4 de outubro de 2020

Recados com Amor

Meus Queridos! Estava eu a tomar um cházinho de alecrim, que é recomendável para este começo do Outono, …porque tem propriedades boas para a saúde e é indicado para melhorar a digestão, inflamações e gripe, além de ser um antioxidante que ajuda a prevenir derrames e outras doenças cerebrais degenerativas, … quando me telefonou a minha comadre Genoveva, que estava pior do que uma barata, porque tem uma parente que está há meses à espera de uma consulta para os rins e bexiga no Hospital do Divino Espírito Santo, e quis saber junto dos serviços quando ela seria chamada para  a consulta… e como resposta mandaram-na falar com a Administração do Hospital. Genoveva respondeu que sabia já de cor a resposta da dita Administração, porque os administradores têm medo ou não sabem falar com as pessoas, a não ser por notas informativas… como a última que foi emitida pela rádio, dizendo que só há vinte e poucas pessoas em lista de espera para serem atendidas naquelas especialidades… A coisa chegou ao ponto de umas amigas terem aconselhado  a comadre  Genoveva a pedir uma audiência à Secretária da Saúde, mas Genoveva disse logo que isso era coisa que não fazia, mas que qualquer dia, apesar da idade que tem, irá fazer uma novena à porta do Hospital, a pedir ao Espírito Santo que se lembre de levar aquela Administração para bem longe, pois o desconchave que por lá vai  é demais para ser verdade… Falta-lhes saber para comandar tão grande embarcação… e Genoveva diz que tudo isso é o resultado de por os “boys” do partido reinante a gerir, a qualquer preço, hospitais e centros de saúde… dando cabo do Serviço Regional de Saúde, que é dos serviços que tem de estar bem oleado, como se comprovou com a pandemia. Não sei quem são os administradores do Hospital do Divino Espírito porque nunca os vi, nem na televisão, nem nos jornais… e só os leio quando mandam alguma nota informativa… quando não têm outro remédio. De resto, são uns ilustres desconhecidos e, pelos vistos, sem credenciais suficientes para a função!


Meus queridos! A TAP e a SATA reduziram os voos de Ponta Delgada para o Porto no período de Inverno, de 22 para 9 por semana. Esta foi a notícia que eu li no jornal que tão generosamente e acolhe no seu seio, e como não sou daquele lote de pessoas que defendem o “avião à porta”, em todas as ilhas e a todas as horas, até não me admirei, nem estranhei que o meu querido deputado Artur Lima não tenha vindo com o habitual comunicado sempre que para os lados da Ilha de Jesus há a redução de um ou outro voo…. Até achei estranho que se tenha dito que o número dos voos cai de 22 para 9, quando se deveria ter como referência os que havia em Invernos passados… E, com certeza que todos nos temos de ir habituando a não querer sol na eira e chuva nas couves… TAP e SATA somam milhões de prejuízo, mas quando chega a hora de reduzir custos, todos gritam que não é na parte que lhes toca… E por isso mesmo, quando a então novel Administrador disse que “ia doer”, teve o cuidado de não dizer nem onde, nem a quem e pelos vistos quando! … Por mim, acho o ideal nesta crise é afinar a viola ao tom do cantador…


Ricos! A minha prima Maria das Capelas está muito contente com a requalificação do largo nobre da vila nortenha e espera que agora se torne ainda mais emblemático. O que ela gostava era que a baleia que até já está desmontada, fosse definitivamente para o local onde sempre devia ter estado, que é nas imediações do lugar onde foi a fábrica da baleia. Ela até se lembra de, aí há uns bons 15 anos, quando ainda existia o Correio do Norte, o seu director de então, Carlos Sousa, ter feito no dia 1 de Abril uma peta, com foto e tudo, a dizer que a dita cuja baleia que encalhou frente à igreja da Senhora da Apresentação ia ser transferida para novo local… Se calhar a peta vai tornar-se  verdade… Um ternurento beijinho a quem corrigir um velho erro que muitos estranharam e poucos ainda entranharam…


Meus queridos! Telefonou-me a minha prima Maria do Pico a perguntar -me se eu conhecia alguém que pudesse pedir à minha querida Presidente Maria José Duarte o segredo de como pretende demolir as galerias da Calheta, porque, diz ela, bem no centro da Vila da Madalena está a cair de podre a velha sede e garagem dos Bombeiros Voluntários que já está desactivada há muitos anos… É que nem sequer  tiveram o cuidado de tirar as letras que identificavam os usuários do local… e agora, quem visita aquela vila pense que os bombeiros ainda andam por ali … Rodearam o edifício de calhaus enormes, mas diz a minha prima que aquilo é uma nódoa negra, logo agora que a vila, com a abertura de mais um centro comercial, com fastfood e tudo, e com mais uma grande loja de electrónica de consumo, já começa a ter cara de cidade, que deseja ser em tempos próximos… Por mim, vou esperar pelos resultados da Comissão de Vistoria e prometo passar a receita…


