Depois de produzir 100 pipas de vinho de cheiro em São Miguel

Lima & Quental começa a apostar na produção e venda de álcool gel

Situada em Vila Franca do Campo e fundada em 1946, a Lima & Quental é uma das mais conhecidas empresas ligadas ao sector vitivinícola na ilha de São Miguel e nos Açores. Desde o vinho de cheiro e vinho abafado, aos licores, aguardentes e gin, a Lima & Quental já fechou “no sábado passado, a vindima deste ano”, tal como refere, Liberal Lima, sócio-gerente da empresa.
Apesar de ainda não ter feito a contabilidade da vindima realizada, Liberal Lima tem desde já a certeza que a quantidade de uva é inferior à dos últimos anos.
“Já sei que é muito menos do que no ano passado e tem vindo a diminuir todos os anos. A uva este ano foi boa e melhor do que nos outros anos, mas em pouca quantidade. Vamos ter metade da quantidade que tivemos o ano passado”, adianta.
Para o sócio-gerente da empresa, o decréscimo de uva este ano pode estar relacionado com “o vento que fez em Março e que estragou as videiras”. Liberal Lima prevê que, no vinho de cheiro, “serão à volta de 100 pipas de vinho”, uma quantidade bem inferior à de anos anteriores, contando que “há uns anos atrás já cheguei às 600 pipas”, conta o empresário.
Com cerca de 50 a 60 fornecedores, a quem paga “70 cêntimos o quilo de uva de cheiro”, o empresário afirma que a falta de mão de obra tem dificultado as vindimas e que os produtores de uva têm vindo a queixar-se da escassez de trabalhadores para a função. 
Inevitável no ano de 2020, é a conversa sobre a pandemia de Covid-19, que veio trazer problemas e constrangimentos em vários sectores de actividade, sendo que, no caso concreto da venda de vinho, este sector não fugiu à tendência.
“Não se pode passar ao lado disso. A pandemia chateou-nos um bocadinho e vendemos muito pouco vinho durante esse período. No Espírito Santo vendíamos muito vinho e como este ano não se realizou e também não aconteceram as festas de Verão, automaticamente, vendeu-se muito menos. Felizmente que durante esse período não tínhamos feito nenhum grande investimento”, explica, acrescentando que as quebras “foram de 30 a 40%” comparativamente com o ano anterior.
Para além das festas religiosas e populares que não se realizaram em 2020, Liberal Lima aponta também o decréscimo no turismo como um factor importante para a redução nas vendas.
“O turismo era uma fatia importante do nosso negócio. Vendíamos aos supermercados e às outras superfícies comerciais, que revendiam muito aos turistas”, explica. 
Sobre o futuro, o empresário espera que os próximos tempos tragam melhorias significativas comparativamente com os últimos meses.
“Estou esperançado que as coisas normalizem. É o que todos esperamos e não queremos que isto feche de novo. Todos queremos que passe este vírus”, afirma.
Liberal Lima refere que o principal mercado onde faz chegar o seu vinho são os Açores, mas que exporta também para o ‘mercado da saudade’ e mais concretamente para os Estados Unidos da América.
“Vendo pouco. Cerca de um contentor por ano com aproximadamente 20 mil garrafas. Já tenho lá o meu representante e penso que não consigo vender e mandar mais do que actualmente”, explica.
O sócio-gerente da Lima & Quental adianta que a empresa não tem em vista lançar, nos próximos tempos, nenhuma novidade a nível de bebidas, mas que “há sensivelmente um mês” começou a apostar na produção de álcool gel.
“Começamos a produzir álcool gel, só em embalagens de litro com a bomba. Está-se a vender bem. Aquilo é isento de imposto e posso mandar para as outras ilhas. O álcool foi desnaturado para não poder ser utilizado como bebida e por isso podemos vendê-lo em qualquer sítio”, salienta o empresário que acrescenta ainda que a produção do álcool gel está “dependente da quantidade que me pedem” e que os principais compradores encontram-se entre as empresas do sector privado.
“Vendo para empresas e supermercados. Começamos há pouco tempo e, infelizmente, isto vai ser uma coisa necessária e para continuar. Por ter essa percepção, é que decidi apostar neste produto”, adianta.
Estas embalagens de 1 litro e já com bomba incorporada custam 4 euros e 80 cêntimos.             
                                         

Luís Lobão 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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