11 de outubro de 2020

Recados com Amor

Meus Queridos! Ia-me dando um fanico quando recebi, por correio electrónico, uma cartinha das Finanças, que agora se chama Autoridade Tributária, e logo  pensei que fosse um aviso para algum imposto que me tivesse esquecido de pagar, … porque os impostos são como as formigas… e por isso, a gente anda sempre com o credo na boca quando recebe uma carta das Finanças. Mas desta vez não… E tenho que dizer que muito gostei que me tratassem por “Cara Açoreana”, assim mesmo com um ‘e’, em vez de ‘i’… Muita gente escreve açoreano em vez de açoriano, não por ignorância, como muitos dizem, mas por uma questão de afirmação e agora está aí a prova de que até as Finanças, quando servem de caixa de correio ao Governo Regional, até me tratam por Açoreana… Mas, passado o primeiro susto, porque carta das Finanças é sempre mão no bolso, fiquei embasbacada com o apelo ao voto que ali é feito, numa mistura que é muita areia para a minha camioneta… Já li no Jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, que a Comissão Nacional de Eleições diz que não há qualquer ilegalidade sobre tal ideia…, mas como sou uma mulher às direitas … (não confundir com a direita política, porque não ando por essas bandas), … já agora quero saber em que lei se fundamenta tal remessa, e se todos os outros partidos concorrentes às eleições podem mandar através da AT (Autoridade Tributária) uma mensagem às Açoreanas nos mesmos moldes em que o Governo Regional enviou, e juntando o seu slogan de campanha de cada um, como acontece na missiva da AT que aplica o slogan usado pelo PS… Se é assim, daqui p’rá frente, meus queridos, outras instituições e empresas também poderão certamente usar a mesma via, no caso, para anunciar… as batatas, as couves e os nabos que têm disponíveis para venda no mercado…., porque assim não gastam pilim, ou será que tal anúncio é pago à AT? É que se não houver pagamento à AT… estaremos na presença de publicidade de borla, concorrendo com quem paga para a fazer quando precisa! …Seja como, for trata-se de uma mistela que não cheira lá muito bem!
 

Meus queridos! A minha prima da Rua do Poço ficou banzada esta semana, quando viu tão grande movimento nos esqueletos das famigeradas Galerias da Calheta, com homens e máquinas a cortar as grandes árvores invasoras que ali cresceram durante anos, sempre à vontade. Limparam o chão, endireitaram taipais, mataram ratos e baratas e só faltou estender passadeiras pelos lugares por onde vão passar os membros da Comissão nomeada pela Câmara da minha querida Presidente Maria José, precisamente para verem as condições em que está aquele monstro citadino… Agora vai estar tudo limpinho, numa prova concreta de que os donos daquilo tudo agem como querem e quando querem, …e até parece que puseram lá guarda privada… não sei se para impedir a entrada de alguém da dita Comissão camarária, ou o líder de qualquer partido que, em tempo de campanha eleitoral, queira lá instalar o palanque para falar às massas ou aos animais que por lá têm vegetado. …. A minha prima agora está atenta para ver o capítulo seguinte, que é o relatório da dita Comissão, esperado para o dia 28 do corrente. Mas, segundo ela, razão têm os que dizem que temos monstro para muito tempo, porque o dito “bicho” que a Presidente picou tudo vai fazer para dilatar a desgraça no tempo. E, como todos sabem, a coisa seria bem fácil de resolver se o Governo do meu querido Presidente Vasco quisesse: ou obras, ou cassação da concessão… Mas isto nunca vai acontecer e também se sabe porquê… Mas que isto tresanda a sem-vergonhice, lá isso tresanda e, se calhar, só vai com uma acção popular intentada no Tribunal, já que os poderes públicos estão atados de pés e mãos! Que vergonha!


Meus queridos! A minha prima Jardelina disse-me que leu no velhinho e sempre renovado Diário dos Açores, que o Governo do Primeiro Costa, depois de anos de pressão do Bloco de Esquerda, vai acabar com os célebres vistos gold que dão livre-trânsito a quem, sendo estrangeiro, invista mais de 500 mil euros em imóveis no país, e que até agora para pouco mais serviram do que para comprar propriedades em Lisboa e Porto. Segundo a notícia, os ditos vistos vão assim ser restritos às comunidades intermunicipais do interior do rectângulo e das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores. Além disso, será aumentado o valor mínimo dos investimentos exigidos, que actualmente está fixado em 500 mil euros. Diz a minha prima que ainda gostava de saber quantos vistos gold foram concedidos por compra de imóveis, nos Açores. É que ela ainda se lembra de terem dito que o Monte Palace ia ficar pronto em 2021, mas o esqueleto ainda lá está igualzinho a si mesmo… e chegou-me aos ouvidos que já está novamente à venda…. Será que no caso também houve visto gold?

