15 de outubro de 2020

A talho de foice…

Entre novos e velhos, estamos nós

A cada geração que passa, ocorrem mudanças na sociedade. No entanto, há, uma clara distinção entre as várias etapas da vida, ou seja, a juventude, o adulto e o idoso, onde as diferenças de hábitos, ideais e opiniões, influenciam diretamente cada uma das gerações no momento em que acontece. Claro que há o conflito entre gerações, já que as pessoas sofrem diversas influências sociais, culturais e económicas, e no meio da desordem de perfis e de grupos etários, há o interesse por parte da sociedade como um todo, que condiciona os principais anseios de cada geração. É do senso comum que, os jovens são o futuro, a questão é então saber como será esse futuro tendo em conta o presente. A nossa sociedade, está em constante desenvolvimento, é do conhecimento que, o mundo, nos últimos tempos tem vindo a desenvolver-se a um ritmo vertiginoso, conjuntamente a este desenvolvimento, as mentalidades, em alguns aspetos, mudam paulatinamente. A verdade é que, como a juventude é o futuro, temos de proporcionar aos jovens, a oportunidade de terem uma infância adequada para que a médio e a longo prazo obtenham bons resultados na vida pessoal, profissional e que desenvolvam espírito empreendedor. Os jovens, no presente, são a voz da mudança em contraste com as gentes de outrora. Todos os hábitos de antigamente, na sua maioria, estão praticamente extintos. Com a evolução da tecnologia, os jovens tornaram-se dependentes destas evoluções. A Internet representa, também, cada vez mais, um papel ativo no cotidiano destes, portanto existe toda uma panóplia de tecnologias que, disponibilizada aos jovens desde cedo e torna-os dependentes e sedentários. Enquanto que o adulto actual, achando-se dono de si, melhor do que os outros, faz o que quer, porém, manipulado pela geração que irá surgir para o substituir, torna-se numa figura condicionada pela insegurança, pelo medo de perder o poder, tornando-se prisioneiro de si próprio. Na atual época em que vivemos, o adulto, não foi devidamente preparado para a viver, porque, a evolução social e tecnológica, aconteceu a uma velocidade superior á capacidade de adaptação, de raciocino e de aprendizagem, tornando-o desequilibrado, receoso das decisões e amedrontado com o que o futuro lhe reserva, assustando-o profundamente a velhice. 
O envelhecimento faz parte do desenvolvimento do ser humano. Porém, para algumas pessoas, estar perto de idosos ou identificar em si mesmo as marcas do tempo, poderá ser assustador. A gerontofobia caracteriza a rejeição à velhice e, consequentemente, aos que que estão próximos deste termo. O estigma desenvolvido sobre o envelhecimento ainda se mantem retido no imaginário individual, associado a questões relacionadas com a saúde, com a parte financeira e no relacionamento com a sociedade, sendo estes, os principais motivos para que as pessoas encarem o envelhecimento com a mentalidade de que, nesta fase, tudo se torna mais complicado, questionando-se sobre a vida que viveram, porém, as limitações físicas, psicológicas e a solidão representam os maiores receios face ao envelhecimento. Se, por um lado é verdade que este preconceito traduz a visão da grande parte das pessoas, principalmente entre os mais jovens, por outro, os mais velhos tendem a ser mais positivos e confirmam, com conhecimento de causa, que os problemas da terceira idade são relativos e esta fase pode muito bem ser a melhor da vida. É importante manter uma mente ativa e estimular o cérebro, mantendo a leitura, aprendendo coisas novas, desenvolvendo o interesse por assuntos do cotidiano, sociais e culturais, e tornar-se participativo, são algumas das atividades que podem manter uma memória ativa. O medo de ficar sozinho, figura entre os principais medos do avanço da idade. Estabelecer vínculos e manter o círculo de amizade ao longo da vida é importante para que as pessoas, ao tornarem-se mais velhas, tenham uma rede de apoio e laços sociais. Apesar de ser um problema recorrente, principalmente na fase adulta, a parte financeira, é causa de grande apreensão, sendo um dos maiores receios da terceira idade. Não é de todo novidade que, com o avanço da idade, a quebra no ritmo para certas atividades cause medo em algumas pessoas, mas, por outro lado, uma mente ativa num corpo ágil, fará com que a mobilidade não seja um problema. Alguém mais ativo, tende a continuar saudável por mais tempo, ao contrário do sedentário, que ficará perro. A sensação de ser improdutivo, é também um bloqueio a novas tarefas e à realização de projetos pessoais.  O fato de,já não estar no mercado de trabalho, conota-os como sendo um encargo e não uma mais-valia. A perceção cultural é de que, a produtividade está relacionada à força de trabalho. Verifica-se que após a reforma, muitas pessoas acabam por falecer, em grande parte a causa do óbito, é a paragem brusca, sem que o futuro como idoso tenha sido planeado, se bem que este panorama está a mudar. As pessoas ao reformarem-se, normalmente registam uma melhoria na qualidade de vida, mais tempo para o que gostam de fazer, para a família, netos, prolongando assim a vida através de participações em novas atividades. A diminuição do desejo sexual, não pode deixar de ser tido em conta, enquanto que as mulheres tendem a aceitar a condição da sua vida sexual, os homens são os que mais sofrem com uma eventual impotência, sentindo que, ao perderem a sua virilidade, deixam de ser um elemento útil. Não aceitar estes factos como elementos naturais do percurso de vida, pondera tornar-se num tormento, onde a autoestima desvaloriza a condição de ser humano, tornando a velhice num pesadelo, sem que a vida e o momento seja vivido em plenitude, no gozo do êxtase do saber. Tudo isto, depende do quanto se vive a realidade ou não. A vida deverá ser construída á nascença, tomando consciência de cada etapa e de cada condição, para que no fim da mesma, esta seja vivida com dignidade e exemplo, de que vale a pena viver.

Print

Categorias: Opinião

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima