29 de setembro de 2020

Festa da democracia diferente

A pandemia de covid-19 veio alterar os nossos hábitos e comportamentos e as próximas eleições legislativas regionais serão mais um teste para os Partidos, na medida em que ela veio alterar o modelo tradicional de se fazer campanha eleitoral.
Como tal, o porta-porta, o contato pessoal ou os comícios com os eleitores terão de ser feitos através do mundo virtual, pelas diversas plataformas de comunicação,dado que a autoridade de saúde da Região já veio recomendar o estrito cumprimento das medidas sanitárias conhecidas, pelo que não podem ocorrer aglomerações de pessoas envolvidas nas campanhas.
Neste cenário imposto pela pandemia, a relevância da campanha virtual constituirá um desafio e uma ferramenta importante, na medida que importa a todo o custo diminuir todas e quaisquer atividades que envolvam aglomerações de pessoas.
Este novo formato de campanha deverá prejudicar os Partidos da atual Oposição democrática, dado que terão imensas dificuldades de romper a barreira do contato direto com o eleitor, atendendo a que uma parte significativa da população açoriana não lida confortavelmente com o mundo digital, pelo que as mensagens com as propostas dos diversos Partidos se perderão, eventualmente, nas nuvens. 
O Partido Socialista leva vantagem em toda a linha, relativamente a todos os outros Partidos, na medida que a essência da sua mensagem está a ser transmitida pelo próprio Governo Regional, com toda a atividade governamental que se intensifica com o aproximar da data das eleições, porque lá se foram os jantares-comício e almoços, tirando alegria à festa da democracia. 
Também os órgãos de comunicação social regionaisneste mundo cada vez mais tecnológico, serão outros dos meios que terão de ser usados pelos Partidos para divulgarem as suas mensagens, numa tarefa sempre exigente, mostrando que continua com a sua nobre função de informar e assumindo neste caso uma relevância adicional nesta época pandémica e de distanciamento social. 
De facto, hoje, mais que nunca, os órgãos de comunicação social são essenciais para informar com rigor, isenção e imparcialidade, assumindo um papel de esclarecimento e de grande proximidade junto da opinião pública, contribuindo decididamente para a construção de uma cidadania mais esclarecida, em prol da liberdade e da democracia.
A aposta na comunicação social e nas redes sociais será uma forma de potenciar estes meios para se promover a necessária comunicação direta e direcionada para o cidadão comum, apostando na interatividade na transmissão dos programas eleitorais dos respetivos Partidos, evitando-se também aqui os ajuntamentos e arruadas. 
Por isso, esta campanha eleitoral em tempo de pandemia de covid-19 constitui um momento muito desafiante, sempre na esperança de se ultrapassar com sucesso este histórico momento em que a nossa aldeia global vive e sofre, mas que importa tudo fazer até ao dia das eleições para se apostar na proximidade com os eleitores ese mostrar ao eleitorado a necessidade de irem cumprir o seu dever de ir votar e não ficarem em casa por medo.
Para tal, há que preparar a votação com todas as cautelas, a fim de que o ato eleitoral permita a que cada eleitor se sinta seguro, ao deslocar-se à sua mesa de voto. A própria Comissão Nacional de Eleições advertiu que será necessário que sejam usadas luvas, máscaras, viseiras e álcool nas mesas de voto e o mínimo de canetas partilhadas, porque está em causa igualmente a segurança de todos aqueles que se disponibilizam para as mesas de votos, assegurando que o ato decorra com tranquilidade.
Por outro lado, esta campanha eleitoral vai ser diferente, não só pelo teste à criatividade, como terá também as suas vantagens relativamente a outras, mormente quanto aodispêndio de verbas absolutamente desnecessárias com a propaganda a rodos, que não será distribuída.
Oxalá que tudo concorra para o esclarecimento dos cidadãos e para uma escolha conscientemente informada daquilo que os Partidos propõem para a gestão da res pública.

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Categorias: Opinião

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