Personal Trainer Nuno Amaral

“Vejo os ginásios como ambiente familiar”

 O nosso entrevistado de hoje, Nuno Amaral iniciou a sua actividade em 2003, mas só em 2012/13 é que se sentiu preparado para entrar no mercado como Personal Trainer, dado que almejava uma formação especializada e específica no conhecimento do tratamento de lesões das articulações e suas recuperações, coluna vertebral, enfim, tudo o que se refere ao corpo humano. Mais recentemente, tirou um curso referente a exercícios no âmbito de doenças oncológicas, área que ainda está numa fase muito preliminar de estudo, pois a seu ver, o treino personalizado tem de ter como base um serviço de excelência. Na sua profissão, a palavra-chave é “paixão”, pois considera que se não a temos, não vale a pena, dado que, com o tempo, as próprias pessoas vão-te avaliando se estás lá efectivamente para ajudá-las ou se é por outro motivo qualquer. Numa interessante entrevista, este ribeiragrandense revela-nos que gosta muito do que faz e com o tempo foi-se apercebendo do impacto que se pode ter na vida das pessoas e acredita que a maior satisfação que possa ter é constatar a satisfação da pessoa (cliente) quando atinge ou vai atingindo o seu objectivo.


Correio dos Açores - Porque procuram o Fitcenter Health Club Ribeira Grande?
Nuno Amaral - Bem, sou suspeito por falar, mas, ao longo destes 18 anos, fomos criando uma identidade, tendo como base certos valores que acredito. A nossa principal “ferramenta” de trabalho são efetivamente as pessoas e estas são o que realmente importam. Há quem venha de muito longe e faça questão de vir treinar connosco e este é um dos melhores feedbacks que possamos ter.

Que modalidades disponibiliza o ginásio?
Neste momento, para além de uma sala de cardio e musculação, disponibilizámos também uma sala destinada a aulas de grupo. Por outro lado, temos um serviço de treino personalizado, mas como somos da área da prescrição do exercício físico, e esta área é um Mundo, nós prescrevemos para os mais diversos objectivos, patologias associadas, populações ditas especiais entre outros, encarando sempre cada indivíduo como um caso único.

Como foi o período de confinamento, com o ginásio fechado?
Naturalmente que foi um período muito complicado para todos nós, nas mais diversas frentes. Mas numa determinada altura, aceitando a realidade que estávamos a viver, tentei ver o lado positivo, que foi o tempo. Tempo passado com a minha esposa e duas filhas, algo que com o meu horário de trabalho é complicado!

Foi fácil a retoma da actividade?
Bem, estávamos ansiosos pela retoma, as expectativas eram altas, mas as incertezas eram ainda maiores... mas com o passar das semanas e passagem de mensagem entre as pessoas, notou-se uma afluência sempre em crescimento e também acredito que, devido à época sazonal em que se deu a retoma, ela teve um impacto positivo e motivacional. Aproveito para deixar aqui uma palavra de agradecimento às pessoas que fizeram e continuam a respeitar ao máximo as novas normas e recomendações para esta situação.

Já acompanhou algum campeão em culturismo que frequentasse o ginásio? 
Já acompanhei e continuo a fazê-lo nas mais diversas modalidades de competição (futebol, basquetebol, MMA, golf...) mas não podemos esquecer que competição não é o mesmo que dizer saúde. Além do mais, o fisiculturismo vai ainda mais além, passando por fases de extremos! Curiosamente, alguns atletas que hoje competem começaram a dar os primeiros passos no Fitcenter da Ribeira Grande, mas fui eu que de um certo modo incentivei a procurar alguém que estivesse ligado á área do fisiculturismo. O meu prisma é o da saúde. A modalidade em si é algo que respeito mas não me revejo.

Algum nome sonante passou no Fitcenter Health Club Ribeira Grande?
Todos os dias entram nomes sonantes... (risos). Poderia identificar alguns casos que ao longo dos anos por cá passaram, que fizeram sucesso em programas televisivos e recentemente da 1ª liga mas estes vêm e vão. Rebuscando numa resposta da 1ª questão da nossa entrevista, o importante são as pessoas e vemos e tentamos tratar todas por igual.

Que tipo de pessoa procura o ginásio?
Temos pessoas dos 8 anos até aos 75 anos de idade. Não há uma matriz, todos procuram algo e tentamos individualizar cada um, e fazemos como cada um plano específico, tendo em conta a necessidade de cada utente.

