Face a Face...! com o professor Aníbal Pires

Um Governo PS “é socialista só de nome”

 Correio dos Açores - Descreva os dados que o identificam perante os leitores.
Aníbal Pires - Parece, mas não é fácil responder a esta questão. O leitor, em função das circunstâncias em que se cruzou comigo, dirá: foi dirigente associativo, é dirigente sindical, foi presidente do Conselho Directivo da Escola dos Arrifes, conheci-o numa acção de formação profissional, costuma ler poesia por aí, escreve num blogue, tem um canal no Youtube, conheço-o do Facebook, foi eleito na Assembleia Municipal de Ponta Delgada, foi deputado e Coordenador do PCP e da CDU Açores, escrevia para os jornais, ouvia-o na rádio, via-o numa televisão local, é professor. Sim, sou professor e essa, considero eu, é a minha imagem de marca.

Fale-nos do seu percurso de vida?
Sou licenciado em Educação Tecnológica e Mestre em Relações Interculturais, frequentei um Doutoramento em Geografia (Humana) que não concluí por ter assumido, em 2008, responsabilidades como deputado na Assembleia Legislativa Regional dos Açores. Sou docente de Educação Visual e Tecnológica e, no momento, aguardo decisão sobre a minha aposentação. Afinal já são 45 anos e alguns meses de trabalho como docente.
Durante a minha carreira profissional exerci os mais diversos cargos (talvez todos) que podem ser atribuídos a um docente. Seria fastidioso estar a enumerá-los, mas pense o leitor num cargo que possa ser executado por um professor e, certamente, eu tê-lo-ei exercido. Como qualquer outro trabalhador docente, com consciência social e política, sou sindicalizado. Sou, também, dirigente sindical.
A par da actividade docente fui também formador tendo, durante algum tempo, colaborado com empresas e sindicatos na elaboração de planos de formação profissional e dado algumas acções de formação em áreas do “atendimento ao público” e da “higiene, saúde e segurança no trabalho”.
A minha intervenção social e cívica decorre, desde logo, da minha condição profissional, ou seja, um professor tem “obrigação” de participar na vida da sua comunidade. Não me vou alongar sobre este tema, opto por deixar aos leitores uma pequena lista das associações com as quais colaborei e ajudei a fundar: Clube Desportivo da Escola Preparatória de Arrifes; Associação de Andebol de S. Miguel; União das Associações de Andebol dos Açores; Associação “Vínculos”; e, Associação de Imigrantes nos Açores (AIPA). Recentemente e, também, na qualidade de sócio fundado,  subscrevi a criação da APA – Associação de Poetas do Atlântico, organização para a qual fui indigitado, pelos sócios fundadores, Presidente da Comissão Instaladora.
Sou casado há 43 anos, tenho 3 filhos (2 raparigas e 1 rapaz) e 3 netas.

Como se define a nível profissional?
Não é fácil falar do nosso desempenho profissional e, muito menos, numa palavra ou numa frase sintetizar o que pensamos sobre a nossa carreira. Diria que: sendo professor nunca deixei de ser um aprendiz. O que significa que procurei manter sempre um diálogo com os meus alunos, promovendo o pensamento autónomo e crítico. Ou seja, mais do que a mera transmissão de conhecimento e saberes procurei, sempre, induzir a necessidade de questionar para compreender. Se isto fez de mim um bom ou mau profissional, Não sei. Mas não saberia fazê-lo de outra forma.

Quais as suas responsabilidades?
Sou membro da Direcção do Sindicato dos Professores da Região Açores (SPRA), situação que poderá vir a ser alterada nas próximas eleições que se realizam a 30 de Outubro próximo. Sou membro do Secretariado e Direcção Regional do PCP Açores, situação que se manterá até à realização do próximo Congresso. Como ficou dito numa das perguntas anteriores continuo envolvido em actividades de natureza cívica, cultural e política.

Que impactos tem o desaparecimento da família tradicional?
Não tenho a ideia que a família, tal como a entendemos, tenha desaparecido na nossa sociedade. Houve alterações profundas motivadas por razões conhecidas, mas, ainda que de forma empírica, diria que apesar de se registar um elevado número de famílias desestruturadas, existe um núcleo maioritário de famílias que mantêm, no essencial, os princípios que são inerentes ao conceito que temos de família. Por outro lado, fruto da própria evolução social é visível um novo tipo de famílias que, como qualquer outra, contribui para a desejável harmonia social que as famílias garantem.  