Ricos! A minha prima Maria dos Flamengos tem um fraquinho pelas corridas de popós e telefonou-me um dia destes para me dizer que o Clube Automóvel do Faial anunciou que decidiu manter o compromisso assumido com os pilotos de realizar a 31ª edição do Rallye Ilha Azul, que vai para a estrada a 17 de Outubro, apesar da FPAK – Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting, ter cancelado o Campeonato dos Açores de Ralis. E segundo ela me diz, a Autoridade de Saúde até permite público, desde que com máscara e sem grandes concentrações. E eu aqui e pensar que o Tiaguim Autoridade, que agora é Tiaguim Candidato, tinha proibido o público na corrida de São Miguel. Com muito mais casos agora do que então, o que se terá passado para o cancelamento do Rallye Açores? Aqui há mistério, mas eu, mesmo não sendo mulher apaixonada por essas corridas, só posso dizer que... Viva o Faial!


Meus queridos! Eu já tinha falado aqui nos meus recadinhos sobre a polémica lei das beatas que, mais uma vez, é lei para chatear alguns, sem mudar nada no panorama que aí se vê de ruas juncadas delas e que traz à memória os célebres fiscais dos isqueiros do tempo da velha senhora… O pior agora é que a polícia que não consegue apanhar quem atira a beata para o chão, anda atrás dos comerciantes que têm estabelecimentos de porta aberta a ver se têm cinzeiros à entrada e se procedem à limpeza da rua num raio de cinco metros, como diz a lei… Ou seja, sem terem culpa nenhuma… e sem saber se são clientes, ou não, os fumadores das imediações, os donos de estabelecimentos são obrigados a varrer a sua rua para não pagarem pesada multa… Essa é de cabo de esquadra… e estou para ver se o Primeiro-ministro vai ter de varrer as beatas que nascerem frente à residência oficial em São Bento… mesmo que não sejam lá deixadas pelos membros do seu Governo. … Como se costuma dizer, a corda rebenta sempre para o lado dos mais fracos… Passa fora!


Ricos! A minha sobrinha-neta mostrou-me uma crónica de suposto humor que um autor convidado para espectáculos por cá escreveu... destratando a forma como são feitos os voos inter-ilhas… e até invocando, de maneira despropositada e desrespeitosa, o acidente da SATA em São Jorge, em 1999. Nem vou referir aqui nos meus recadinhos a forma como o dito cujo extravasa os seus medos de andar de avião, ridicularizando tudo e todos… Se há liberdade expressão, também a há para dizer que o disparate tem limites… E não venham cá com aquela de que aquilo é humor e quem não quer entender é que é… parco de inteligência. Não há humor que justifique invocar quem morreu num acidente de aviação, nem há humor que justifique a ridicularização de quantos todos os dias andam inter-ilhas. Além disso, não tenho rebuço em dizer que considero uma profanação indecente feita a todas as vítimas que pereceram no acidente de São Jorge… Há ocasiões em que mais vale estar calado, ou comprar um saco de fraldas… Eu e a minha prima Teresinha até tínhamos bilhete para o espectáculo… mas foi logo rasgado… Fogo!


Queridos! Quando a gente pensa que já viu ou ouviu tudo, há sempre que contar com o que vem a seguir. Numa maré em que os animais estão na linha da frente de muitas preocupações, gerando até exageros, como os dos papás e mamãs que deixam os filhos nas creches e vão passear o cãozinho, até já houve quem propusesse, nesta semana, na Assembleia da República, que os donos de animais de estimação e companhia possam ter um dia de licença pela morte dos seus bichinhos. Já estou a ver os caça-licenças a criar matilhas de cães e bandos de periquitos… E já agora fico à espera que a Assembleia da República estabeleça por junto, um subsídio de funeral por cada bicho morto… Já que é para fazer pois que se  faça a coisa por inteiro…. Está tudo doido!
 

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Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

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