Na Quinta dos Maracujás, na Canada Nova do Pópulo

Campanha de Verão rendeu 6.200 toneladas de maracujá

Como os sonhos e pensamentos comandam as nossas vidas, o nosso entrevistado acreditou e o sonho tornou-se real. “Sempre tive este pensamento de um dia poder vir a ter um projecto meu ligado ao maracujá. Entrei novo para a Açoreana Seguros, com 17 anos de idade e o maracujá era um fruto que tínhamos em casa dos meus pais”.
Com o passar do tempo, Fernando Luís passou a ver o maracujá como um fruto de grande potencial de venda, porque também se pode vender para polpa.
No presente, na Quinta estão lá 1200 pés de Maracujá, mas até ao final do ano conta introduzir mais 600 novas plantas.
Desenganam-se aqueles que poderiam pensar que a pandemia da Covid-19 fez com que a produção na Quinta dos Maracujás parasse; muito antes pelo contrário. “Surgiram alguns problemas ao nível da fruticultura, porque os restaurantes e alguns hotéis fecharam as actividades. Contudo, mantive-me sempre a trabalhar, tanto é que a pandemia surge, na altura de preparar a produção de Verão, que é a maior de todas. Ou seja, correu bem e estive sempre a trabalhar”.
A época da campanha de Verão ainda não terminou e “já se produziram 6.2 toneladas, tendo gerado um resultado bastante positivo”.
Dois colaboradores 
na campanha de Verão

A extensão da área levou-o a ter de contratar um colaborador a tempo parcial, que ali vai duas vezes por semana, mas que nos meses mais quentes do Verão ali esteve a tempo inteiro, conjuntamente com uma outra colaboradora.
“No ano passado estive aqui sozinho e era impossível continuar assim, porque todos os dias há sempre coisas para fazer”, relevou.
Em plena estação de Outono, esta é a melhor altura para se fazer o plantio de maracujá, surgindo assim a necessidade do nosso interlocutor ter de montar um estufim. “A sementeira começará a ser preparada agora na segunda quinzena deste mês de Outubro, onde o plantio manter-se-á até Abril, para depois então ir para a terra, em definitivo, quando a planta já estiver a dimensão certa, ou seja, um metro e meio de altura”.
Ao que apuramos, uma planta quando é transplantada em Abril/Maio já começa a dar frutos em finais de Setembro, mas em pouca quantidade, começando a produzir em quantidade no ano seguinte.

Câmaras de vigilância

No entretanto, o nosso empresário começou a ter algumas visitas inesperadas na Quinta dos Maracujás, que fez com que tivesse que instalar uma rede de wireless e câmaras de vigilância. “Não foram perdas muito significativas, mas o sentimento de devassa não favorece a autoestima de quem quer que seja”. As câmaras ajudaram a proteger o espaço e tudo está mais calmo, até porque foi ali montado também um sistema de alarme, onde Fernando Luís, com um sistema remoto consegue ver o que ali se passa, em qualquer hora e local que esteja.
Ainda em termos de planeamento, e porque há sempre que fazer, procede-se à manutenção das 1200 plantas ali existentes para que possam dar bons frutos na campanha de Inverno, mas também já se preparam as novas infraestruturas que receberão os novos plantios. 
Fernando Luís, de 50 anos de idade, lamenta, por outro lado, a falta de materiais no mercado, em número suficiente, para quem quer fazer o que quer que seja em grandes quantidades. “No outro dia necessitava de 400 abraçadeiras de espigão, mas nenhuma loja tinha esses conectores em número suficiente. Só por encomenda, mas demora tempo”.

Mercados e parceria 
com a Boa Fruta

Em termos de mercados, a Quinta dos Maracujás trabalha com o mercado local, com a INSCO e o Príncipe dos Queijos. Já no que toca à polpa de Maracujá, surge a PAUFERR, do empresário Paulo Ferreira.
Em termos de exportações, o empresário Fernando Luís tem uma parceria com a Boa Fruta – Promoção, Produção e Comercialização de Fruta, Lda., que permitiu, por exemplo, a colocação de uma tonelada e duzentos quilos de Maracujá no continente.
“Eles trabalham muito bem nesta área da exportação, porque já têm os seus circuitos e torna-se assim mais fácil a exportação, como acontece, por exemplo, com o nosso ananás”, ressalva.
Em termos de expectativas de outros mercados, a Quinta dos Maracujás “planeia chegar, no próximo ano, ao mercado europeu, por isso é que surge a necessidade de se aumentar a área de produção. É um mercado apetecível, apesar de ter alguns condicionalismos, em termos da qualidade e não tanto em quantidade”.
A apresentação dos frutos é outro aspecto a ter em conta, já que os outros são encaminhados para a produção de polpa. Nada se perde, tudo se transforma.
No ano passado, a proporção de fruto bom e o restante que foi para a polpa equivaleram-se, em termos de percentagem, na ordem dos 50/50, mas já este ano os resultados foram mais promissores, na ordem dos 80/20%.
A constante aposta em melhorar cada vez mais o produto final, levou a Quinta dos Maracujás a candidatar-se à certificação em Produção Integrada, o que aconteceu em Dezembro do ano passado, através da SGS Portugal.

Cuidados extremos

Outra aposta deste empresário tem sido a realização constante de análises aos maracujás, antes destes serem colocados no mercado, assim como análises ao solo e foliares, fundamentais para avaliar possíveis alterações que possam ocorrer e detectar potenciais problemas nutricionais nas culturas.
Outras tarefas diárias exigentes, neste tipo de produção, “é ver diariamente como estão plantas, fazer a limpeza das folhas mortas, ramos que possam estar secos, fazer a condução das guias, de maneira que as plantas possam ficar mais abertas, entre outras”.
Na Quinta dos Maracujás, a produção surge em espaldeira, na vertical e não em latada.
Os frutos na Quinta dos Maracujás são diferenciados, mais ácidos de Inverno do que no Verão, mais adocicados. Mas também há formas de fazer com que os maracujás fiquem mais doces de Inverno, nomeadamente através da forma como as plantas são alimentadas. “A alimentação da planta é muito importante, não só para que os frutos fiquem doces, mas para que possam também ter um bom calibre e fiquem completamente preenchidos, em termos de polpa”. 
De referir ainda, que o Brix (quantidade aproximada de açúcares) dos maracujás no mercado, anda à volta do 11/12.º, mas os frutos da Quinta dos Maracujás chegam a uma média de 15.9.º. 
Do mesmo modo, a água também é importante na produção dos maracujás, tendo sido montado um sistema de rega em toda a linha de produção.
A entrega dos maracujás no mercado faz-se também agora de modo mais profissionalizado, em caixas de cartão de cinco quilos.

 

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