Como descreve a família de hoje?
As famílias estão a atravessar um período, que não se iniciou agora, muito complexo e que conforma um ataque à sua unidade e, assim sendo, importaria reverter algumas políticas cujos efeitos, ainda que indirectos, contribuem para a sua desagregação. Os cidadãos menos atentos poderão dizer que a afirmação anterior é um paradoxo pois, as políticas públicas têm sofrido uma evolução positiva na protecção e apoio às famílias e, eu direi, que não se pode afirmar o contrário.
Assim é, parece contraditório. Mas a estabilidade familiar tem vindo a ser posta em causa por razões que lhe são alheias. Vejamos: a desregulação das relações laborais (precariedade e flexibilização de horário de trabalho); baixos rendimentos que, muitas vezes, obrigam o casal a prolongar o seu tempo de trabalho, em detrimento das horas que devia estar em família, para poder aumentar o seu rendimento; a discriminação das mulheres no acesso ao trabalho e a salário igual; a cultura do consumo e a falta de informação e formação para resistir aos seus apelos; e, ainda que não se esgote por aqui, a cultura dominante de individualização, ou atomização, da sociedade e que induz o egocentrismo com todos os efeitos que daí podem decorrer;
Se considerarmos estas variáveis, julgo não ser muito difícil caminhar para encontrar alguns dos perigos que se abatem sobre as famílias e que contribuem para a sua desagregação e para a demissão do papel de educadores enquanto núcleo primordial da educação das crianças e jovens.
Julgo que as famílias necessitam de ser valorizadas pois, o seu papel é insubstituível na construção de sociedades onde paute o bem-estar e a dignidade. Os modelos de desenvolvimento para serem bem-sucedidos não podem, nem devem, continuar a alicerçar-se na desregulação do mercado de trabalho e nos baixos rendimentos. As políticas caritativas e assistencialistas não resolvem a pobreza e a exclusão, Perpetuam-nas.  

A relação entre pais e filhos é, quase sempre, foco de tensões...
Estranho é que assim não fosse. Julgo que o primeiro passo é o reconhecimento e a aceitação de que os choques entre pais e filhos acontecem naturalmente. São parte do crescimento das crianças e jovens. São parte de um processo de aprendizagem. Difícil é a gestão desses conflitos. Nem sempre é agradável dizer, Não. Mas nem sempre se pode dizer, Sim.
Vivemos num tempo em que nos são induzidos valores que contrariam séculos de evolução social. Promove-se a competição ao invés da cooperação, o individualismo ao invés do bem comum, a guerra ao invés da paz, o ter ao invés do ser, o já ao invés do tempo de reflexão, etc.. Por outro lado, o nosso tempo é um tempo sem tempo. Eu diria, parafraseando, o escritor João Pedro Porto, “Se o presente já durava pouco, agora também o futuro é vivido com a urgência de o tornar passado.” Talvez seja tempo de dar tempo ao tempo, parar para olhar e ver que caminhos estamos a trilhar e corrigir o rumo, enquanto é tempo. E se isto se aplica às famílias julgo que se pode generalizar a outros aspectos da nossa vida colectiva.
Não sou adepto de uma educação espartana para os nossos filhos, mas também não advogo facilitismos. As crianças e jovens necessitam de referenciais onde as normas e o seu cumprimento sejam parte das suas rotinas e, cabe, em primeira instância, às famílias a definição de regras de relacionamento e de responsabilização dos seus filhos. Não sendo assim, a conflitualidade transfere-se para a Escola, para o Clube, para o grupo de amigos, para a sociedade, com tudo o que de pernicioso daí pode advir. 

Que importância têm os amigos?
Toda. A amizade é um bem maior.

