Indivíduo referenciado terá assaltado três espaços diferentes numa só noite

Assaltos ocorridos durante a madrugada na última semana estão a preocupar e revoltam empresários da Ribeira Grande

Na passada semana, mais concretamente na quinta-feira de manhã, três empresários com negócios na Ribeira Grande, receberam a notícia de que os seus espaços haviam sido invadidos, dois restaurantes e uma frutaria, possivelmente pelo mesmo indivíduo, sendo-lhes furtado dinheiro e outros bens.
Destes três empresários, o Correio dos Açores conseguiu chegar à fala com Nuno Cordeiro, proprietário do PH Gastropub, e com Vitoriano Faria, proprietário dos restaurantes Só Grelhados que, neste momento, conta com duas lojas: uma no concelho da Lagoa e outra no referido concelho da Ribeira Grande.
Para Nuno Cordeiro, cujo espaço completará o seu segundo aniversário em Novembro, os prejuízos acabaram por ser mais avultados, a rondar os 600 euros, uma vez que para além dos 200 euros de fundo de maneio que se encontravam no interior da caixa registadora subtraída do seu restaurante, a qual teve que substituir, teve também que pagar o arranjo da porta do estabelecimento que foi arrombada.
Em acréscimo, o empresário diz ainda que, durante a madrugada de quinta-feira, lhe foram retiradas do espaço várias garrafas de bebidas alcoólicas, assim como vários produtos congelados.
Tendo em conta o período em que ocorreu este primeiro furto ao seu estabelecimento, acreditando-se que o mesmo tenha ocorrido entre as 23h00 e as 05h00, Nuno Cordeiro apenas viria a ser notificado pela dona do espaço que, por sua vez, percebeu o que se tinha passado perto das 06h00, hora em que outros empresários se preparavam para abrir o café/restaurante existente do outro lado da rua.
Ao que tudo indica, conforme a Polícia de Segurança Pública explicou a ambos os empresários entrevistados pelo nosso jornal, mais tarde o indivíduo que alegadamente terá sido o responsável pelos três furtos foi detido por esta força de autoridade, sabendo-se que o mesmo estaria já em vigilância electrónica, uma vez que possuiria uma pulseira electrónica, sendo este um dos aspectos que Nuno Cordeiro considera “extremamente errado” e até inacreditável.
Isto é, enquanto empresário que escolheu o centro da Ribeira Grande para desenvolver a sua actividade, Nuno Cordeiro refere que embora “não esteja a fazer um ataque directo à polícia”, infortúnios como este o fazem sentir-se inseguro, relatando queixas de outros moradores do centro do concelho.
Conforme relata, para além dos espaços comerciais, também as moradias privadas têm sido alvo de assaltos nos últimos meses, tal como o seu familiar que foi assaltado em casa três vezes ou a vizinha que ficou sem as suas jóias durante a noite, referindo que “nada ficou resolvido” entretanto, mesmo após notificação à PSP.
“O problema é que, na minha opinião, não está a ser feita a prevenção ao crime. Não vejo a polícia a fazer rondas na rua. (…) Penso que não está a haver uma correcta gestão dos recursos da polícia e este é um problema que se tem agravado. Já era antes, mas cada vez mais se está a sentir um clima de insegurança na Ribeira Grande no que toca a furtos durante a noite”, diz Nuno Cordeiro, afirmando que “as pessoas não estão descansadas” face a estes acontecimentos.
Considera ainda que estes furtos mais recentes são preocupantes pelo facto de o seu estabelecimento se encontrar bem localizado, isto é, numa rua onde passa “muito trânsito, quer automóvel quer pedonal”, e próximo de outros pontos de interesse do concelho.
Ainda assim, refere que destes furtos parecem não existir consequências no que diz respeito ao consumo, uma vez que o que aconteceu teve lugar após as horas de funcionamento do estabelecimento e na casa das pessoas, “afectando directamente o negócio mas não a adesão da clientela”.
Porém, enquanto empresário torna-se difícil lidar com este tipo de situações, uma vez que se está a passar “por um período de facturação que é dos mais baixos da história, vindo do ano passado em que tivemos um dos períodos de facturação mais alta de sempre ao nível da restauração”, marcando assim os dois extremos no que diz respeito aos rendimentos obtidos pelos empresários entre 2019 e 2020.
Para além dos efeitos da pandemia, também o declínio do turismo que se deu durante este ano foi altamente prejudicial para a restauração, conforme se tem vindo a saber: “Com o declínio do turismo devido à Covid-19, nós estamos numa situação em que a restauração pouco está a sobreviver e os poucos que têm clientes suficientes servem apenas para pagar as contas”, realça.
A par disto, também o nível de confiança dos clientes parece ter vindo a reduzir, mesmo com todas as medidas de segurança que foram implementadas nos restaurantes para evitar a propagação do vírus.
“As coisas estão extremamente difíceis para a restauração porque as pessoas não têm confiança suficiente para ir aos estabelecimentos mesmo com todas as restrições e com as novas regras de distanciamento e de limitação da capacidade, (…) mesmo assim as pessoas estão a preferir ficar por casa”, salienta Nuno Cordeiro, mostrando ainda sérias preocupações quanto ao que espera os empresários do sector do turismo a partir de Dezembro por acreditar que a partir desse período a restauração se irá fazer “ressentir ainda mais”. 
Se para alguns empresários que têm as suas empresas há vários anos e com nome feito o novo coronavírus trouxe grandes adversidades, muito mais trará para aqueles que, à semelhança de Nuno Cordeiro, decidiram montar os seus negócios nos últimos anos, na expectativa de que com o aumento gradual do turismo pudessem não só oferecer um serviço diferente mas também contribuir para o crescimento da economia.
Isto é, apesar de ter perto de dois anos, este empresário admite que o PH Gastropub passou já por muitas dificuldades, encontrando-se de momento a “tentar ultrapassar” mais uma grande dificuldade para além das que já existem no sector.
“Agora é começar de novo, fazer a casa e ganhar clientela”, diz. Porém, com a aproximação do Inverno, acredita que as pessoas irão “sair ainda menos de casa” e que por esse motivo se aproximam “tempos muito complicados”, adiantando que apesar de conseguir manter o optimismo em alguns dias, há outros em que sente que “a situação que será enfrentada é muito drástica”.
Apesar de ter aderido a alguns dos apoios divulgados pelo Governo Regional que terão ajudado alguns empresários a passar pela fase do Verão, refere que “com a vinda do Inverno os apoios existentes podem não ser suficientes”, alertando que será então necessário que sejam criadas “medidas que se adequem a tempos ainda piores na área da restauração”.

