29 de setembro de 2020

Mais do mesm0

 Está a decorrer, com grande intensidade, a pré-campanha eleitoral que alguns apelidam de festa da democracia.
Em boa verdade, o que se presencia neste período de propaganda partidária é que cada força política argumenta que, no caso de ter alguém eleito, fará isto, aquilo ou aquele outro, por vezes prometendo a resolução de problemas com “barbas brancas” que arreliam as populações dos Açores, no seu todo, há décadas.
No que respeita ao partido que actualmente suporta o governo, leio, com certo espanto, que as prioridades do próximo governo (se ganhar as eleições, claro) serão: o emprego, a economia, a saúde e as áreas sociais.
A pergunta que vou fazer é pertinente. Mas, que raio estiveram a fazer os sucessivos governos PS nos últimos 24 anos de governação? 
Vamos por partes.
No que ao emprego diz respeito, as percentagens de desemprego apresentadas pelo governo não condizem com a realidade. 
Isto porque, as ocupações temporárias pagas pelo erário público (lay-off, por exemplo) são consideradas como pleno emprego. Está bem de ver que isto é uma manobra estatística. Acabado o tempo legal da comparticipação governamental, o trabalhador vai pura e simplesmente para o desemprego. 
Por via disto é que digo:- o governo mente, quando afirma que o desemprego na Região ronda os 4%. Na realidade o valor é bem maior do que aquela cifra.  
Na economia, estatisticamente falando, a PORDATA veio, recentemente, confirmar que estamos na cauda do país. Somos os menos desenvolvidos, e os mais pobres e temos uma dívida pública brutal sem possibilidades, tanto a curto como a médio prazo, para a diminuir. Porém, o governo embandeira em arco quando afirma que a nossa dívida é de 44,3% do PIB regional.
 E isto acontece porquê? Porque – exceptuando a EDA - as empresas públicas regionais têm vindo a ser geridas, salvo raras excepções, pela “nomenklatura partidária” e só têm dado prejuízos. Fazem-se opções económicas erradas, gasta-se à grande e à francesa, e nunca ninguém é responsável.
Na saúde, é ver o caos que é o Serviço Regional de Saúde. Os hospitais levam anos para atender doentes com consultas consideradas não urgentes. 
 As listas de espera contam-se por milhares os que aguardam consulta nas mais variadas especialidades médicas, havendo, por isso mesmo, quem recorra às urgências para ser atendido. 
Quanto aos serviços de exames complementares de diagnóstico, é melhor nem falar, porque não só não os fazem atempadamente, como entopem as clínicas privadas com requisições para os ditos. Eu que o diga!
A agravar tudo isto, a falta de especialistas nos vários hospitais e centros de saúde da Região tem sido tema recorrente nos diversos órgãos de comunicação social. 
Como cereja, no topo das incapacidades destes 24 anos de governação socialista, temos o não cumprimento das promessas feitas em resolver as questões salariais do pessoal da saúde – médicos, enfermeiros, técnicos auxiliares de diagnóstico, assistentes operacionais, etc. Daí as greves, com manifesto prejuízos para os cidadãos.
Conclusão, nesta Região, quem não tiver dinheiro para tratar de si, está condenado a morrer como o pinto na casca.
Nas áreas sociais, o melhor é o PS estar calado quanto a esta matéria. A menos que queira, deliberadamente, aumentar os níveis de pobreza que actualmente se verifica. 
Só para lembrar aos mais esquecidos, o RSI, neste momento, contempla cerca de 24.000 pessoas, enquanto os níveis de pobreza são superiores àquele número.
Porém, o Presidente do Governo Regional embandeirou em arco ao anunciar, com colorido foguetório, que irão receber da União Europeia, o maior contributo de sempre, cerca de 3.200 milhões de euros em apoios para a Região. Tudo isto conseguido pelas frutuosas e amistosas conversações entre a Europa, o Governo da República e o Governo Regional.
Apesar de aquele montante estar manipulado, porque inclui verbas já mais do que prometidas pela República, para mim, aquele contributo é a provada incapacidade dos sucessivos governos regionais em melhorar o nível de vida dos açorianos. 
Preferiria que não tivéssemos qualquer subsídio, porque significaria que estaríamos vivendo com um bom nível social. Preferiria que tivéssemos um nível de vida igual ao dos países considerados contribuintes líquidos da União Europeia.
O lema do PS para estas eleições é:- PRÁ’FRENTE.
Para onde? Para um abismo ainda maior?
Há que escolher bem. Não fique em casa!

P.S. Texto escrito pela antiga grafia.
27SET2020
 

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Categorias: Opinião

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