Reformado, mas nem tanto? Que actividades gostas de desenvolver no seu dia-a-dia?
Como já referi aguardo, julgo que por poucos dias, a passagem à condição de aposentado, Condição que não será sinónimo de inactividade, bem pelo contrário, é chegado o tempo de me dedicar, mais, à leitura e à escrita. Ou seja, dar continuidade a alguns projectos que têm vindo a ser adiados e aos quais, espero eu, possa dedicar mais tempo.
As minhas rotinas diárias passam pela leitura, pela pesquisa de informação alternativa ao mainstream, por caminhadas em espaços naturais e, naturalmente, alguns contactos sociais. Continuo a manter um conjunto de actividades sociais, culturais e políticas, isto é, não estou reformado da minha condição de cidadão que exerce os seus direitos e obrigações cívicas. 

Vê televisão?  
Para salvaguardar a minha sanidade mental, Não vejo televisão. Há muito tempo que deixei de ver televisão no formato convencional. Tinha alguma preferência pela RTP2.

Que sonhos alimentou em criança?
Viajar e conhecer o Mundo. As primeiras viagens aconteceram nas páginas dos livros que li. Continuo a viajar nas páginas dos livros que leio, mas já concretizei alguns dos sonhos e visitei lugares e gentes que faziam parte do meu imaginário de criança e jovem.

Qual o seu clube de futebol? É um adepto ferrenho?
Desde que o futebol se transformou num gigantesco negócio perdi todo o interesse por este desporto. Quando criança e jovem era adepto do Benfica, mas nunca me encaixei no perfil do apoiante ferrenho.

O que mais o incomoda nos outros?
A hipocrisia.

 Gosta de ler? Qual o seu livro de eleição?
Ler é uma das actividades mais prazerosas a que me dedico. Poderia elaborar uma longa lista de livros pois, tenho dificuldade em escolher o “tal”. Seja um livro, uma música, uma iguaria gastronómica, uma personalidade. Enfim o que seja, mas não quero deixar de responder e direi que um dos livros de eleição que já li, e recomendo, é o “Memorial do Convento”, de José Saramago.

Como se relaciona com as redes sociais?
A primeira reacção será dizer: Mal, relaciono-me mal. Mas em boa verdade não existe uma relação. Talvez a palavra que melhor pode descrever o caudal de informação regurgitado nas, erradamente, chamadas redes sociais seja, Incómodo. Fico incomodado pelos conteúdos publicados sem verificação da veracidade, incomoda-me a informação não factual, incomoda-me o imediatismo, incomoda-me a falta de rigor. Incomoda-me a replicação acrítica de “notícias” que nem sempre o são. Defendo-me das chamadas redes sociais dando-lhe um uso moderado.

Costuma ler jornais?
Folheio, não leio de ponta a ponta. Folheio e selecciono o que me interessa, como seja a actualidade, alguma opinião, os suplementos culturais. 

Gosta de viajar? 
Viajar é um prazer e, talvez das melhores formas de aprender e compreender a diversidade do nosso Mundo. À semelhança da pergunta sobre o livro de eleição, também agora se configura a dificuldade de escolher. Terá sido aquela viagem a Nova Iorque e a San António (Texas), ou uma outra das várias que fiz aos Estados Unidos, talvez a viagem que fiz ao Vale de San Joaquin (Califórnia), com passagem por San Francisco, ou uma das minhas frequentes viagens a Cabo Verde, Cuba, sim gostei. Qual delas terá sido a que mais me marcou!? O Egipto, talvez, mas S. Tomé e Príncipe foi marcante, e Estocolmo, e Kiruna. Não é fácil escolher e, se na leitura deixei apenas uma indicação quanto às viagens, fiquem-se com esta incompleta lista.

Quais são os seus gostos gastronómicos? E qual é o seu prato preferido?
Neste caso vou recusar-me a responder directamente à pergunta. Gosto, particularmente, da gastronomia portuguesa. Poderia até seleccionar um prato de cada uma das regiões, mas não o farei. Come-se muito bem em todo o território continental e insular da República Portuguesa.  

Que noticia gostaria de ler amanhã no jornal?
As transformações que eu gostaria que os jornais noticiassem não cabem apenas numa notícia. Seria fácil e esperado que eu respondesse: acabou a fome, a paz reina, todos os humanos têm acesso a água potável, ou mais imediato como o controle e a erradicação da Covid19. Mas as transformações não se concretizam com desejos de sofá. É preciso acção para transformar o Mundo. Um Mundo doente, um Mundo que está a perder a humanidade.

Qual a máxima que o/a inspira?
Aqui está uma das tais perguntas que me deixa sem jeito pela dificuldade que tenho em escolher uma, mas sim vou, sem rodeios, responder.
“Ser culto é a única forma de ser livre”, Jose Marti (1853/1895)

O que pensa da política?
O exercício da actividade política é um direito e um dever de todos os cidadãos. E todos, de uma forma ou outra, somos agentes políticos, mesmo quando nos abstemos e o negamos. A actividade política é, em minha opinião, servir a comunidade. Digamos que a opinião generalizada é que a política é uma actividade onde pontuam os oportunistas, mas nem a generalização é justa, existem muitos cidadãos que fazem da política uma actividade cívica nobre e desinteressada, e, por outro lado, só com o aumento da participação activa dos cidadãos será possível um escrutínio rigoroso que leve ao afastamento dos parasitas e oportunistas que vivem à sombra dos aparelhos partidários dos partidos do chamado “arco da governação”. 

Que opinião tem sobre os políticos?
Julgo que, de alguma forma, a resposta à pergunta anterior deixa claro o que penso sobre os agentes políticos. Acrescento apenas que as generalizações são um instrumento perigoso e que só serve para denegrir os agentes políticos que encaram a sua participação com nobreza e desinteresse, como um dever para a sua comunidade.

Se desempenhasse um cargo governativo descreva uma das medidas que tomaria?
Uma só medida não resolveria a complexidade das questões que nos afectam, seja na Região, no país, ou no Mundo. A pobreza e a exclusão social constituem-se como uma das maiores preocupações que me afligem e, certamente, esta seria uma questão prioritária.

É apologista de uma Autonomia Política Administrativa progressiva. A Região deve ter mais poder na gestão dos seus mares do que tem? 
Sou um autonomista convicto, como é do conhecimento geral, quem acompanhou e acompanha a minha intervenção pública pode facilmente comprová-lo. Não tenho por hábito rotular a autonomia. Mais do que adjectivar a Autonomia é necessário exercê-la e exigir que os poderes autonómicos sejam respeitados. O que temos assistido nos últimos anos, designadamente após a última revisão Constitucional e Estatutária, é a uma inércia dos poderes executivos e legislativos de utilizar todas as competências autonómicas que foram conquistadas e consagradas na Constituição e no Estatuto. E, neste caso, a responsabilidade não é de Lisboa, nem de Bruxelas.
Quanto à questão da gestão dos mares a posição que tenho defendido é, de forma sintética, a seguinte: “a gestão dos mares e dos seus recursos deve pautar-se pelo princípio da proximidade”.
Como se pode depreender a resposta à questão se a Região deve ter mais poder na gestão dos seus mares fica assim respondida.

 A abstenção preocupa-o? 
O recenseamento é um automatismo que decorre da posse do Cartão de Cidadão. Sendo uma medida com a qual concordo veio introduzir algumas distorções pois, muitos dos nossos imigrantes têm, naturalmente, Cartão de Cidadão ao qual corresponde um eleitor, mas como sabemos não residem nos Açores. Se a esta distorção juntarmos a que decorre da desactualização dos cadernos eleitorais estaremos a falar de um número significativo de eleitores que na prática não existem ou estão impedidos de votar por não se encontrarem na Região.
Mesmo tomando em consideração que as distorções a que me referi podem representar qualquer coisa como 15% dos eleitores, ainda assim verifica-se uma taxa real de abstenção muito elevada e, como tal, preocupante.
É este segmento de eleitores que é necessário conquistar para a participação cívica, sem obrigatoriedade de voto. A mobilização dos abstencionistas para a participação na vida democrática é uma preocupação que deve merecer a atenção dos poderes públicos.
Lembro-me de ter proposto na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores um projecto de resolução (recomendação) que tinha como finalidade contribuir, ainda que marginalmente, para a diminuição da abstenção. A proposta consistia na atribuição a todos os jovens açorianos que completassem 18 anos de um exemplar do Estatuto, da Constituição e da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Esta proposta foi chumbada pelos partidos do costume (PS, PSD e CDS/PP).

