8 de outubro de 2020

A talho de foice…

A Decisão


Por vezes sofremos com a sobrecarga de decisões, por isso, quanto mais conhecimento houver sobre o processo decisório melhor será a decisão, tornando num investimento inteligente a capacidade de analisar e decidir, mesmo que mais tarde venhamos a descobrir que não foi a mais acertada. É importante simplificar a escolha, quanto menos opções, mais fácil será para o cérebro analisar e escolher a melhor delas. Para garantir que o cérebro entenda realmente a diferença entre as opções de escolha é importante concretizá-las, ou seja, tornar mentalmente real cada opção, quais são as consequências de cada uma e como nos sentiremos em cada uma das opções. Se houver muitas opções de escolha, devemos separá-las em categorias, assim será mais fácil tornar claro as consequências da escolha. Diariamente temos de tomar várias decisões, dai ser importante condicionar as escolhas, começando pelas mais simples e indo aumentando gradualmente a sua complexidade, assim, iremos evoluindo, das escolhas mais fáceis para as mais difíceis. Pode ser incapacitante olhar para um mundo de possibilidades ilimitadas e escolher apenas um caminho, por vezes a sensação é de que não há nada que valha a pena seguir, quando isto acontece o melhor é, em vez de olhar para a vida como algo abstrato, o que acontecerá no futuro, encará-lo como algo que está acontecendo agora. Parar de olhar para o horizonte e começar a nadar, escolhendo algo de interesse e atendo-se a isso, até que se sinta a vontade de mudar, porque no pior dos casos, iremos descobrir o que não queremos fazer na vida, e no melhor, uma oportunidade levará a outra, fazendo com que possamos descobrir o propósito ao longo do caminho. É importante pensar bem nos nossos interesses, sonhos e desejos. Devendo começar por refletirmos sobre as nossas maiores esperanças, tirando alguns dias para pensar em qual direção desejamos ir. Interrogando-nos como seria a nossa vida ideal. Algumas respostas, serão mais realistas do que outras, mas poderão ajudar a descobrir o que almejamos, lembrando de que não há nada de errado em não ter tudo planeado. É possível que tenhamos o estilo de vida que sempre quisemos, mas não o emprego dos sonhos. Isso é bom, porque estaremos pensando apenas nas possibilidades, portanto, não nos devemos preocupar se ainda não se sabe exatamente o que se fará. Os nossos valores morais e éticos, deverão entrar na balança, é importante saber sobre quais padrões desejamos viver, independentemente de onde e o que acabaremos por fazer. Reconsiderando as nossas capacidades e o que estamos dispostos a aprender. Outro aspeto importante é a situação financeira, que embora seja uma necessidade, não deverá ser impeditivo às nossas decisões, muitas coisas boas na vida são gratuitas, mas o dinheiro é uma ferramenta indispensável para chegar aonde desejamos. Considerar a possibilidade da mobilidade, porque, por vezes poderemos noutro lado do mundo conseguir um emprego de sonho, onde a realização profissional aliada a satisfação pessoal, seja um contributo à felicidade. Pensar no que é importante, se queremos viver numa cidade grande ou em uma pequena vila, ter filhos, ser famoso, dedicar a vida a uma causa ou apenas ser feliz. Descobrir o que é fundamental e deixar que esse propósito seja o nosso guia, no entanto, devemos estar preparados para ver as nossas prioridades a mudarem à medida que a vida passa, porque aprendemos e envelhecemos. Fazer uma lista, qualquer coisa que vier à cabeça é válida. Piloto de carros, bombeiro, professor, escritor, guarda florestal, cientista, carpinteiro ou uma outra ocupação, é um passo importante na clarificação do nosso desejo. Caso goste da ideia de ser um cientista, mas sabendo que não teremos a paciência de anos de estudo e especializações para atingir essa profissão, é provável que não atinjamos o sucesso em seguir por esse caminho. No entanto, é claro que isso não significa que devemos ler sobre ciência, voluntariar-se para estudos sobre cognição ou pensar sobre essa área no nosso tempo de lazer. Por outro lado, se a oportunidade de ser bombeiro agrada, e por ser forte e rápido, conseguir manter a calma sob pressão e ter disposição de encarar a morte de perto, devemos pesquisar mais sobre esta profissão. Não devemos escolher apenas uma área. Pois podemos ser médico e poeta, mecânico e dançarino ou professor e escritor. Procurar na imaginação uma combinação que desperte interesse. As pessoas, são ainda a melhor fonte de inspiração. Inspirarmo-nos em indivíduos que levam vidas aparentemente interessantes, que estão felizes e presentes. Conversar com amigos, parentes, professores, desconhecidos no café ou na rua, é ganhar conhecimento sobre todas as opções que a vida nos dá e podermos verificar onde é que nós nos sentimos melhores e felizes. Ter em consideração empregos ou estilos de vida que nos atraiam, não serão uma perda de tempo. Lembre-se de que podemos, a qualquer momento, mudar de direção e experimentar algo inédito. É normal ficar perdido ao olhar para uma lista de infinitas possibilidades. Porém, até tentar algo, por melhor ou pior que seja, e transformar aquilo em algo concreto, tudo será apenas uma hipótese abstrata. Apesar da sensação de segurança de vivermos num mundo em que qualquer coisa é possível, pelo menos em teoria, uma hora teremos de decidir a nossa vida, o nosso caminho ou se contentarmo-nos com o nada. Decidir errado, é sempre melhor do não decidir, porque torna-nos mais ricos, sapientes e eretos.

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Categorias: Opinião

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