1 de outubro de 2020

Acreditar na Pordata e no debate


 1. Pordata. Porque há sempre quem não conheça termos como este, trata-se do  “ Retrato dos Açores , PORDATA, edição 2020, um projeto da Fundação Francisco Manuel dos Santos, um serviço gratuito de acesso à informação estatística  credível sobre a sociedade portuguesa ( neste caso os Açores ) desde 1960, um valioso contributo ao conhecimento informado da nossa sociedade e conta com a colaboração de mais de 60 entidades oficiais de informação , com destaque para o INE e o Eurostat . “
  Trata-se, portanto, do retrato atual dos Açores, credível e de confiança assegurada, apesar de alguns incrédulos teimarem em não aceitar que dois mais dois são quatro ! O pequeno caderno tem boa apresentação e comporta 74 páginas a cores sobre todas as nossas ilhas,  com indicadores da população residente , superfície , as nossas 156 freguesias , alojamentos familiares, escolas de ensino pré-escolar, pensionistas, hospitais e alojamentos turísticos.
  Interessa-nos agora avaliar os principais dados do Arquipélago e verificar quais os que acarretam maiores preocupações em termos de evolução no desenvolvimento regional, porque a sua análise  mais aprofundada e habilitada ficará para outras rubricas que não esta. Residem nos Açores  242 821  almas vivas, ou seja quase menos 5 mil   em relação a 2001. Por exemplo, vivem nos Açores 37 660 jovens com menos de 15 anos  e o número de idosos com 65 ou mais anos atingiu os 35 827. A esperança de vida nos Açores  é de  77,9  enquanto que em Portugal atinge os 80,8. Como se vê nem tudo vai bem neste reino insular !


2.  No campo do ensino as coisas são mais graves uma vez que a população com 15 ou mais anos sem o ensino secundário no total  da população, nos Açores, é de 70 por cento enquanto que no Continente é de 58 por cento. Isto não é para acreditar, é para preocupar ! Outro retrato muito preocupante que praticamente não evoluiu nos últimos anos  é o que se refere à taxa de abandono precoce de educação e formação nos Açores,  que chegou aos 27 por cento, enquanto que no Continente ficou-se nos 11 por cento. Um panorama desolador que carece de medidas urgentes e eficazes do governo que sair das eleições de Outubro próximo, para não perdermos o comboio do desenvolvimento global da nossa Região Autónoma e não continuarmos a aumentar a pobreza da nossa gente.
 No setor  da Saúde os números não são nada animadores e até nem precisávamos de esperar pela PORDATA para o confirmarmos. Basta reparar no número de habitantes por médico que nas nossas ilhas  são 278, enquanto que no Continente são 186. É preocupante ver a percentagem de beneficiários do Rendimento Social de Inserção que nos Açores atinge os 10,2 por cento enquanto que no Continente português fica - se pelos 3 por cento e isto significa muito no envolvimento e dependência  social da sociedade açoriana e espelha bem como vai o índice de pobreza da nossa gente, facto que só o governo dos Açores parece não entender, enveredando pelo caminho fácil do subsídio, dos cabazes e dos donativos !

3. Bolieiro. José Manuel Bolieiro já apresentou o seu programa eleitoral de governo para as eleições de Outubro próximo, numa cerimónia que se realizou no Coliseu  Micaelense  perante uma assistência de convidados e militantes,  como já é habitual. Para Mota Amaral o discurso do candidato social democrata surpreendeu pela positiva pela forma e pelo conteúdo. Bolieiro relevou a sua natural preocupação e apresentou “ caminhos de saída dos impasses existentes “ em matérias que  têm a ver com o próprio regime autonómico e com as relações com Lisboa e o Terreiro do Paço. Defendeu a mudança, a  libertação da sociedade do sufoco governamental, da dependência e da partidarização, um caminho que o atual governo de Vasco Cordeiro tem singrado com excessiva permissividade ! No que à Saúde diz respeito o PSD  defendeu e bem que se reveja a situação da nomeação da Autoridade Regional de Saúde que deve ser independente do cargo de Diretor Regional do setor , de forma a que não se  misture  cargos importantes com candidaturas partidárias.

4. Debate. Tive a dita de assistir ao debate da última terça feira com os candidatos representativos dos partidos que concorrem às próximas eleições regionais e fiquei deveras admirado com a vivacidade e com a frontalidade dos candidatos que agora se apresentam por São Miguel e até com a boa preparação de todos eles, com a coragem  nas críticas e com a apresentação de alternativas e ideias interessantes e até exequíveis. Francisco César foi obrigado a ouvir a intricada situação da SATA e  a explicar a elevada pobreza nos Açores e também  a alegada manipulação  de dados estatísticos! O principal partido da Oposição, representado por Pedro do Nascimento Cabral, foi direto e eficaz na necessidade da alternância do poder regional, enfocando a difícil e dolorosa situação da Saúde  nos Açores e a confluência das soluções que apenas se entrecruzaram  nos últimos vinte e quatro anos de governação socialista . Mas naquele debate, pela novidade e pela clareza das intervenções, destacaram-se, a nosso ver, os candidatos do PPM, do CDS,  do Liberal, do Chega e do MRPP.  Neste caminho vai ser bastante viva a campanha eleitoral e é bem capaz que baixe o nível de abstenção.

                               

No dia do debate 2020

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Categorias: Opinião

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