7 de outubro de 2020

A Saúde que temos

 O sector da saúde desta Região tem estado em constante “ebulição”.
Ora são os enfermeiros que contestam; ora são os assistentes operacionais que contestam; ora são os técnicos superiores de diagnóstico que também contestam. Isto para não falar nos médicos que, pura e simplesmente, não concorrem às vagas existentes nas diversas especialidades, porque não lhes interessa a miséria que este governo paga, que ronda os 8 euros por hora, que é tanto quanto costumo pagar a um pedreiro, ou pintor, de construção civil.
Todos sabemos que um médico (ou médica) leva vários anos para se formar, e, para se manter actualizado, não pode deixar de estudar.
Tendo por base aquele valor, será justo pagar ao médico 64 euros por 8 horas de trabalho, quando ele pode ganhar o mesmo, ou mesmo mais, por hora, no seu consultório privado? Claro que ele (ou ela) vai preferir o consultório privado.
Por outro lado, a responsabilidade da abertura de vagas nas diversas especialidades é, em última instância, da responsabilidade do governo, que é quem nomeia a administrações hospitalares. Assim, não havendo planeamento no governo para a área da saúde, e, não havendo o alargamento dos cordões da bolsa, dificilmente as administrações abrirão os concursos para preenchimento daquilo que falta para dar cabal resposta às necessidades existentes.
A propósito de planeamento foi interessante o que se passou com a greve dos enfermeiros.
Num dia a Secretária Regional da Saúde não corresponde às reclamações, mais do que justas diga-se em abono da verdade, daqueles profissionais. No dia seguinte, vem o Presidente do Governo, numa inadmissível desautorização da Secretária Regional da Saúde, satisfazer as reivindicações dos enfermeiros.
Na última quinzena de Setembro fui submetido a uma pequena cirurgia no sector privado porque, ao que me informaram, o hospital de Ponta Delgada não dispõe de cirurgião plástico que pudesse, com a urgência que o meu caso requeria, atender-me e operar-me atempadamente. Paguei tudo do meu bolso.
Questiono, e para quem não tem possibilidades de proceder como eu? Está condenado a morrer como o pinto na casca!
Na sequência da cirurgia que fiz, estive vários dias em tratamento no Centro de Saúde desta cidade. Só posso tecer elogios ao modo atencioso e muito profissional com que me trataram.
No último dia de tratamento, dei os parabéns ao enfermeiro que cuidou de mim pela vitória do seu sindicato nesta reivindicação.
Como resposta, ele disse-me. Pudera, isso só aconteceu porque o Dr. Bolieiro prometeu que, se fosse governo resolveria o assunto.
Ora, se as coisas se passaram deste modo – acredito, piamente, que assim tivesse acontecido– é caso para dizer que este governo está esgotadíssimo no que à governança diz respeito.
Governar reactivamente qualquer um governa; até porque o dinheiro, se for bem aplicado e sem megalomanias, chega para as necessidades mais prementes, nomeadamente para a saúde.
Agora, governar para satisfação de clientelas políticas, como este governo tem feito desde há muitos anos a esta parte, os resultados são as dívidas a crescer desmesuradamente nos hospitais, nomeadamente a fornecedores que, nesta data, ascendem já aos 133 milhões de euros.
Confesso que me mete confusão estas enormes dívidas que os hospitais têm quando, só neste ano e até 30 de Junho, os três hospitais receberam cerca de 86,6 milhões de euros em subsídios.
É caso para perguntar:- para onde vai tanto dinheiro, uma vez que as carências nos hospitais são gritantes?
Penso que está mais do que na hora para se acabar com as E.P.’s nos hospitais. Com este estatuto, obriga a instituição a ter um “batalhão” de gente na administração. Assim, julgo que o hospital devia ser administrado por um Gestor Hospitalar, coadjuvado pelos directores clínicos, e respondesse directamente à Secretaria Regional de Saúde.
Na área da saúde, é urgentíssimo acabar com os “tachos” que esgotam uma boa fatia das verbas alocadas para o sector.
Não temos que copiar dos outros aquilo que já se viu estar mal.
Sejamos autónomos e diferentes.

 P.S. Texto escrito pela
 antiga grafia.
4OUT2020

 

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Categorias: Opinião

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