Um investimento de 22,5 milhões de euros

Câmara da Lagoa ‘chumba’ construção de novo hotel na fábrica do álcool por “demolir elementos classificados como Imóvel de Interesse Municipal”

 A Presidente da Câmara Municipal da Lagoa, Cristina Calisto, afirmou ontem ao Correio dos Açores, que o indeferimento da construção de um hotel de 219 quartos e mais de 400 camas, no espaço onde se encontra a fábrica do álcool, resulta do facto de a futura unidade hoteleira de cinco estrelas não respeitar os índices urbanísticos definidos pelo Plano Director Municipal e o incumprimento do Regulamento Geral das Edificações urbanas.
O grupo empresarial ARLIZ, proprietário do Hotel Lince, em Ponta Delgada, e da Estalagem do Nordeste, havia-se comprometido com um contrato de intenção de compra com a SINAGA de todo o espaço da fábrica de álcool, que se concretizaria no caso da Câmara Municipal da Lagoa aprovar a construção da nova unidade hoteleira, orçada em 22,5 milhões de euros.
A 8 de Julho deste ano, o responsável pelo Grupo ARLIZ, Domingos Correia, falou da nova unidade hoteleira em declarações à RTP/Açores, com um tom optimista sobre a sua viabilidade. Falou das valências da futura unidade hoteleira realçando o facto de, por conhecer “um bocado os Açores”, onde “no próprio dia tem as três estações e chega a ter as quatro, concebemos o hotel para que, quando o dia estiver menos bom, os turistas possam usufruir do hotel. No dia que está bom, os turistas podem visitar a ilha”.
Anunciou, na altura, que a unidade hoteleira iria ter piscinas interiores, piscinas exteriores, campos de ténis, padel e parque infantil e o próprio Spa, “áreas em que estamos a apostar porque há espaço suficiente para apostas no lazer”.

Hotel já estava a ser promovido

Domingos Correia dava praticamente o negócio de compra da fábrica do álcool da Lagoa como cert,o abordando mesmo nas declarações à RTP/Açores a promoção da nova unidade hoteleira no estrangeiro. “Já temos uma equipa comercial que viaja pelo mundo e vai às feiras divulgar os Açores e a Madeira e os hotéis no continente. Logicamente que vamos apostar mais a parte comercial nas feiras e divulgar em outros países. Já temos promovido no Canadá, que é um país que está muito relacionado com os Açores, Boston, Brasil e turistas alemães e espanhóis”.
A preocupação do Grupo ARLIZ era que o novo hotel “diversificasse” a oferta turística na ilha e preservasse “grande parte da antiga fábrica como a chaminé e os tanques”.
 “Depois da visita à fábrica”, afirmou Domingos Correia, “achamos castiço, por entendemos que pode ser um hotel temático. Achamos castiço a fábrica do álcool e a própria chaminé, que é uma brutalidade que é para se manter. Como queremos fazer um hotel diferente, temático, aquele local, dado a origem da fábrica, a própria chaminé e os tanques (queremos dar independência aos tanques), junta-se o útil ao agradável”.
Se os prazos de licenciamento da nova unidade hoteleira fossem cumpridos, as obras, no entender do grupo empresarial ARLIZ, deveriam arrancar no princípio de 2021, com um prazo de construção de um ano e meio a dois anos.

As razões do ‘chumbo’ da Câmara

Mas, na apreciação que fez ao projecto, a Presidente da Câmara Municipal da Lagoa, Cristina Calisto, apercebeu-se que o futuro hotel resort ocupava uma área muito extensa da fábrica do álcool e “desrespeitava” os índices urbanísticos definidos pelo Plano Director Municipal de Lagoa (artigo 41º do regulamento do PDM de Lagoa), onde se estabelece que a unidade hoteleira não poderia exceder os quatro pisos ou os 15 metros de altura.
Também no entender da Câmara da Lagoa, o projecto do novo hotel estava em incumprimento com o artigo 59 do Regulamento Geral das Edificações Urbanas.
Além do mais, apesar das declarações de Domingos Correia de preservação dos elementos patrimoniais da fábrica, a Câmara Municipal da Lagoa entendeu que, na execução do projecto, se iria “demolir elementos classificados como Imóvel de Interesse Municipal”.
Desta forma, sublinhou a Presidente de Câmara, Cristina Calisto, ao Correio dos Açores, “reafirmo a importância de encontrar uma solução de compromisso” para o espaço da fábrica do álcool que “não comprometa a história de um concelho para as gerações futuras, mas que valorize essa história”.
 
                                     

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Autor: João Paz

Categorias: Regional

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