20 de outubro de 2020

Consequências da pandemia

Não. Não vou falar de eleições. Cada um é como cada qual e vota em quem quiser, porque o voto é secreto.
De resto, tanto estas eleições, assim como todas as outras desde a implantação da autonomia - com letra bem pequenina - pouco me dizem.
Quem me conhece, nomeadamente muitos políticos desde a extrema-esquerda à extrema-direita, sabe que sou nacionalista e independentista, tendo como ideologia a social-democracia ou socialismo humanista.
Como defensor do progresso dos Açores - no seu todo e não só da ilha de S. Miguel - fiquei bastante contente pela abertura do nosso espaço aéreo, porque iria dar um grande incremento ao turismo destas ilhas que bem precisavam de diversificar a sua actividade económica.
Como é hábito da nossa gente, que não pode ver uma camisa lavada a ninguém, começaram a proliferar os hotéis, os alojamentos locais, os turismos rurais, os restaurantes, e outras actividades ligadas ao turismo que, agora, em tempo de pandemia, estão encerrados ou a trabalhar abaixo daquilo que seria desejável para pagar os custos fixos dos vários estabelecimentos.
Quem foi buscar dinheiro à banca para os empreendimentos que realizou, está com o “credo na boca” para satisfazer os compromissos assumidos sem pensar num possível desaire, como o que está acontecendo agora.
Há um bom par de anos, quando alguns países do norte de África como a Tunísia, a Líbia, o Egipto e outros, começaram a ter problemas de segurança, o turista português, que costumava visitar aqueles países, virou-se para as nossas ilhas, Madeira e Algarve cumprindo o muito publicitado: vá para fora cá dentro!
Em junho do ano passado abordei este tema do turismo, discordando com algumas medidas que se estavam a tomar na altura, nomeadamente na concessão de licenciamentos para empreendimentos na área turística, que visavam uma exploração turística muito perto do turismo de massas, com o qual nunca concordei. Sempre achei que se deveria controlar o desenvolvimento da indústria turística de acordo com as nossas possibilidades e dimensão territorial.
Sem querer ter sido profeta da desgraça, é caso para dizer:- eu bem que avisei! Agora é com muita pena que vejo nos vários órgãos de comunicação social os queixumes de muitos dos investidores da área do turismo e nos consequentes despedimentos de pessoal.
A este propósito li, sem qualquer surpresa, que o maior investidor na área do turismo na nossa terra – o Grupo Bensaúde – vai, durante o período de inverno, encerrar nesta ilha de S. Miguel todos os seus hotéis à excepção de uma parte do Marina Hotel e, espero bem, que o Hotel Terra Nostra das Furnas também se mantenha aberto.
É evidente que neste lapso de tempo, muito trabalhador irá para lay-off, ou mesmo para o desemprego.
Como muito bem disse a Socióloga Doutora Piedade Lalanda Gonçalves na passada semana, numa sessão promovida pelo Lions Clube de S. Miguel, este tempo de pandemia deveria servir para nos dedicarmos à horto-fruticultura, de modo a nos encaminharmos para a auto-suficiência alimentar.
Diria até que, atendendo ao avanço da tecnologia nas alfaias agrícolas que não exigem muito esforço físico e muita quantidade de mão-de-obra, também nos deveríamos encaminhar para a produção de outros produtos hortícolas, que importamos às toneladas, com a consequente saída de dinheiro para fora da Região.
Evidentemente que, nesta matéria, as trocas comerciais inter-ilhas deveria ter a primazia de acção.
O nosso povo costuma dizer que, não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe. Assim, saibamos tirar proveito do mal que esta pandemia nos está a fazer, para desenvolvermos a nossa agricultura e o nosso comércio interno.
Assim, queiram os homens (e mulheres, claro) de boa vontade.
Para bem dos Açores!

P.S. Texto escrito pela antiga
grafia.
18 de Outubro de 2020

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Categorias: Opinião

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