13 de outubro de 2020

O voto

Um dia destes, tal como aconteceu à Maria Corisca, apanhei um valente susto ao abrir a minha caixa de correio electrónico e deparar-me com um lembrete da Autoridade Tributária a incentivar-me a votar, instruindo-me como fazê-lo, mesmo que antecipadamente.
Não é que me preocupe a originalidade deste meio de publicidade. Todavia, considero um abuso por parte do Governo Regional utilizar a base de dados das finanças para transmitir a necessidade de votar, mesmo que antecipadamente.
Por outro lado, não posso admitir que a Autoridade Tributária – que é uma instituição da responsabilidade do Governo da República – se tenha “ajeitado” em conceder este favor ao Governo dos Açores.
É que, na base de dados das finanças, estão todos os portadores de número de contribuinte, sejam eles residentes ou emigrados. 
No meu caso, que sou procurador de um emigrado no Canadá que tem dupla nacionalidade e número de contribuinte, por ter alguns interesses nesta ilha, também recebi um correio electrónico para ele ir votar.
Quando, se facilitou a vida aos açorianos não residentes para votarem por via electrónica, ao receber um correio da AT daquele teor, em minha opinião, irá criar confusão no apuramento dos resultados eleitorais, porque poderão não traduzir a realidade dos factos.
Em minha opinião, um açoriano ou açoriana a residir (reforço o termo residir) fora da Região, não deveria ter direito de ir votar. Isto porque, o seu voto irá influenciar o resultado final das eleições, apesar de não ir “sofrer as consequências”.
Eu tenho uma filha a residir em Portugal que tem muito orgulho em ser açoriana; mas, ela própria diz que não vivendo nos Açores, não deve contribuir para a distorção da verdade eleitoral. Nós, que cá vivemos, é que sabemos quem é quem, e o que é que será melhor para nós.
Noutra situação, bem diferente, estão os açorianos deslocados temporariamente por motivos profissionais, ou por outro motivo qualquer, mas que cá reside e faz a sua vida. Para estes, é lógico que não se lhes deve cortar a possibilidade de escolher quem quer para o governar.
Assim, resumindo e baralhando, sou da opinião de que o acto de votar deve ser presencial.
Para mim, o voto por via electrónica, poderá dar origem a viciação de dados.
Para que não haja tanta abstenção é necessário governar com verdade, com transparência, com competência.
Para que a abstenção diminua é necessário chamar à governação os mais capazes e não os pertencentes à oligarquia partidária.
Não deverá ser condição - sine qua non – para se pertencer à governação ou à administração da rés - pública, o alinhamento na ideologia partidária do partido do poder. Como atrás já frisei, a competência é que deve sobrepor-se ao restante.   
Todos nós sabemos que o voto é o poderoso instrumento usado em democracia para mandatar alguém a fazer aquilo que o votante pretende que seja feito. O voto é, portanto, uma procuração com todos os poderes, para ser utilizada pelo eleito até naquilo com que ele não concorda.
Daí, por vezes o desabafo de desilusão:- não foi para isto que lhe dei o meu voto! 
No próximo dia 25 somos novamente chamados a depositar na urna a nossa escolha sobre quem nos irá governar nos próximos quatro anos.
Temos a experiência do que tem sido feito até aqui nestes mais de 40 anos de democracia.
Mais uma vez, saibamos escolher com consciência e sem receio dos papões.
Em democracia não há que ter medos porque, por mais que digam, o voto é secreto.
Também não há que recear o perigo da Covid 19 porque tudo estará preparado para que haja segurança nas secções de voto não havendo, por isso mesmo, perigo de contágios.
Entretanto esqueçam todos os disparates e promessas megalómanas feitas durante a campanha eleitoral. Como somos poucos, e nos conhecemos todos uns aos outros, escolhamos os mais capazes.
Não digam que não avisei.

P.S. Texto escrito pela antiga
 grafia
11de Outubro de 2020
 

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Categorias: Opinião

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