Nos Açores

Farmácias receberam apenas 70% das vacinas requisitadas contra a gripe

  Do número total de vacinas contra a gripe requeridas pelas farmácias açorianas, que começaram ontem a ser vendidas ao público, foram entregues nas farmácias cerca de 70% a 80% das doses consideradas necessárias, conforme indicou a representante nos Açores da Associação Nacional de Farmácias (ANF).
Conforme adianta Teresa Almeida Lima, apesar de as doses recebidas serem distribuídas num número inferior ao desejado, este terá sido um cenário idêntico em todo o país, uma vez que “a quantidade requisitada das vacinas não foi a quantidade que chegou às farmácias em geral”, tendo sido informado às farmácias que “este ano a distribuição seria faseada, mas se isso vai acontecer ou não, não posso dar certezas”.
Ainda assim, a farmacêutica desvaloriza os impactos negativos que esta distribuição faseada possa vir a ter na vacinação contra a gripe, salientando que “não há problema” se esta ocorrer “mais ou menos até ao final do mês de Dezembro”.
No entanto, deixa uma crítica ao Governo Regional por, ao contrário do que aconteceu em território continental, não ter sido emitida nenhuma directriz para que as farmácias auxiliem as unidades de saúde na administração da vacina em causa, uma vez que os centros de saúde estão “muito congestionados devido à pandemia”.
“Em Portugal continental, o Serviço Nacional de Saúde disponibilizou 150 mil vacinas para a população idosa que será administrada nas farmácias. Aqui na região o Governo ainda não esclareceu como será feito esse procedimento, porque normalmente a população acima dos 65 anos de idade é vacinada de forma gratuita nos centros de saúde”, por ser um grupo de risco, diz.
Na Região Autónoma dos Açores, refere Teresa Almeida Lima, a Associação Nacional das Farmácias estendeu esta possibilidade ao governo regional, sem que tenha entretanto recebido qualquer tipo de feedback. Sabe, no entanto, que durante o dia de hoje irá decorrer uma reunião sobre a vacinação contra a gripe.
Porém, ao contrário do cenário existente em Portugal continental, onde a procura por esta vacina tem vindo a ser muito superior – havendo até registo de farmácias que entraram em ruptura de stock –, a farmacêutica aponta que pelo menos na Ribeira Grande, local de onde tem uma melhor percepção da realidade, a procura “decorre normalmente, pelo menos para já”, tendo em conta o pouco tempo em que este fármaco está disponível.
 Em comparação com outros anos, nota apenas que houve uma “ligeira subida na preocupação” das pessoas que procuram a vacina contra a gripe, adiantando que na farmácia pela qual é responsável procurou “reforçar o pedido, exactamente porque percebi que havia mais pessoas com interesse em levar a vacina”.
No que diz respeito a outras vacinas que podem também ser aconselhadas por profissionais de saúde aos utentes com histórico de infecções específico, como no caso da vacina pneumocócica, importante no combate a doenças graves como a pneumonia e a meningite, Teresa Almeida Lima garante que não tem visto grande procura.
Ainda assim, reforça a mensagem que dá conta da importância da vacinação contra a gripe, que ocorre todos os anos – assim como a doença –, pois apesar de “não ter as mesmas consequências que a Covid-19” e de ser frequentemente “desvalorizada” pelas pessoas, é uma forma de reforçar o sistema imunitário.
“Acho que é importante que as pessoas sejam vacinadas contra a gripe para fortalecer o sistema imunitário. Uma vez que a Covid-19 ataca parte do sistema imunitário mais fraco, esta vacina é uma ajuda para que as pessoas não apanhem a gripe e fiquem com o sistema imunitário mais frágil, que é o que pode acontecer se apanharem a gripe, o que os torna mais propensos a outras doenças”, tal como o novo coronavírus, conclui a farmacêutica.

 

Serviço Regional de Saúde já vacinou mais de 5 mil pessoas e conta com stock de 10 mil 

 

No que diz respeito à primeira etapa da vacinação contra a gripe, destinada a profissionais do Serviço Regional de Saúde, funcionários e utentes em estruturas residenciais para idosos (ERPI) e da Rede Regional de Cuidados Continuados e Integrados, a Secretaria Regional da Saúde aponta que foram administradas até ao momento um total de 5 mil 400 vacinas contra a gripe.
Contando actualmente com um stock de cerca de 10 mil vacinas, responsabilizando-se o Governo Regional apenas pela aquisição das vacinas que serão administradas no Serviço Regional de Saúde dos grupos identificados como prioritários, a vacinação está agora acessível para pessoas com 65 ou mais anos e pessoas com doenças crónicas.
Porém, tendo em conta os constrangimentos existentes actualmente no que diz respeito à circulação de pessoas nas Unidades de Saúde de Ilha, os utentes identificados como prioritários deverão ser convocados para realização de agendamento prévio. Por outro lado, “para as pessoas que não se inserem nos grupos prioritários, a administração da vacina depende de avaliação e prescrição clínica, pelo que devem consultar o seu médico assistente”, sendo que será este a “avaliar a necessidade e oportunidade da toma da vacina da gripe”.
Tendo em conta que este ano a campanha de vacinação se iniciou mais cedo, sendo já superior o número de vacinas administradas em comparação com o ano de 2019, o objectivo do governo regional passa por atingir uma taxa de vacinação de 75% na população com mais de 65 anos de idade.
Em contraste, no ano passado, diz a Secretaria Regional da Saúde, foram administradas mais 2 mil 700 vacinas, num universo de 6 mil 900 indivíduos residentes em estruturas residenciais para idosos, internados na Rede Regional de Cuidados Continuados e Integrados e profissionais dos Hospitais e das Unidades de Saúde de Ilha.  

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