27 de setembro de 2020

Dos Ginetes

Eleições à porta

Estamos a quatro semanas de regressar às urnas para exercer mais uma vez livremente o dever de cidadania que durante grande parte do século passado não tivemos porque exercido de forma duvidosa.
Todos os que fazem parte da minha geração, sabem perfeitamente como tudo era controlado e a liberdade de expressão que hoje possuímos simplesmente não existia. Se não vivêssemos num regime democrático, mesmo se a justiça social é muito coxa e a dos tribunais demasiado lenta, hoje nem eu estaria aqui a partilhar a minha opinião livremente como vem sendo hábito semanalmente, salvo algumas excepções quando a mente está saturada ou por razões pessoais. Gosto de escrever, mas consciente que nem sempre sou capaz de transmitir o que sinto da forma mais bonita. Semanas melhores outras nem tanto, mas procuro ser justo e denunciar apenas o que em minha opinião julgo não estar certo. Quanto à vida pessoal de quem faz parte das diversas Instituições não me interessa pois considero sagrada a privacidade que qualquer um de nós tem direito. Não consinto que invadem a minha tal como sempre procurei respeitar a dos meus semelhantes. Quanto às Instituições, sobretudo as que dependem do nosso voto a história é um pouco diferente pois receberam um mandato expresso para defender o bem-estar de quem representam, mas mesmo aqui há que fazer uma apreciação positiva ou negativa com o cuidado de não insultar ou difamar quem quer que seja. Infelizmente por vezes há quem use e abuse de tal regalia outrora severamente controlada.
Os meus amigos, de um modo especial os que vivem nesta terra dos Ginetes compreendem perfeitamente o alcance desta minha observação.
Como mencionava no início desta crónica dentro de quatro semanas vamos ser chamados a votar por um Governo que defenda o interesse dos Açorianos e Açorianas.
Nunca utilizei este espaço para em época de eleições promover partidos políticos, mesmo se poderia eventualmente fazê-lo. Não estou ligado a nenhum nem tenho pretensões na minha idade porque consciente que não falta gente boa e séria para assumir responsabilidades que nem sempre são tão fáceis como grande parte dos eleitores imagina. O que me preocupa no momento, como cidadão, é o desinteresse das gentes que antecipadamente já dizem não ir votar porque não vale a pena.  
Não concordo, pois na realidade se não votas também não tens o direito de te lamentar.
É um acto sagrado em democracia. Partidos políticos não são equipas de futebol que ganhem ou percam ficamos agarrados a elas para sempre. São algo mais importante, pois dos eleitos partem decisões que terão influência no futuro de todos nós. No meu caso nada mais tenho a ganhar além do desejo natural de possuir um final de vida com os cuidados de saúde que a minha geração tem direito tal como as outras que se aproximam deste circulo de idosos em que me encontro e que apenas quer um pouco de atenção, nada mais.
É este o momento de pedir contas a quem até aqui governou e a quem tem pretensões igualmente de governar quando nas próximas semanas nos vierem visitar. Olhos nos olhos delicadamente temos o direito de questionar para assim no pequeno espaço que nos é reservado no dia de eleições, afastados de olhares indiscretos e sem influência de quem quer que seja, usar a nossa liberdade de escolha tal como nos dita a consciência. 
Que os mais idosos recordem tempos que no passado deixaram marcas de desconfiança na memória e os mais jovens se consciencializem com o que ainda se passa neste tempo nada promissor para eles que serão os responsáveis do amanhã que é necessário constantemente renovar.
Lembremo-nos que ainda existem povos infelizes porque sabem que as eleições nos seus países não passam de uma farsa e quando ousam reclamar são enviados como criminosos para uma prisão e em muitos casos torturados. Felizmente que tal já não faz parte deste país em que apesar de todas as dificuldades respiramos liberdade. É tempo de a reforçar com uma forte participação nos diversos actos eleitorais que não devem antecipadamente ser tidos como ganhos ou perdidos.
Espero que esta gente dos Ginetes, como em tantas ocasiões o tem demonstrado, exponha o seu orgulho que gosta tanto de defender e promover. Não basta querer julgar mas igualmente é necessário participar. Não importa em quem votar desde que feito, tal como já referi, obedecendo unicamente à própria consciência. Não podemos deixar a outros a escolha do que não queremos e depois constantemente lamentar a nossa sorte.
É tempo de “fazer contas à vida”. Escutemos o que os candidatos nos propõem até ao grande dia que nos dá o direito de decidir. Depois deste tempo cumpre-nos apenas respeitar a vontade da maioria. Nada a reclamar por quem decide ficar indiferente em sua casa alheio a este acto tão importante de cidadania.
Pior ainda, não digam que não vale a pena votar.

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Categorias: Opinião

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