Dados do inquérito de Setembro da AHRESP

Segundo a AHRESP 15% da restauração dos Açores não pagou salários aos trabalhadores

A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) divulgou o inquérito de Setembro relativo à actividade das empresas do sector no âmbito da pandemia de COVID-19. O inquérito foi realizado entre os dias 30 de Setembro e 4 de Outubro e obteve 1173 respostas válidas dos sectores da restauração e bebidas e do alojamento turístico. A análise foi feita em todo o território nacional.

Alojamento Turístico
Nos Açores, e começando a análise no sector do alojamento turístico, 16,7% das empresas inquiridas tiveram, em Setembro, perdas de facturação superiores a 90%. A grande maioria, 50%, revelou que as quebras situaram-se entre os 61 a 80%. De destacar também que nenhum dos inquiridos apresentou números superiores aos do ano passado.
Relativamente à facturação da época de verão, 50% das empresas e empresários que responderam ao inquérito da AHRESP, apresenta quebras de 75% ou mais na sua facturação.
Sobre o futuro e muito concretamente, debruçando-se sobre o mês de Outubro as perspectivas não são nada animadoras para o alojamento turístico na Região Autónoma dos Açores, com os empresários a projectarem quebras superiores a 50% na sua facturação.
Na componente dos salários e emprego há um número que salta imediatamente à vista. Das empresas inquiridas para a análise mensal da actividade turística realizada pela AHRESP, 16,7% admitiu que não conseguiu pagar os salários de Setembro. Quanto ao futuro, 50% afirma que irá manter os postos de trabalho e outra metade refere que ainda não sabe se conseguirá manter os postos de trabalho até ao final do ano. No inquérito realizado, nenhuma das empresas contactadas despediu qualquer trabalhador.
Na vertente de “Compromissos e Insolvências” 33,3% revela que não consegue suportar os custos inerentes ao seu funcionamento sem apoios e 16,7% respondeu não saber se o conseguirá fazer. As que não conseguem suportar encargos, 16,7% vão avançar para a insolvência e o mesmo numero ainda não sabe se o fará.
Analisando as medidas para Outubro e para a próxima época de Inverno, 80% das empresas ligadas ao sector do alojamento turístico questionadas faz uma análise negativa às medidas do Governo, classificando-as como não sendo adequadas. Os empresários de alojamento turístico consideram todos que o financiamento disponibilizado deveria ser não reembolsável. Relativamente à redução temporária do IVA, 50% dos inquiridos mostra-se favorável a esta medida e o mesmo número entende que o Governo deveria implementar as moratórias para impostos e segurança social. 50% dos empresários afectos ao alojamento turístico apoia a renovação do layoff simplificado. Relativamente à isenção de rendas nos estabelecimentos, 25% dos inquiridos daria o seu aval a esta medida.

Restauração
Ainda nos Açores, mas no sector da Restauração, 30,8% das empresas inquiridas no âmbito desta análise mensal realizada pela AHRESP, relatou quebras que variam entre os 61 e os 80%.
Na época de verão, 46,2% dos empresários ligados à restauração que responderam, teve quebras superiores a 90%. Projectando o próximo mês de Outubro, mais de metade (53,8%) estima continuar a perder mais de 75% da sua facturação.
Analisando a vertente “salários e emprego”, 15,4% avançou que não pagou salários relativos ao passado mês de Setembro e a mesma percentagem admitiu igualmente não ter pago a totalidade dos vencimentos aos seus trabalhadores. Ainda nesta vertente, 23,1% dos empresários da restauração inquiridos teve de despedir funcionários, sendo que a maioria, 66,7%, reduziu com esses despedimentos o seu quadro de pessoal em 25%. A maioria (61,5%) afirmou que vai manter o emprego até ao final do ano enquanto 38,5% ainda não sabe se o irá fazer.
Neste inquérito levado a cabo pela AHRESP, 76,9% dos empresários do sector da restauração não consegue suportar os encargos sem apoios, sendo que 23,1% avançará para a insolvência e 46,2% não sabe se o terá de fazer.
Perspectivando o futuro, 92,3% dos inquiridos no âmbito desta análise mensal, não considera que as medidas apresentadas e implementadas pelo Governo sejam apropriadas, sendo que a totalidade dos empresários da restauração que responderam às questões colocadas, defende a redução temporária do IVA. Uma grande maioria (75%) considera também que o financiamento dirigido ao sector deveria ser não reembolsável e 66,7%, acredita que o layoff simplificado deveria ser renovado. O mesmo número de inquiridos considera que deveriam ser criadas moratórias aos impostos e aos pagamentos à segurança social. Quanto às rendas, 41,7% defende a isenção das mesmas nos estabelecimentos de rua e um número bem inferior (16,7%) acredita que os shoppings deveriam isentar as rendas aos estabelecimentos ligados ao sector da restauração.  

 

Luís Lobão

Print
Autor: CA

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima