18 de outubro de 2020

Cuidado com o medo!

1- Terminado que foi o confinamento obrigatório e com as medidas de retorno à normalidade decretadas pelo Governo da República, é bom lembrar que a autoridade de Saúde foi desde sempre alertando para a segunda vaga da Covid-19, que era previsível chegar no final do ano.
2- O Governo desdobrou-se no anúncio das medidas que tomou para dotar o Serviço Nacional de Saúde dos meios humanos e técnicos necessários para enfrentar a previsível segunda vaga da pandemia, assim como dos milhões gastos na aquisição de equipamentos e consumíveis para os hospitais. 
3- Não faltaram os elogios aos profissionais de Saúde pela denodada entrega no tratamento dos infectados, e aos cidadãos, pelo comportamento e acatamento das regras que foram impostas.
4- Com a pandemia, o Serviço Nacional de Saúde saiu, sem dúvida, reforçado em meios humanos e técnicos mas, e quanto à parte social? Aí é que a porca torce o rabo. Não há, nem é possível, o distanciamento nos transportes públicos, onde circulam milhares de pessoas todos os dias, nem há nas periferias dos grandes centros urbanos, tal como não havia antes, condições de salubridade capazes de garantir a limpeza aconselhada para evitar o contágio viral.
5- Onde está o distanciamento de dois metros nos transportes públicos? Onde está a salubridade necessária nos bairros degradados, inacabados e impróprios para seres humanos das zonas donde provêm os maiores focos da Covid-19? Que medidas foram consideradas nos vistosos Planos de Recuperação Económica para romper com tamanha miséria, que a manter-se, vai perpetuar a calamidade, o ócio, o crime, e a doença.
6- Esses são os renegados da sociedade, vulneráveis a todos os vírus e ignorados pelos poderes políticos. Onde pára o Presidente da República, que foi um paladino no combate aos sem abrigo em Lisboa e que não vê o que se passa nos transportes públicos e nos bairros degradados? Por onde anda a bandeira social dos partidos socialistas e sociais-democratas?  
7- Este é um mal que mora em muitos e outros países europeus que também estão a braços com o recrudescer da pandemia.
8- Mas, em vez de se procurar resposta para modificar as condições no transporte público de passageiros, ou melhorar as condições habitacionais nos bairros periféricos, o Governo entretém-se a decretar o uso obrigatório de máscaras, sem se preocupar com as pessoas que sofrem com o seu uso contínuo, como acontece com os alunos e professores nas escolas, ou com portadores de doenças respiratórias e congéneres.
9- Pior do que isso é a tentativa de impor o uso de uma aplicação de telemóvel para comunicar se o portador está infectado com Covid-19, aplicação que custou quase meio milhão de euros e foi descarregada até agora por duas centenas de utilizadores. 
10- Esta é uma medida atentatória da liberdade e da privacidade de cada um, além de discriminatória para quantos não têm acesso aos equipamentos adequados à aplicação.
11- O desnorte quanto à aprovação do Orçamento e, certamente, o recrudescer da pandemia, que era anunciado desde sempre, faz o Governo espalhar o medo e a ameaçar as pessoas de forma autoritária e anti-racional.
12- A interiorização do medo é o pior que pode acontecer às pessoas e à sociedade em geral, porque leva ao tolhimento de toda a actividade.
13- Veremos o efeito que o medo terá daqui a oito dias, nas eleições regionais, em que os vários partidos têm mostrado uma maturidade admirável e um debate sensato, onde há lugar à critica, mas também onde abundam propostas para o futuro dos Açores.
14- O PS fez bandeira do Hospital Digital, pretendendo fazer o que falta há muito tempo, que é colocar todo o Serviço Regional de Saúde em rede, permitindo que qualquer hospital e centro de Saúde na Região possa aceder ao processo do utente em tempo útil. 
15-    Faz falta não incluir na proposta um barco hospital ambulante, para circular em todas as ilhas, com especialistas que evitariam a deslocação de doentes.
16-    O PSD lança a proposta de uma tarifa única de sessenta euros para qualquer viagem inter-lhas. É uma proposta justa e que ajudaria à mobilidade, à coesão, ao conhecimento e à necessária unidade Açoreana.
17-    Sem medos, há que vencer as adversidades para evitar a morte prematura.
                                             

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Categorias: Editorial

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