Adquiridos pelo Governo Regional em 2018

Campos de golfe custam meio milhão por ano e ainda não houve propostas para compra apesar de “manifestações de interesse”

Correio dos Açores - Os campos de golfe de São Miguel foram adquiridos por 7,4 milhões de euros em 2018 pelo Governo Regional, através da Ilhas de Valor, e na altura foi anunciado que seria para salvaguardar postos de trabalho. Isso aconteceu? Com quantos colaboradores contam actualmente e quantos tinham aquando da compra?
Diana Valadão (Administradora da Ilhas de Valor) – A compra dos campos de golfe diz respeito aos dois campos de São Miguel. Todos os postos de trabalho foram salvaguardados, sendo que, actualmente, contamos com 54 colaboradores, o mesmo número da altura da aquisição dos dois campos.

Quanto representa, por ano, a manutenção dos três campos de golfe? Se possível discriminar por cada um e quanta dessa verba é destinada a pessoal? 
O custo com a manutenção dos campos de golfe ultrapassa anualmente os 500 mil euros, sendo o montante da manutenção do campo de golfe da Batalha correspondente a cerca de 50% deste valor, por ter uma área total muito superior à soma da área dos campos das Furnas e da Terceira.
Desta quantia, cerca de 70% corresponde a custos com pessoal e os restantes 30% referem-se a gastos com produtos, manutenção e uso de equipamentos.

Antes da pandemia como estava a ser a procura pelos campos de golfe da Região? São geralmente locais ou estrangeiros quem mais procura?
Desde 2010 que, em São Miguel, temos vindo a crescer quer a nível da receita, quer a nível do número de voltas, sendo que os estrangeiros de diversos mercados emissores e operadores turísticos representam cerca de 70% da facturação e 30% do número total de voltas. 
No que se refere ao campo da Ilha Terceira, desde que iniciámos a sua exploração, em Janeiro de 2016, o aumento da receita com “greenfees” atingiu quase os 40%.
É de referir que para captarmos mais jogadores/utilizadores locais desenvolvemos e implementamos o produto “Golfe Para Todos”, que trouxe cerca de uma centena de novos utilizadores ao longo destes anos. 
Criámos um produto, “Baptismo de Golfe em Família e Férias”, que, na prática, consiste em lições de golfe. Esta aposta, por um lado, permitiu obter fontes extra de receita e, por outro lado, atraiu muitos residentes estrangeiros que fixaram residência nos Açores também pela existência dos campos de golfe.
Actualmente, os estrangeiros residentes e alguns não residentes representam 30% dos utilizadores dos nossos campos de golfe. 
Neste sentido, é de salientar que os campos dos Açores são os que têm mais utilizadores de golfe locais em comparação ao resto do país. 

Têm conseguido captar mais interessados para a modalidade? Como tem sido conseguido?
Pensamos que é importante cativar as camadas mais jovens. E, por isso, trabalhámos também com as escolas e outros grupos para sensibilizar as crianças e os jovens para a prática desta modalidade.
Assim, anualmente, realizamos campos de férias com escolas privadas e públicas, ATL´s, centros paroquiais, Misericórdias, casas do povo, entre outras entidades, com vista a incutir o gosto pela modalidade.
Estamos a falar de um trabalho que requer insistência e persistência e, no fundo, é esse o papel dos nossos profissionais que, além de tentarem captar o máximo de jogadores, estão sempre disponíveis para darem aulas a quem se inicia na modalidade e, também, a todos os que querem aperfeiçoar o jogo.
Tendo em conta a pandemia da Covid-19 e os constrangimentos que tem provocado nos vários sectores de actividade, entre os quais o do Turismo, acreditamos que o golfe, por ser um desporto praticado ao ar livre, irá beneficiar de alguma procura de jogadores, quer locais quer estrangeiros. Ou seja, o lado menos positivo da conjuntura actual poderá transformar-se numa mais-valia neste contexto da prática do golfe. 