“Hoje em dia a polícia não é tão presente como era antigamente”, diz Vitoriano Faria

Foi graças às câmaras de vigilância de Vitoriano Faria, proprietário dos restaurantes Só Grelhados que este ladrão acabou por ser apanhado pela Polícia de Segurança Pública, conforme terá a mesma adiantado aos empresários que foram surpreendidos com os furtos em causa na passada semana.
No caso do restaurante conhecido pelo seu take away, o furto ter-se-á dado por volta das 00h15, quando um indivíduo entrou no local por intermédio de uma janela pela qual “seria impossível alguém conseguir entrar”, adiantou o empresário, não prevendo por isso que aquele poderia ser um ponto de acesso ao interior do restaurante, acabando o “indivíduo referenciado por outros assaltos” por levar consigo dinheiro que estava destinado a uma causa social e outros produtos.
“Entrou na loja e não fez grandes prejuízos. Dirigiu-se ao caixa, e como não tinha dinheiro tirou uma lata que continha algumas moedas que serviriam para apoiar o Francisco, um miúdo que teve um acidente na Ribeira Grande. Levou a lata consigo e alguns pacotes de batata, pegou numas garrafas de vinho que acabou por deixar atrás e foi-se embora”, conta ao nosso jornal Vitoriano Faria.
Esta é a segunda vez que alguém tenta assaltar o seu restaurante da Ribeira Grande, refere, salientando que “houve um primeiro indivíduo que tentou assaltar mas não conseguiu entrar”. Esse mesmo homem terá então, mais tarde, sido apanhado noutro assalto em Rabo de Peixe, “onde deixou as impressões digitais, e percebeu-se que tinha sido o mesmo a ir à nossa loja”, diz.
Apesar de considerar que todos estes furtos foram de pequena importância, Vitoriano Faria admite que é natural sentir algum incómodo perante estes acontecimentos. Ao contrário de Nuno Cordeiro, o proprietário do Só Grelhados adianta que “não se sente inseguro”, mas que estas situações o fazem pensar que terá que “tomar maiores precauções ao nível da segurança”.
Uma vez que não tem residência na Ribeira Grande, não sente que esteja em posição de poder “generalizar o que se passa”, referindo apenas que embora veja elementos policiais pela cidade, “hoje em dia a polícia não é tão presente como era antigamente, onde quase se via um polícia em todos os cantos”.
No que diz respeito aos impactos sentidos pelo seu negócio, a falta do turismo fez com que este empresário tivesse – à semelhança de todos os outros – uma grande quebra, registando-se “um pequeno decréscimo ao nível do negócio” que o faz pensar nos desafios que possam estar mais à frente.
Entre as estratégias que sentiu a necessidade de adoptar para melhorar a sua condição, este empresário optou por manter apenas o seu serviço de take away nos dois restaurantes, admitindo que “todas as expectativas de futuro neste momento estão bloqueadas” mas que, mesmo assim, espera que melhores dias surjam, até porque com a abertura deste segundo restaurante na Ribeira Grande conseguiu perceber que tem vindo a haver “um crescimento bastante interessante”, conclui.

Joana Medeiros 
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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