Sindicato contra excesso de formações para professores promovida pela Direcção de Educação

O SPRA – Sindicato dos Professores da Região Açores, manifestou-se ontem contra o que entende ser “excesso de formação promovida pela Direcção Regional da Educação, numa altura em que se deveria ponderar o bom senso relativamente a esta matéria, uma vez que a principal actividade do docente, que é leccionar, poderá ser posta em causa”.
Em comunicado, o Presidente do SPRA, António Lucas, quer que por parte da tutela haja “sensibilidade e bom senso”. Sensibilidade face às dificuldades que as escolas e os docentes enfrentam e bom senso que os horários e as tarefas deveriam ter em conta, por forma a mitigar o desgaste a que os docentes estão sujeitos, mas que, segundo diz, “parecem estar arredados da Direcção Regional da Educação”.
António Lucas garante que o Sindicato dos Professores da Região Açores foi confrontado com o conjunto de formações promovidas pela Direcção Regional da Educação, no âmbito do programa ProSucesso, que terão lugar no presente ano lectivo.
Para além das acções que decorrem dos novos programas de Português e Matemática, acrescem, segundo o sindicalista, por enquanto, as oficinas de formação “Em Prol do Sucesso na Aula de Inglês”  e a já anunciada oficina de formação de Física e Química. A estas formações juntam-se outras já em curso, como Cidadania e Desenvolvimento, Monitorização e Acompanhamento da Educação Inclusiva, Matemática Passo a Passo, Caminho Para Aprender Português, Programa EPIS e, no âmbito das tecnologias de informação e comunicação, os programas TOPA, REDA, Ateliê do Código, Apps for Good, enfim, um conjunto interminável de projetos, programas e subprogramas”.
António Lucas lembra que, “em condições normais do exercício da actividade docente, professores e educadores trabalham, regra geral, mais de 26 horas de estabelecimento e mais de 35 horas semanais, não se compreende que, numa época de dificuldades e esforços acrescidos, se peça para cumprirem planos de formação que se desenvolvem ao longo de todo o ano, sessões online, presenciais, com trabalho autónomo e colaborativo, ao longo da semana”.
Dá conta de que nos Açores “ há em que alguns docentes frequentam duas e, até, três formações em simultâneo, o que se revela inadmissível e insustentável”.
Para o sindicalista “este excesso de formações está a perturbar a principal actividade do professor, que é desenvolver o processo ensino aprendizagem. Além disso, está a criar-se nas escolas um sentimento de desmotivação e conflitualidade, que em nada beneficia a Educação”.
Mais, lembra, que “na actual conjuntura, marcada pela pandemia, em que, inclusive, se agrava a falta de docentes em alguns grupos disciplinares, sobrecarregando os que estão no activo, em que as condições de trabalho são significativamente mais difíceis, quer no ambiente de sala de aula, quer nos trabalhos colaborativos que se realizam nas escolas, parece-nos incompreensível sobrecarregar ainda mais os docentes”.    

N.C.
 

Print
Autor: CA

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima