“Viver Açores” ajudou a dinamizar a economia de Santa Maria e o Presidente diz que ficou provado que há que baixar preços das viagens

Correio dos Açores: Desde o início da pandemia a ilha de Santa Maria esteve sempre limpa do novo coronavírus e só esta semana conheceu o seu primeiro caso de Covid-19.  Qual o impacto social que isso teve na ilha?
Carlos Rodrigues (Presidente da Câmara Municipal de Vila do Porto):  - Eu tinha dito que nós tínhamos tido sorte, mas também devo dizer que nos temos esforçado para isso e que só agora tenhamos tido um caso. Junho, Julho e Agosto foram meses abertos, em que correu tudo bem, mas certo é que chegou a nossa vez. 
A informação oficial que tenho é que a pessoa em causa teve o cuidado de se manter reservada desde a sua chegada até fazer o teste ao 6º dia, e isso facilitou bastante, porque não houve contactos com outros. 
As pessoas que viajaram no mesmo avião já receberam instruções para se manterem reservadas até novas ordens. 
Contudo, este caso é um sinal para os que já estavam a descomprimir, a desleixar um pouco. Ou melhor, é uma chamada de atenção que não podemos baixar a guarda, temos é de manter a guarda em punho, porque vamos ter que viver com isso.

Gerou algum alarme e/ou receio de conviver após o caso diagnosticado?
Não, de um modo geral não se nota nada de anormal, mas claro que há no ar uma maior preocupação, o que é normal. É bom que assim seja porque é sinal que as pessoas estão preocupadas. Contínuo é a fazer apelos aos mais descuidados que cada um tem de se proteger a sai e ao fazê-lo está a proteger as pessoas que estão à sua volta. 
Digo, e repito, que devemos todos continuar a cumprir as regras que estão definidas.

Santa Maria tem um centro de Saúde mas não um hospital. Isso provoca preocupação na população, caso haja mais casos e necessidade de internamento?
Hoje [Sexta-feira] estive no Centro de Saúde e está tudo a funcionar normalmente. Até agora, o Centro de Saúde tem dado boa resposta. Actualmente tem um corpo de médicos melhor do que havia a alguns meses atrás. Foram colocadas mais pessoas. Tem uma equipa de enfermagem que tem feito um trabalho espectacular. Não há nada a apontar, e se houver alterações isso terá de ser analisado por quem de direito, a Autoridade de Saúde Regional. O caso diagnosticado não precisou de internamento, mas se houver algum caso que necessite de internamento terá de ser evacuado, porque em Santa Maria não há condições para isso. Mas não vamos pensar nisso porque agora não há nenhum caso positivo nos Açores que esteja internado, estão é todos confinados.

Em termos de Covid-19, o Verão foi tranquilo, e apesar da apreensão que havia, verificou-se algum movimento de pessoas inter-ilhas. O programa da Secretaria do Turismo “Viver Açores” incentivou à realização de férias na Região. Santa Maria beneficiou desta iniciativa?
Penso que Santa Maria beneficiou deste programa. Os meses de Junho, Julho, Agosto e uma parte de Setembro, nomeadamente para hotéis, espaços de alojamento local, restauração e bares podemos dizer que foram razoáveis, atendendo ao facto de não haver barcos, de não haver estrangeiros e mesmo os emigrantes não terem vindo à ilha este ano.
É óbvio que este programa do Governo deu uma grande ajuda e a Câmara, em pareceria com a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, distribuíu vouchers aos que viajaram para a ilha para gastar no comércio local, dinamizando, assim, o comércio local, os táxis e restaurantes. No fundo, dinamizou-se um pouco a economia. Embora houvesse alguma procura para os parques de campismos, entendemos, por razões de segurança, fechar tais espaços, porque também obrigaria a uma vigilância e maior e mais condições. Para o que era expectável, julgo que tivemos um Verão com alguma estabilidade e quem se a nível empresarial se esmerou, se esforçou, teve bons resultados. 
O mesmo aconteceu com as empresas marítimo-turísticas que tiveram de abrir o seu leque de actividades, isto é, não estiveram só viradas para o mergulho, por exemplo, mas também para o whale-watching, passeios de barco, e o resultado penso que também foi bom.

O programa “Viver Açores” foi criado para incentivar a mobilidade e dinamizar a economia devido à pandemia. Em seu entender, mesmo se a situação se alterar, é um programa a continuar para que os açorianos conheçam as suas ilhas?
Isso vem dar razão a quem defende que o preço dos transportes inter-ilhas deve ser mais acessível. Com esse programa isso ficou provado. Houve muita deslocação de pessoas inter-ilhas, inclusive os marienses que foram para outras ilhas. Isso é bom, até porque a maioria dos açorianos não conhece as suas ilhas. Este ano, com o receio que tiveram de ir para fora, e com as benesses que apareceram, as pessoas aproveitaram. Daqui, se pode retirar algumas lições; não digo fazer igual, mas aproveitar a ideia para o futuro, promovendo as ilhas e fomentando o consumo interno, pois isso está tudo inter-ligado. Esta é uma matéria a discutir porque não sabemos quanto tempo vamos conviver com o vírus.

Tendo-se iniciado o novo ano lectivo, como está a viver Santa Maria o regresso às aulas presenciais?
Nesta matéria temos tido normalidade e uma envolvência bastante grande.
 Nós disponibilizamos o pavilhão para a prática desportiva, uma vez que o pavilhão da escola está inactivo há mais de um ano. Contudo, há um compromisso [da Secretaria da Educação] de haver obras, mas o concurso ainda não foi lançado, e, por isso, temos à nossa responsabilidade o desporto escolar e também o espaço onde funcionam as prés. Portanto, houve um esforço enorme para que tudo estivesse dentro das regras e em conformidade para que o regresso às aulas fosse feito dentro da normalidade. 

Há falta de pessoal para auxiliar nas muitas tarefas que agora existem devido à Covid-19?
Devo referir que há algumas falhas em termos de pessoal auxiliar nas escolas  Básica e Secundária de Vila do Porto. 
Já foram colocadas algumas pessoas no âmbito de programas do Governo mas ainda faltam mais algumas, porque agora estamos a viver um momento exigente, em que é necessário ter mais funcionários para aplicar todas as regras de higienização, como também nos obriga a nós, nomeadamente no pavilhão onde há prática desportiva e nos balneários. 
A nossa equipa, com os professores, com os coordenadores, tudo tem feito para que sejam seguidas as regras e até agora tudo tem decorrido com normalidade. 

Portanto, a autarquia é parceira também na Educação?
Sim, somos parceiros e parceiros activos. Em meios pequenos, como é o caso de Santa Maria, faz parte da nossa missão. Todos queremos o melhor e como eu já disse, não podemos baixar os braços.
                       

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