O que te apaixona nesta profissão?
Paixão é a palavra-chave. Se não a tens, não vale a pena, podes até começar muito bem, mas com o tempo, as próprias pessoas vão-te avaliando e é algo que elas próprias vão sentir, se estás lá efectivamente para ajudá-las ou se é por outro motivo qualquer! Esta é uma profissão que gosto muito, porque o eu (Nuno) é secundário, pois com o tempo fui-me apercebendo do impacto que podes ter na vida das pessoas e acredito que a maior satisfação que posso ter é constatar a satisfação da pessoa (cliente) quando atinge ou vai atingindo o seu objectivo! É todo um processo de conhecimento de partilha e de confidência. Sim, posso dizer que não trocava esta profissão por nenhuma, pois o nosso objectivo enquanto profissionais de exercício físico é o de ajudar quem efectivamente precisa, sempre em prol da saúde.

Os ginásios existentes na cidade são suficientes?
Acho no que diz respeito à prática da actividade física, nunca é demais mas, a meu ver, precisamos de algo diferente, desafiador que estimule a curiosidade das pessoas, principalmente quem não se revê em ginásios. Já existe um estúdio de treino funcional e porque não uma box de crossfit, desde que seja para termos uma comunidade mais saudável será sempre bem-vindo.

Recorda-se da primeira experiência como utilizador de ginásios? 
Sim. Pode parecer ironia, mas tenho muitas saudades de ficar à espera da hora de ir para o ginásio. O meu primeiro ginásio foi um que já não existe, ficava nas Laranjeiras, o Ginásio Físio. Foi um amigo meu que me incentivou a ir com ele, de seu nome Vasco Cordeiro. Não havia na Ribeira Grande, pois íamos e víamos à boleia... bons tempos. Se queríamos algo tínhamos que fazer por isso.

Como se inicia como PT?
Bem, o PT vem bem mais tarde. Em relação ao meu início na área, que foi há praticamente 18 anos, mais concretamente em 2003. Contudo, só em 2012/13 é que me senti preparado para entrar no mercado como Personal Trainer, pois senti que precisava de mais e específica formação. Pois fui especializando mais na área das populações ditas especiais, conhecimento de lesões das articulações e suas recuperações, coluna vertebral, enfim tudo o que se refere ao corpo humano. Mais recentemente, tirei um curso referente a exercício no cancro, doenças oncológicas, área que ainda está numa fase muito preliminar de estudo, pois a meu ver o treino personalizado tem de ter como base um serviço de excelência, caso contrário não faria sentido.

O que o apaixona em Personal Training e o que o motivou?
A paixão é a mesma, mas o serviço de treino personalizado é, a meu ver, para quem realmente precisa de ajuda. Por exemplo: 80% dos meus clientes de PT são pessoas com inúmeros problemas de saúde, o que é um acréscimo de responsabilidade para nós! Pois repare, uma pessoa que seja hipertenso, tenha diabetes tipo2, tem uma osteopénia (grau de osteoprose mais leve) tem dois factores de risco associados, idade avançada e é fumador. Bem em jeito de brincadeira, um médico consegue prescrever medicação mais facilmente e com maior rapidez, do que eu fazer um plano de exercícios que possam ajudar o meu cliente e em segurança, dado que temos que ter conhecimento profundo do que são e qual o impacto que estas doenças e estes fatores de riscos têm no corpo desta pessoa, para depois prescrever de um modo assertivo e seguro, tendo em conta os impactos e intensidades usados no treino! É uma enorme responsabilidade, mas sentes que estás a ser muito útil, pois quando começas a ter o feedback da própria pessoa visto que é gratificante ajudar a alcançar pequenas grandes mudanças.

Que perfil acha que deve ter um Personal Trainer?
Perfil? Bem, fui nadador salvador, num passado recente e quando terminamos o curso o formador, disse “hoje todos concluíram o curso, mas só o tempo dirá quem tem o perfil de um verdadeiro nadador salvador”. Só as pessoas com quem trabalhamos poderão avaliar-nos e vão passando a palavra! Uma dica que posso deixar para os que queiram envergar nesta área é que um PT tem de estudar todos os dias um pouco, nem que seja rever situações da coluna... pois nunca sabe quando irá precisar de usar este mesmo conhecimento de um modo assertivo e seguro.

Quais as maiores dificuldades da actividade de Personal Trainer?
Penso que a maior barreira já foi quebrada, pois é o de dar a conhecer o serviço de treino personalizado, digamos que eu - e posso dar um exemplo de um colega amigo e excelente profissional, de seu nome Mário Botelho -, digamos que desbravamos o terreno para futuras gerações. Outro entrave é o valor que as pessoas acham alto, mas depois de experimentarem, aquilo que me dizem é que, afinal, não é assim tão caro! Mas lá está, tem de ser um serviço de excelência, porque cansar um cliente qualquer um consegue, mas os pormenores é que fazem a diferença e não esquecer que nós estamos constantemente a avaliar o nosso aluno e não nos podemos esquecer que também estamos a ser avaliados e é bom que assim seja, pois irá garantir que o serviço seja da melhor qualidade.

