Henrique Benevides, proprietário da Queijaria Lagoa do Fogo

“Neste momento estamos a viver para o dia-a-dia”

Quando nasceu este projecto?
A queijaria começou a funcionar em Julho de 2019. 

Como surge esta ideia? Já estavam ligados a este sector anteriormente?
A ideia nasceu no seguimento de uma viagem que e a minha esposa fizemos ao continente. Lá existem muitas queijarias e começamos a visitá-las. Como também o meu pai tinha muitas vacas cá em São Miguel e eu tomava conta delas, daí surgiu esta ideia de abrir uma queijaria. Começamos a fazer umas experiências antes de abrirmos e fomos encaminhando as coisas.

Quantos trabalhadores têm a fábrica?
Estamos com três funcionários

Que tipos de queijos produzem?
Fazemos queijo fresco de cabra e de vaca. Queijos do dia.

E quantos fazem por dia?
Neste momento andamos a produzir por dia uma média de 1500 de queijo de vaca. De cabra fabricamos à volta de 500 queijos. 

O vosso mercado é portanto só aqui em São Miguel?
Sim. Vendemos apenas para São Miguel porque é muito complicado exportar o queijo fresco.

Durante esta pandemia tiveram muitas quebras?
Foi complicado porque estávamos muito ‘frescos’ no negócio. Tínhamos aberto há pouco tempo e foi difícil. Já estávamos a começar a adquirir uns clientes, já nos estávamos a começar a lançar no mercado e de repente vem o vírus. A restauração fechou, a hotelaria também e ficamos só com a parte das mercearias e pouco mais.

Vendiam muitos queijos aos hotéis?
Exactamente. Vendíamos a hotéis, a restaurantes que tiveram de fechar e caímos na nossa facturação mais de 40%. 

Em relação ao leite, a produção é vossa?
Sim, a produção é própria. Eu compro ao meu pai e sou eu que tomo conta da exploração e que tiro leite às vacas. 

E o leite de cabra também?
Compramos o queijo de cabra a um produtor de Santa Bárbara, da Ribeira Grande.

A queijaria Lagoa do Fogo tem pouco mais de um ano. Tinham algum projecto ou ideia que tenha ficado em suspenso devido à pandemia?
A gente tinha a intenção de aumentar um pouco a nossa produção e também de começarmos a fazer um queijo de meia cura, mas isso está complicado agora.

Continuam com esse objectivo?
Sim, mas não brevemente. Vamo-nos encaminhando para isso.

Na sua opinião, o queijo de cabra é valorizado aqui em São Miguel?
Sai mais o de vaca, mas penso que já é valorizado. O nosso leite é todo fiscalizado e pasteurizado. Não fazemos queijo fresco com leite cru. 

Existe algum mercado onde vocês gostassem de colocar o vosso queijo?
Com o queijo fresco é mais complicado. 

Quais são as vossas perspectivas para o futuro?
Nem sabemos, ninguém consegue prever nem sabe bem o que irá acontecer. Neste momento estamos a viver para o dia a dia. Não podemos fazer grandes planos porque não sabemos se esta pandemia vai parar ou aumentar. 

O vosso posto de venda tem muita procura?
Tem boa procura. As pessoas vão passando, parando e provando os nossos produtos. É um chamariz e vão conhecendo a queijaria. É uma maneira de irmos divulgando os nossos queijos. Fazemos algum negócio com o posto de venda e para além do queijo, sempre se vai vendendo um café, uma garrafa de vinho para quem quer provar o nosso queijo. 

Antes da pandemia, tinham pensado algo de novo para esse espaço?
Estamos sempre a pensar nisso, mas agora temos de ir dando um passo de cada vez. As vendas caíram muito e agora é que se vai retomando o negócio.

Apesar das dificuldades que atravessaram, o negócio é para manter?
Sim. É para continuar.

Falando dos apoios disponibilizados pelas entidades de governo, que avaliação faz?
Penso que deviam ajudar mais um pouco as queijarias. O queijo fresco é um produto tradicional que na minha opinião deveria ter mais apoios à sua produção.    
                                         

Luís Lobão

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Autor: CA

Categorias: Regional

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