13 de outubro de 2020

Coisas do Corisco

Seremos nós uma terra de masoquistas?

Quanto a mim, tal qual está estabelecido  o sistema, somos, de facto, uma terra de masoquistas, onde a auto-punição se sobrepõe ao bem-estar das pessoas e da comunidade: tudo isso apenas, e só,  pela negligência do exercício do dever cívico  de voto.
Portanto, só assim se entende que tenhamos estado a tolerar, durante 24 anos,  o castigo da raiva, da ganância, da arrogância e da  incompetência,  dos políticos que temos tido, desde que começou a dinastia de César.
E se há responsáveis directos pela devassa, pelas aldrabices, e  por tudo aquilo que de péssimo fez Carlos César no passado, e Vasco Cordeiro no presente,  tem a ver com o  abandono com que os adversários discordantes das manhosas artimanhas do poder estabelecido, desiludidos, deixaram de se preocupar com a política e a escolha da alternância que conduzisse os interesses regionais.
Por isso, julgo que é de bradar aos céus o facto de os socialistas terem conseguido governar-nos, durante tantos anos, impunemente, por Carlos César que, sem ética ou moralidade, se serviu da política, para alargar, desavergonhadamente,  a manjedoura do Governo onde hoje comem todos os seus familiares mais próximos; onde os Açores, mesmo depois de todas as grandes ajudas comunitárias e nacionais recebidas, se tornou numa região falida com buracos financeiros inadmissíveis, levando-nos praticamente à bancarrota; onde nos tornámos campeões de quase tudo naquilo que às desgraças diz respeito, como a Região europeia com o maior índice de toxicodependência, com os maiores índices de mortes de cancro da mama, do pulmão, e do estômago; quando somos a região portuguesa onde o abandono escolar é o dobro do registado no resto do país, e nos tornámos na região mais pobre da Europa, com 10 beneficiários do RSI por cada 100 habitantes. Para agravar este cenário, tornámo-nos  na terra dos compadres, dos boys, dos favores escondidos, dos “burgessos” e, porque não, dos escravos que sobrevivem às escondidas na máquina do partido que se alicerça num presidente sem chama, sem coragem, e sem a mínima habilidade para presidir aos destinos da nossa Região.
Por isso penso que o fundamental nesta altura, é castigar-se quem tão mal nos governou, e ter-se a coragem de se procurar a mudança analisando-se os erros, chamando-se os bois pelos seus nomes, e deitar a mão às reformas que têm que ser imediatamente  tomadas para sairmos do buraco em que estamos metidos.
Não  é por acaso que vivemos o desalento de constatar que a situação sócio financeira açoriana, é algo surreal tal é o estado calamitoso de pobreza, desalento, e abandono a que chegou o nosso povo. Perante o exemplo que os socialistas deram, demonstrando que não tiveram arte, engenho, e honestidade, para inverterem o descalabro sócio  económico em que caímos; perante o perigo de perdermos o controlo económico regional e ficarmos dependentes financeiramente de terceiros; perante a urgência que existe para recuperarmos a nossa economia verde onde sempre se alicerçou a nossa riqueza; para não perdermos, ainda mais, a nossa já débil autonomia, temos que reflectir negando nas urnas a continuação das políticas que tanto nos prejudicaram.
Finalmente aparece  na oposição alguém que, para além de tudo, tem algo que não deixa dúvidas em relação à forma honesta como serviu a política, não se servindo dela, como muitos socialistas fizeram. Por isso, julgo que com Bolieiro como alternância,  a manjedoura onde comem muitos socialistas e os seus boys, desaparecerá para ele eticamente governar os açorianos.
Não se admite que uma região fértil como a nossa, que fazia da agricultura uma espécie de religião, que produzia a melhor fava do mundo, que exportava anualmente milhares de toneladas de batata, que produzia do melhor amendoim do mundo com um inimaginável pH neutro, o belíssimo feijão Catarino do Nordeste, a famosa ervilha do Porto Formoso, milhares de toneladas de massa de pimenta, e de inhames, hoje praticamente, nada disso produz; não se admite que uma região que exportava 72% daquilo que produzia, hoje importe quase 80% daquilo que necessita para comer dependendo do exterior  para matar a fome da nossa gente; que uma região que produzia aquilo que produzia, apresente nas suas bancadas  fruta manhosa, sem qualidade, importada maioritariamente de Espanha, tomates de Itália, cebolas francesas, alhos da China, que importe, também, quantidades enormes  de fava do Egipto, e de pevides vindas da Turquia, para confecção dos nossos apetitosos aperitivos, etc.
Contudo, aquilo que poderá provocar o arrepio  daqueles que amam a nossa terra, é sentir a vergonha de constatar o enorme volume de hortícolas  sem qualidade, importadas do exterior e, para pasmo, se encontra salsa importada de Espanha: que vergonha meu Deus!
No outro lado o Governo  pactua com a aldrabice de se venderem conservas da Santa Catarina com conteúdos bem diferentes dos indicados no rótulo pois não são confeccionadas com atum fresco, nem pescado na Região, mas com atum manhoso, congelado; o Governo pactua com as aldrabices do vinho do Pico, produzido numa região demarcada, reconhecida como tal, mas que é vendido ao público martelado com açúcar, e mostos importados, pois como foi anunciado, não podia com 250 toneladas de uvas produzir 230 mil garrafas de vinho, a não ser que estejamos perante o milagre da multiplicação do vinho picaroto; este Governo tem pactuado com a mentira dos rótulos de muito do leite UHT que o indica como leite de pastagem,  quando todas as vacas, quase sem excepção, comem rações concentradas enquanto são ordenhadas; o mesmo se põe para a carne  que comemos publicitada como vinda do prado para o prato, quando na sua maioria é importada da Argentina e do Uruguai.    
Termino chamando a atenção para o facto de termos sido uma região rica quando tinha  as inúmeras indústrias agro-alimentares que os socialistas fizeram desaparecer com as suas políticas de abandono de um sector importantíssimo para a agricultura e emprego de mão-de-obra. Por  aquilo que se vê, se continuarmos com os socialistas no governo  a produção de leite vai, não tarda, dar um berro mais forte, ainda, do que aquele que deu a SATA. Uma nota final para dizer que haja a coragem e o pequeno sacrifício de sair de casa para se votar pois será o melhor contributo para que a política possa ser orientada na verdade que a nossa Região bem necessita.    

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Categorias: Opinião

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