11 de outubro de 2020

Crónica da Madeira

Quinta Penha de França, Quinta Magnólia - Duas referências emblemáticas que valorizam o Funchal


Em 1968 a Senhora D. Muriel Ribeiro
Transformou a sua residência 
– Quinta Penha de França – 
Num maravilhoso refúgio para turistas.
A ele se dedicou de alma e coração.
Valorizando-o prestou um grande serviço 
ao turismo da Madeira

No final do século XIX o comerciante inglês  
Mr. Howard March enamorou-se da ilha,
mandou construir a Quinta Magnólia,
Agora patamar para exibição de obras 
de jovens artistas. 

Quinta Penha de França
O turismo da Madeira deve muito à prestigiada empresária madeirense Senhora D. Muriel Ribeiro que até há poucos dias, com 98 anos, dirigiu a Quinta Penha de França, sonho de toda a sua vida e que com tanto amor transformou num pequeno hotel de charme. A Quinta inicialmente residência da Senhora D. Muriel, viúva do conhecido médico Dr. António Ribeiro, primava já pelo seu conforto e uma decoração “verybritish”, um ambiente acolhedor. Decoração e ambiente que passaram a fazer parte da nova situação da Quinta. Aos poucos, com a sua visão futurista ela foi criando novos espaços sem nunca trair, porém a filosofia da casa mãe: dar aos hóspedes máximo de conforto e um ambiente romântico, acolhedor, onde a poesia estivesse presente em todos os detalhes.
O dinamismo, o espírito criativo, a coragem, o poder de decisão desta ilustre empresária madeirense lavaram-na a erguer nos jardins da Quinta uma outra construção justamente com o mesmo estilo da casa principal. Mais tarde contruiu a Penha França Mar, com piscina e esplêndidos solários e um magnifico restaurante à beira mar. O Presidente do Governo de então, Dr. Alberto João Jardim, atendendo aos méritos da conceituada empresária, distinguiu-a com a medalha de Mérito Turístico da Região Autónoma da Madeira, prestando justiça a uma personalidade que educada nos rigores do ambiente inglês, colaborou, desde sempre, para que o turismo primasse pela qualidade. O seu amor pela Madeira fez dela um veículo de promoção permanente. Descrevendo com exaltação os encantos e paisagens da sua terra, ela incutia nos hospedes o interesse pelas questões locais, sensibilizando-os ajudou milhares de turistas a levarem da Madeira uma excelente impressão, das suas gentes e dos seus panoramas. Turistas muitos dos quais voltaram à Madeira. Voltaram a disfrutar do ambiente mágico da Penha de França.
Debruçada sobre o mar a Quinta Penha de França, situada na zona hoteleira, dispõe de 109 quartos. Foi inaugurada como hotel em 1968, portanto há meio século. Durante estes 52 anos a Senhora D. Muriel não parou um só minuto que não desse todo o entusiasmo ao seu empreendimento. Cuidou de todos os detalhes para que a Quinta garantisse sempre um serviço de qualidade aos seus hospedes. Razão porque a Quinta Penha de França ganhou fama e prestígio. É um alojamento sempre muito procurado.
Infelizmente a Senhora D. Muriel tem passado estes últimos meses menos bem de saúde, contudo a sua Quinta, graças ao espírito que incentiva nos seus colaboradores, continua como uma grande referência de qualidade do turismo local. 

Quinta Magnólia
Nos finais do século XIX um comerciante inglês, apaixonado pela Madeira, Mr. Howard Marchmandou construir a Quinta Magnólia. Mais tarde, no decurso dos anos 30 do século XX a Quinta passou a ser sede do British Country Club, ponto de encontro e de reunião dos britânicos residentes na Madeira. Ali organizavam-se grandes festas e todos os anos, por ocasião do aniversário de Sua Majestade, a Rainha Isabel, com pompa e circunstância, a tradicional receção para a colónia inglesa aqui residente. É curioso assinalar que numa dessas celebrações, em que as senhoras levavam chapéus, alguns extravagantes outros de péssimo gosto, o Cônsul inglês que reinava, tinha chegado recentemente à Região vindo de Palma de Maiorca. Era o seu primeiro encontro publico com a colónia inglesa. No momento em que se lhes dirigiu a palavra depois de os cumprimentar cordialmente disse: “Ladiesand gentlemen its a pleasurefor me to behere in these wonderfull Island of Mayoca.” Um dos convidados apercebendo-se da gaffe, arregalou os olhos e em voz baixa disse-lhe: “Madeira – Madeira”. Ele não se apercebeu e repetiu sorridente: “Mayoca – Mayoca”. A intervenção irritada de um cavalheiro louro, alto, punhos e colarinho engomados, esticou o pescoço e gritou em voz alta: “Madeira – Madeira!” Aí o Cônsul repetiu: “ Madeira – Madeira.”
Era costume aos fins de tarde, ao pôr-do-sol, os ingleses tomarem o seu “fiveo`clocktea”. Tudo se passava num ambiente muito fechado, muito restrito. Os portugueses só os convidados especiais podiam entrar no club. Alguns, até, por contágio, ridiculamente ficavam com a snobeira britânica. Durante o governo do Presidente Alberto João Jardim, consciente de que aquele emblemático espaço se degradava decidiu comprá-lo para lazer da população. Uma decisão acertada, pois, os funchalenses puderam usufruir dos campos de ténis, da piscina, do restaurantee, sobretudo, dos excelentes jardins.Ali funcionou a Escola de Hotelaria. Na Quinta Magnólia esteve instalada a biblioteca de línguas estrangeiras, de saudosa memória. Desmontaram-na. Arrumaram-na. Dela não se ouviu mais falar!...
Entre os anos 86 e 92 esteve ali exposto o Núcleo de Arte Contemporânea, proveniente do prémio Cidade do Funchal, com obras entre outros artistas de Helena Almeida, José Escada, António Areal e Nuno Siqueira.
Recentemente, devidamente recuperada, a Quinta Magnólia reabriu ao público integrada nas celebrações da data comemorativa dos 600 anos  da descoberta do Porto Santo e da Madeira, com uma magnífica exposição de artistas madeirenses jovens. Neste excelente espaço citadino, na sua sala de exposições, podemos agora admirar os desenhos e trabalhos que no decurso da sua vida, o conhecido escultor Ricardo Veloza, realizou. Grande parte dos desenhos expostos deram lugar às suas obras escultóricas, espalhadas pela cidade.
Não há dúvida que em todos os trabalhos o Escultor revela um talento extraordinário. É uma daquelas exposições que vale a pena visitar, para que se admire o exemplo de vida de um escultor que dedicou todo o seu percurso existencial à escultura e ao ensino.
 

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Categorias: Opinião

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