7 de outubro de 2020

Às urnas, cidadãos e cidadãs!

 Multiplicam-se os apelos à participação dos Açorianos e das Açorianas nas eleições regionais do próximo dia 25 do corrente mês de Outubro.
 A Comissão Nacional de Eleições colabora na mobilização através de uma campanha de anúncios em jornais, certamente muito bem recebida pelos mesmos, que bem precisam de receitas nos tempos que correm, de grande crise económica e social. Mas os partidos políticos, cada um por seu lado, tudo fazem no mesmo sentido, o que é natural e corresponde mesmo à sua missão institucional. E até o Representante da República também compareceu com declarações, aliás controversas, sobre a matéria. É de esperar que o Presidente da República faça o tradicional apelo ao voto no dia de reflexão, imediatamente anterior ao acto eleitoral.
Por meu lado, já por várias vezes abordei o assunto neste local. A Democracia vive da activa participação das pessoas nos seus mecanismos próprios, dos quais avultam as eleições regulares para os órgãos políticos representativos. No nosso caso peculiar, a escolha dos Deputados ao Parlamento dos Açores é o momento chave do funcionamento da Autonomia Constitucional. Conforme a votação verificada é que se irá determinar a formação do Governo Regional. A escolha dos cidadãos determina em boa parte o nosso futuro.
E escolhas é o que não falta nas eleições que estão à porta! Concorrem 16 partidos diferentes, todos com os seus programas e candidatos, mais ou menos completos, mais ou menos credíveis. Há já cartazes por todo o lado, alguns com fotografias enormes de dirigentes em pose, permitindo aos passantes apreciar o ar sisudo ou descontraído dos mesmos, o seu sorriso discreto ou a apreensiva ruga na testa, que nada escapa a uma ampliação tão grandiosa, apesar das enormes doses de photoshop habitualmente empregues em tais casos.
A campanha decorre em plena pandemia, com regras estritas que dificultam a proximidade desejável entre candidatos e potenciais eleitores. Para o acto eleitoral estão também em vigor medidas de protecção contra o contágio do malfadado vírus. Há pessoas que estão forçadas ou já se habituaram a viver confinadas e portanto todo este processo passa-lhes ao lado, quase sem dele se aperceberem. O risco de uma abstenção muito grande é real e daí os apelos que por aí abundam.
Acresce a existência de muitos milhares de eleitores fantasmas. A recente publicação da Pordata indica um número alto de habitantes sem idade para votar; se o deduzirmos do total da população efectiva, obtemos uma aproximação à quantidade dos ditos fantasmas instalados nos cadernos eleitorais. Julgo já ter aqui assinalado que este fenómeno resulta das modernices do recenseamento eleitoral por via electrónica, que inclui todos os possuidores de cartão de cidadão com mais de 18 anos, dispensando o acto voluntário de inscrição na Junta de Freguesia da residência e as campanhas de esclarecimento junto dos jovens eleitores que a este propósito era uso fazerem-se. O resultado de tantas facilidades foi o crescimento da abstenção, tanto a nível regional como nacional.
Apesar de tudo isto, faz todo o sentido insistir no apelo ao voto! É comum dizer-se que as próximas eleições são sempre as mais importantes de todas e por isso merecem a atenção generalizada dos cidadãos e o envolvimento de todos nas escolhas em causa... Desta vez, porém, talvez seja mesmo assim!
Repare-se no discurso dos dois principais contendores no processo eleitoral em curso. Para Vasco Cordeiro, o Presidente do Governo em exercício, ostentando as cores do PS, os Açores precisam do voto dos Açorianos para garantir, por mais 4 anos, a continuidade do projecto estatizante em execução ao longo dos últimos 24 anos, cujos resultados, bons e maus, são conhecidos, visando um total de 28 anos consecutivos e apontando até para os 50 anos da Autonomia, que só ocorrerão em 2026, portanto com a hipotética governação da equipa socialista, que no essencial se mantém, a contar 30 e a caminho de 32 anos de mando exclusivo... Para José Manuel Bolieiro, assumindo o papel do challenger, com as cores do PSD, os Açores precisam de iniciar já um novo ciclo político, com novos protagonistas e novas políticas, que mantenham aquilo que está bem, mas corrijam o que está mal e nos desqualifica em termos nacionais e europeus, infelizmente em muitos campos, demasiados certamente para quem quer o melhor para a sua terra e para a sua gente; sinais são dados de uma maior atenção ao papel das pessoas e das empresas no processo de desenvolvimento regional.
Temos pois aqui uma disjuntiva clara, que impõe uma opção pela continuidade ou pela mudança. Ao menos não se pode dizer que é tudo a mesma coisa e  por isso nem vale a pena ir votar. Na votação que fizer, o Povo Açoriano decide soberanamente o rumo do seu futuro!

 (Por convicção pessoal, o Autor
não respeita o assim chamado
Acordo Ortográfico.)

 

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Categorias: Opinião

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