Ricos! Não sei como terá decorrido ontem o jogo de futebol entre a Santa Clara e o Gil Vicente e que ia servir de teste para regresso do público aos campos de futebol. Espero que possa ter sido um exemplo para, mais uma vez, sermos referência de civismo e educação. É mais um teste para se poder conviver entre o respeito pelo dito cujo “bicho” e a necessidade de uma vida cada vez mais normal. O que não posso levar à paciência é que aqueles que minimizaram as grandes filas para a entrada nas escolas, dizendo que ninguém ia ficar contagiado por andar em filas com pais e crianças, tudo à mistura, agora sejam os primeiros a dizer que as filas para entrar no estádio são um perigo para a saúde pública… A verdade é que nestas coisas, e como dizia minha querida avó, nada paga como a língua…


Meus queridos! A minha prima da Rua do Poço estava esta semana pior que estragada, pois que o popó do seu sobrinho neto, que se encontrava à sua porta foi “abalroado” por uma bicicleta que logo lhe partiu o vidro da frente e fez diversas mossa. O condutor da bicicleta disse que a tinha alugado e logo foram lá para que o seguro pagasse os prejuízos. E qual não foi o espanto quando disseram que o aluguer de bicicletas não inclui qualquer seguro e que cada um é que tem de fazer se quiser… A minha prima só pergunta como é possível uma actividade que até lida com tanta gente que chega hoje e amanhã vai embora, como são os turistas, e que podem andar por aí a fazer das suas e sem qualquer seguro… Quando um pobre empresário de cá, mesmo o da mais humilde tasca, tem de ter até seguro para o caso de alguém escorregar e cair no seu estabelecimento…, como é que a polícia não tomou ainda as medidas necessárias para fiscalizar quem conduz de bicicleta? Com leis draconianas para uns e generosas para outros…. vou ali e já venho. É pedalar para longe…


Ricos! E já que estou em maré de futebol e de assistência, sempre quero dizer ao Proença da Liga que antes de botar faladura sobre os Açores, pelo menos olhe para um mapa… Disse o dito cujo que  “aquilo que se passou este fim de semana nos Açores é absolutamente inacreditável. Tivemos um campeonato de competições não- profissionais onde foi dado acesso ao público e, na mesma ilha, o Santa Clara não pode ter público nas competições profissionais”. O rico devia saber que o Fontinhas – e que na TVI foi sempre referenciado como Fontainhas – é de outra ilha que não a “ilha do Santa Clara”. Preocupe-se o rico em saber porque motivo lá para o rectângulo há touradas cheias e estádios vazios!


Meus queridos! A passada Quinta-feira foi o Dia Mundial da Música que este ano quase não teve eco, com certeza devida à pandemia… E fiquei cá a pensar com os meus botões, nos apoios que agora foram anunciados para as bandas filarmónicas, mas com um prazo tão curtinho para concorrer que até parece que é de propósito. Ainda vou pedir a um deputado da nova legislatura que faça um requerimentozinho a saber quantas concorreram e que pilim o Governo despendeu para isto… Bem bom que algumas Câmaras Municipais olharam a tempo para as bandas, porque, caso contrário, algumas já nem tinham pilim para a luz e nem uns euritos para a guita e o mastro… se quisessem içar a bandeira aos Domingos e feriados… E quem fala de filarmónicas fala de grupos folclóricos e outros que estão na penúria… A manta está cada vez mais curta!


Ricos! E já que estou a falar do Dia Mundial da Música, fiquei para Deus me levar quando vi uma actuação musical, em pleno dia, na rua dos Mercadores, com o palco encostado à parede e os músicos a tocar no meio do ruído contínuo e insano dos popós a passar e dos peões a ziguezaguear porque ficaram sem passeio e os popós não davam tréguas… A rua mais problemática da cidade continua a ser um exemplo de um hibridismo que até mete dó… Está na hora de uma vez por todas se definir o que se quer para a Rua dos Mercadores… A palavra deve estar no lado de quem ali tem os seus negócios e de quem ali mora… Todos gritam que se deve fechar a rua, mas quando se fechar e a Avenida ficar entupida, outro coro de vozes se erguerá… Por isso mesmo, a decisão tem de ter responsáveis, para não serem sempre os mesmos a pagar as favas…

Print
Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima