No Comando Regional da PSP

Vítima de assalto ao carro queixa-se de “longa espera” para apresentar queixa e da “falta de condições da polícia”

 Ana Maria Morais ficou incrédula quando, em 5 minutos, o seu carro foi assaltado, Sábado passado, na Avenida D. João III, em Ponta Delgada, no espaço de tempo em que se dirigiu a um seu apartamento e regressou à viatura. Os larápios levaram a sua mala, onde apenas tinha documentos, já que o dinheiro, por sorte, estava numa carteira que transportava consigo.
Não havia qualquer indício visível de que o carro tenha sido assaltado e os larápios terão utilizado uma técnica de abertura da porta da viatura através do vidro de uma das janelas, sem lhe causar dano.
O assalto ocorreu pelas 18h30 e, quando Ana Maria Morais chegou ao carro e não viu a mala, face à inexistência de indícios de arrombamento, ainda admitiu tê-la deixado em casa para onde se dirigiu. Foi então que chegou à conclusão que fora roubada no período de tempo em que se tinha dirigido ao apartamento.

Uma maratona na PSP

Desde então que se envolveu numa autêntica maratona junto da Polícia de Segurança Pública para apresentar queixa do furto. Primeiro, dirigiu-se às instalações da PSP na Avenida Antero de Quental, onde constatou que aquele posto policial não abria ao fim-de-semana. Pediu auxílio a um filho e telefonou para a Polícia para saber onde poderia apresentar queixa. Recebeu como resposta que, naquele dia, só o poderia fazer nas instalações do Comando Regional, na Rua da Alfândega Velha, junto à Avenida Infante D. Henrique, onde chegou por volta das 20h30.
Ana Maria Morais foi então confrontada com um gradeamento a isolar a porta de entrada das instalações da PSP. Elucidou o agente da PSP de serviço à porta de entrada de que queria apresentar uma queixa de furto e a resposta foi que tinha de esperar do lado de fora das instalações quando, no seu entendimento, a polícia deveria ter – neste período de confinamento – uma sala de espera para quem esperasse a sua vez para apresentar queixa.
 “Aguardei do lado de fora de um gradeamento, ao ar livre, mais de uma hora. Não têm uma sala de espera. Só fui atendida pelas 22h00, pois não havia pessoal para registar a denúncia. Enfim, tudo acabou pelas 23h00”, descreve a queixosa.
Em e-mail enviado ao Correio dos Açores, Ana Maria Morais descreve o que considera serem “as péssimas condições que existem, em termos de instalações da PSP em Ponta Delgada para atender e defender as pessoas”.
Porque mexeu na viatura depois de ela ser assaltada, a recomendação que lhe foi feita pela Polícia foi a de que tinha de cancelar os cartões que estavam na mala e, enquanto esperava, “para manter o distanciamento”.
Pelas conversas que foi mantendo com agentes da PSP registou a “evidente falta de pessoal e de viaturas”, e que a central telefonia é antiga e “desadequada” para situações de “atendimento de emergência”.

Telefones avariados depois
de uma longa espera

“Tinha de falar de outro telefone mas estando tudo avariado e velho. Tive de falar do telefone do chefe que estava a tratar do caso (fim do distanciamento social) e, para finalizar nem as impressoras trabalhavam”, lembra Ana Maria Morais.
“Perante tanta falta de condições (inclusive viaturas só havia três, e estavam fora), cheguei a uma conclusão: o meu roubo não foi nada, comparado com a pouca protecção de todos nós”.
No e-mail e, posteriormente, num diálogo com um dos jornalistas do Correio dos Açores, Ana Maria Morais foi sempre acentuando “o estado degradante das instalações e das condições de recepção” da Polícia de Segurança Pública. 
Manifestou-se “desolada e muito cansada”, não só pelo assalto à sua viatura, mas também “pela forma foi atendida na PSP” no período em que apresentou a sua queixa.
No diálogo com o jornalista, no meio da “longa espera” para apresentar a queixa, a queixosa enalteceu a forma afável como foi atendida pela “chefe Guilhermina”.
Na Segunda-feira, atendendo à recomendação da PSP, a vítima andou numa correria a cancelar cartões e crédito que estavam na mala roubada, entre outros afazeres.

O esclarecimento da PSP

A direcção do Correio dos Açores fez questão de obter uma reacção do Comando Regional da Polícia de Segurança Pública para só depois publicar a queixa da sua leitora, Ana Maria Morais. E, abaixo, publicámos na íntegra a resposta da PSP para que cada leitor tire a sua conclusão: 
“O Núcleo de Imprensa e Relações Públicas, do Comando Regional dos Açores, da Polícia de Segurança Pública, vem por meio responder ao seu email, relativo à queixa da cidadã Ana Maria Morais.
 De acordo com o Comandante da Esquadra de Ponta Delgada, no dia 09OUT20, após o crime ter acontecido, a lesada solicitou a presença da Polícia, através de contato telefónico, com a Central desta Polícia, tendo sido, prontamente, informada de que poderia demorar um pouco, pois os meios policiais se encontravam ocupados na resolução de ocorrências urgentes.
 Uma vez que se tratava de um crime de natureza semipública, de acordo com a legislação em vigor, foi informada que teria que se deslocar a um departamento policial para formalizar a queixa.
 Com a implementação do Plano de Contingência contra a Pandemia COVID-19, em Ponta Delgada, todo o atendimento ao público é feito na Esquadra de Ponta Delgada.
Já na Esquadra de Ponta Delgada, após ter relatado os acontecimentos, foi informada de que teria de aguardar pela sua vez, pois existiam outros cidadãos à sua frente. Pela necessidade de assegurar o distanciamento social imposto pelas normas em vigor (pandemia), a senhora teve que aguardar a sua vez no exterior, porquanto o espaço disponível estava ocupado pelas pessoas que se encontravam à sua frente.
O funcionamento, as regras e o profissionalismo da PSP tem sido amplamente reconhecidos por inúmeras entidades particulares, pelo que não se vislumbra que tenha havido qualquer procedimento incorrecto da PSP na situação em apreço”.                            

C.A.

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Autor: CA

Categorias: Regional

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