Com a pandemia estiveram encerrados? Como foi o regresso e que cuidados estão a ser tidos em conta devido à Covid-19?
Encerrámos os campos em São Miguel a 17 de Março e na Terceira um dia antes, a 16, reabrindo depois precisamente na data autorizada pela Autoridade de Saúde Regional, isto é, em São Miguel a 29 de Maio e à volta de duas semanas antes, a 13, na Terceira. 
É relevante dizer que mantivemos sempre as equipas a trabalhar de modo a assegurar a adequada manutenção dos três campos da Região, sem ignorar os cuidados e as restrições próprias da situação vivida à data. 
Por outras palavras, a Ilhas de Valor elaborou um plano de contingência que foi dado a conhecer a todos os funcionários para reforçar a sua atenção a eventuais sintomas de doença da Covid-19 a algum cliente/jogador, disponibilizando também diversa informação útil sobre a Covid-19 e os procedimentos a ter quanto à higienização das mãos e à etiqueta respiratória, seguindo as directrizes da Autoridade de Saúde Regional. 
Ao retomarmos a nossa actividade, mantivemos os procedimentos e reforçámos os cuidados com a limpeza das superfícies e a utilização de máscaras, a par do distanciamento social em todos os momentos. Aliás, friso, que o golfe pode ser praticado, cumprindo todas as regras de distanciamento social, sendo que a sua prática não acarreta riscos, pois é jogado individualmente, não existe contacto físico entre praticantes e cada um usa o seu próprio equipamento.

Registaram quebras de quanto, agora que reabriram? 
Como atrás referi, reabrimos as portas em Maio último. Era inevitável não sermos apanhados na corrente, quando grande parte das nossas receitas tem origem nos clientes externos e nos eventos que realizamos nas nossas instalações e nos meses de Verão, altura do ano em que grande parte das receitas de golfe acompanham o aumento do fluxo dos turistas que nos visitam.
Também neste período, nas infra-estruturas pertencentes aos campos de São Miguel, realizam-me muitos eventos, como casamentos, baptizados, comunhões, quer nas excelentes instalações da Batalha, quer nas Furnas.
Devido à pandemia, este ano todas as reservas foram canceladas, e, portanto, se compararmos com o mesmo período de 2019, registamos uma quebra de mais de 50% na receita.

O objectivo da aquisição dos campos por parte do Executivo era, depois, tentar que fossem de novo vendidos. O que tem sido feito nesse sentido? 
A Ilhas de Valor, através da Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores (SDEA), tem realizado acções de promoção da venda junto de potenciais interessados, tanto a nível nacional como internacional.

Já houve algum contacto por parte de interessados?
Na sequência do trabalho que lhe referi anteriormente, temos tido investidores com manifestações de interesse, alguns dos quais visitaram já os campos e a quem facultamos toda a informação necessária para auxiliar na sua decisão.
Sendo esta uma altura difícil, devido à pandemia, está traçada alguma data para voltarem a colocar os campos de golfe “no mercado”?
O trabalho de promoção da venda não foi interrompido, a SDEA continua a fazê-lo naturalmente com os condicionalismos que os tempos em que vivemos nos impõem.  É um trabalho contínuo, portanto. 

Com a falta de turismo, como se têm adaptado os campos de golfe da Região a esta nova realidade?
A adaptação tem sido feita como todo os outros do sector do turismo estão a fazer cá nos Açores, isto é, através do mercado regional e de alguns eventos extra. A título de exemplo, o Azoren Golf Festival está agendado para o início de Outubro com um operador alemão. 
Temos mais alguns eventos previstos para os meses de Outubro e Novembro, com jogadores do mercado nacional, e alguns individuais que por cá passam e aproveitam os pacotes de vendas ao balcão. 
Vamos continuar o nosso trabalho, na expectativa de que, volto a frisar, sendo o golfe um jogo que permite o distanciamento social, iremos conseguir contornar os tempos que correm e captar mais clientes.

Quais os planos a médio/longo prazo para os campos de golfe da Região? Que estratégia para o futuro?
O golfe tem todas as condições para se afirmar como um produto turístico de grande relevância para o destino Açores. A importância da aposta no golfe, enquanto produto turístico, poderá contribuir para atenuar os efeitos da sazonalidade que caracterizam o turismo na Região.
Nesta perspectiva, os Açores têm todo o interesse em organizar eventos internacionais, pois estes são eventos que surgem associados à variedade e riqueza ambiental da Região e que acrescentam ainda mais valor ao destino Açores.

O golfe tem futuro na Região? Ainda é encarado pelo Executivo como uma forma de captar turismo?
O golfe, além de ser uma das modalidades desportivas que mais se destaca na captação de novos praticantes, o que permitiu a sua elevação recente a modalidade olímpica, é também um produto turístico de grande efeito multiplicador, porque motiva e movimenta, anualmente, milhões de pessoas, gerando fluxos turísticos muito relevantes. Importa, pois, na perspectiva da gestão do nosso destino turístico, garantida e reconhecida a qualidade dos campos e infra-estruturas de apoio, continuar a investir no golfe como veículo de animação, mas sobretudo de promoção do conceito Açores – Certificado pela Natureza, com vista sobretudo a garantir, nas épocas baixa e média, importantíssimos fluxos para atenuarem a sazonalidade e contribuírem activamente para a ambicionada sustentabilidade do destino turístico.                       
 

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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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