Qual o papel do Personal Trainer na mudança de cada indivíduo e na garantia de atingir os objectivos de cada indivíduo?
Efectivamente, ter um PT que lhe vai avaliar, prescrever exercícios e, consequentemente, orientar e corrigir os mesmos, se for o caso, na sessão de treino e tendo como base a segurança, ou seja o cliente estará a executar os exercícios apropriados para a sua condição ou objectivo e que a percentagem de se lesionar é diminuta, penso que é a melhor garantia que o cliente poderá ter. Quanto ao atingir do objectivo, bem, isto é um trabalho de equipa, mas quem poderá efectivamente dar esta garantia é o cliente, pois este tem de querer realmente em todos os aspectos.

Quais as melhores técnicas a aplicar para a melhoria do físico de uma pessoa que procura o ginásio?
No início da carreira, focava-me muito no que era a componente física mas, com o tempo, apercebi-me que a parte fulcral era o trabalho mental, digamos que, de uma forma sucinta, a mente comanda e o restante corpo só está lá para ajudar.

Fale-nos um pouco do percurso profissional. 
Bem, começou em Março de 2003, aquando de uma conversa com o PT Pedro Medeiros, que aproveito para realçar todo o trajecto de sucesso que ele conseguiu alcançar, que este iria para o continente e que o Paulo Bernardo, que era o dono do ginásio iria precisar de alguém. Aproveito também para mandar um abraço ao Paulo. Passados 3 anos, o Paulo e o seu sócio Vilas-Boas convidaram-me para entrar na sociedade, ao que aceitei e, passado 1 ano, mais concretamente 2006, abrimos um outro ginásio na Lagoa (Fitcenter Lagoa). Em 2008, fiquei apenas com o ginásio da Ribeira Grande e estou lá até hoje.

Qual é a sua rotina pessoal de saúde e bem-estar?
Primeiro, é preciso definir saúde e, segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), saúde é o estado completo de bem-estar físico, mental e social e não apenas ausência de doença. A minha maior paixão era o futebol, mas desfruto de qualquer atividade física. Por natureza, não sou de extremos, não de direita nem de esquerda, gosto mais de olhar em frente, tento manter uma alimentação saudável e equilibrada; sou um ser muito espiritual e acredito muito nas energias! No fundo, não me restrinjo apenas a uma modalidade, pois o nosso corpo tem várias valências e tento mantê-las em equilíbrio e para tal só vejo um modo keep on moviment. Não quero ser exemplo para ninguém tudo o que faço porque quero e gosto!

Um conselho para um cliente que quer escolher um Personal Trainer.
Há um ditado ou provérbio oriental chinês ou japonês, não sei precisar, que “para ganhar conhecimento, adicione coisas todos os dias; para ganhar sabedoria, elimine coisas todos os dias”. Eu penso que os anos de experiência poderão ser um factor importante, mas mais importante é o cliente fazer a sua própria avaliação do trabalho do PT e expô-la ao mesmo para que este possa melhorar no futuro, se for um caso de um trabalho menos conseguido.

Se soubesse o que sabe hoje, teria feito alguma coisa diferente neste teu percurso como PT?
O pensar que está tudo bem e que já sei tudo é um erro crasso, pois é o primeiro passo para um futuro fracasso, eu tracei um percurso e durante o mesmo aconteceram erros ou dificuldades e são nestes momentos que, a meu ver, aprendes muito mais. O erro faz parte da vida do ser humano e só te irá ajudar a desde que tenhas a ambição de querer melhorar cada vez mais. Não, não mudava nada (risos).

Qual será o futuro dos ginásios?
Como já referi anteriormente, vejo os ginásios como um ambiente familiar e social, onde para além do treino há convívio e a interação uns com os outros. Neste momento, começo a ver um princípio de um fim quase inevitável, que é este tipo de ginásio começar a desaparecer. As pessoas são livres de fazer o que bem entendem, mas só para lhe dar um exemplo actual, antes as pessoas ouviam todas a música que tocava no ginásio, agora grande parte traz os seus fones e este pequeno gesto começa a refletir-se naquilo que é o convívio e partilha de certos momentos. Começamos de um modo inconsciente a isolarmo-nos, a focarmo-nos cada vez mais no EU e este é apenas um pormenor, pois com a evolução das novas tecnologias esta distância a longo prazo irá acentuar-se mais ainda, creio eu. Também imagino a realidade que temos concebida dos ginásios, no que diz respeito às máquinas e ao ferro dito, também irá desaparecer dando origem às novas tecnologias. Em suma, uma coisa é certa, posso fazer um paralelismo com há 20 anos atrás que a procura por estes espaços e, consequentemente, actividade física aumentou e ainda vai crescer muito mais, o que dá aos ginásios um futuro bastante activo.                                
                                 

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