Região, o rácio do número de habitantes por caixa multibanco é inferior ao observado a nível nacional (648 versus 884 habitantes por caixa multibanco. Em dez anos, o número de habitantes por caixa multibanco aumentou em São Miguel, Terceira e Corvo.
DE acordo com o mesmo estudo, a recolha selectiva do lixo, em média, por habitante, é superior nos Açores (149 quilos por habitante) à registada a nível nacional (104 quilos por habitante). As ilhas que registam maior rácio de recolha selectiva de lixo por habitante são São Miguel, Flores e Terceira.
Na Região, já menos de metade do lixo produtivo pelas habitações privadas (designado lixo urbano) vai para o aterro ao contrário do que acontece a nível nacional. E ¼ do lixo produzido nos Açores é reciclado, valor bem acima da média nacional (13%).
A PORDATA, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, cedeu ao jornal Correio dos Açores uma série de outros dados, pormenorizando alguns que revelamos hoje em ‘primeira mão’ e que vamos desenvolver em próximas edições.

J.P.
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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