Que perspectiva faz das próximas eleições legislativas regionais?
Não me atrevo a fazê-la. Embora não tenha grandes dúvidas que o PS sairá como vencedor deste acto eleitoral. A Covid-19 é a garantia da vitória do PS.

Se o PS não obtiver maioria absoluta nas próximas eleições legislativas regionais, o PCP deverá estar aberto a viabilizar uma solução de governo socialista na Assembleia Legislativa Regional? Em que medida?
Partindo do princípio que o PS será o vencedor das eleições legislativas e que formará Governo (minoritário ou não), esse Governo não será nunca um Governo socialista. O PS abandonou há muito a matriz social-democrata que o caracterizava e, socialista só de nome. Contudo, o PCP, que assumirá com sentido de responsabilidade a dimensão institucional que o povo açoriano entender conferir-lhe, estará sempre disponível para, a cada momento, contribuir para a construção de soluções que garantam a melhoria das condições de trabalho e de vida dos açorianos, o PCP estará disponível para reforçar o investimento público no Serviço Regional de Saúde, na escola pública e na promoção de modelos de desenvolvimento assentes no aumento, diversificação e valorização da produção regional, o PCP estará sempre disponível para construir modelos de desenvolvimento harmonioso que potenciem as singularidades de cada uma das nossas ilhas e que promovam complementaridades e não os bairrismos redutores. Assim outros estejam também.

Em sua opinião estamos a caminhar para uma crise económica e social sem precedentes devido à Covid-19? Quem vai sentir mais esta crise?  
Julgo que a Covid-19 tem servido para aceitar o que em situações de normalidade seria inaceitável, ou seja, instalou-se um clima de medo induzido com um propósito que tem como alvo os mesmos de sempre. As populações mais vulneráveis, os trabalhadores do sector público e do sector privado, enfim todos menos os donos do Mundo.

As políticas adoptadas a Região para combater a pobreza têm sido suficientes e eficazes?  
Não. Eu diria mesmo que as opções políticas visam a perpetuação da pobreza e da exclusão social. Direi ainda que as medidas de apoio que foram criadas ao longo dos anos, sendo importantes, não passam de meros paliativos e não têm por objecto a resolução do problema, nem sequer a sua diminuição.
Medidas que combatam a precariedade laboral e aumentem o rendimento do trabalho afiguram-se como imperativos para que os jovens, mas também os menos jovens possam sair da pobreza e do seu limiar.
Um ligeiro aumento do acréscimo regional ao salário mínimo regional seria, só por si, suficiente para retirar algumas centenas, ou mesmo milhares de famílias do Rendimento Social de Inserção.

Este período de pandemia travou o turismo e está a levar as empresas proprietárias de unidades hoteleiras, de agências de viagens, rent-a-car e de animação turística a situações económicas insustentáveis. Devia-se ter pensado mais na volatilidade do turismo?  
É também do domínio público a posição que sempre tive em relação ao modelo de turismo que se procurou implementar na Região. O sector sendo importante, não deve ser considerado como substitutivo de outros sectores. E não deve, desde logo, por ser uma actividade volátil. Pequenas ou grandes alterações podem, de um momento para o outro desviar os fluxos turísticos de um para outro destino. Exemplos não faltam. Por outro lado, qualquer tentativa de massificação (uniformização) do destino Açores retira-nos competitividade. E aqui não é uma questão de custo, o destino Açores será sempre um destino caro, mas sim uma questão de singularidade paisagística, ambiental e cultural. À medida que nos tornarmos iguais a outros destinos, ou seja, perdendo o que nos diferencia, deixamos de ter procura e competitividade.

As medidas adoptadas pelo Governo dos Açores para manter o sector do turismo ‘à tona de água’ têm sido suficientes?  
Sem dúvida. Mas mais do que as medidas, ou melhor, em paralelo com as medidas esta seria uma excelente oportunidade para repensar o modelo e adequá-lo ao nosso destino.

Tem algo mais a acrescentar?
Sim, quero. Foi um prazer partilhar estes momentos com os leitores do Correio dos Açores.
Votos de uma excelente semana.
                                                    
 


 

Print
Autor: João Paz

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima