Está a aumentar nos Açores a procura pela vacina contra a pneumonia

Com a decorrente campanha de vacinação contra a gripe, iniciada nos Açores mais cedo este ano devido às previsões que dão conta de um aumento do número de casos de infecção pelo novo coronavírus, surge recorrentemente o nome da vacina pneumocócita, responsável por prevenir infecções graves provocadas pela bactéria chamada de pneumococo que se traduz, muitas vezes, em pneumonias.
Entre aqueles que estão na população-alvo para esta vacina, conforme explica o médico pneumologista Carlos Pavão, estão as crianças até aos cinco anos de idade, bem como aqueles que – independentemente da faixa etária – padeçam de patologias graves ou crónicas, mesmo que controladas através de medicação.
Neste último grupo incluem-se também, por exemplo, pessoas que serão submetidas a transplantes, dadores de medula óssea, pessoas com doenças cancerígenas ou com VIH, uma vez que a medicação para ajudar a controlar estes casos faz com que “se diminuam as defesas” do corpo humano, deixando-o mais susceptível a outras infecções que podem ser prevenidas com a vacina pneumocócica. 
Conforme explica o Director do Serviço de Pneumologia do Hospital do Divino Espírito Santo, uma vez que esta bactéria “é um agente muito frequente até aos cinco anos de idade”, sendo a vacina pneumocócica conhecida popularmente como “a vacina da meningite” quando administrada às crianças por ser uma doença também desencadeada pelo pneumococo, esta é uma vacina que faz parte do plano de vacinação das crianças.
“Actualmente, no Programa Nacional de Vacinação, a vacina pneumocócica já está disponível e faz parte do plano gratuito para as crianças. Na primeira infância são já vacinados com esta vacina. Mas, da mesma forma que a vacina da gripe não evita totalmente a gripe, esta vacina evita as formas graves da pneumonia que, muitas vezes, complicam a gripe”, adianta Carlos Pavão.
O Serviço Regional de Saúde assegura também de forma gratuita esta vacina para todas as pessoas que sejam doentes crónicos, e que sofram de doenças ao nível cardíaco, renal, hepático ou de doenças respiratórias crónicas, como a enfisema pulmonar ou a asma, considerando que estas são “patologias respiratórias que assumem um número muito significativo de doentes”.
Para além destas doenças crónicas, Carlos Pavão adianta ainda que há “um grupo particular” que deve ser tido em atenção, nomeadamente os doentes sem baço que são “mais propensos a ter pneumonias pneumocócicas”, sendo óbvio que se “num organismo as defesas estiverem diminuídas, obviamente que a capacidade e a agressividade dos microrganismos será maior”.
Para quem não tem direito à vacina gratuita assegurada pelo Serviço Regional de Saúde, a mesma terá um custo um pouco inferior a 40 euros, contando já com a comparticipação do Estado. No entanto, mesmo sendo muito mais barata quando em comparação com outras vacinas, “este pode ser um factor de limitação na sua utilização”, diz o médico pneumologista.

Vacina com maior procura este ano

Com a chegada da pandemia e do tempo mais frio, bem como as sucessivas notícias que fazem prever o aumento no número de casos positivos por infecção pelo novo coronavírus, Carlos Pavão salienta que tem havido uma maior procura pela vacina, notando nas pessoas um maior conhecimento sobre o assunto.
“Quer pelas campanhas de vacinação e de sensibilização que têm sido feitas no sentido de as pessoas se vacinarem com a vacina pneumocócica, quer com o receio que surge com esta pandemia, evidentemente que há uma maior procura, uma maior sensibilidade e uma maior vontade nas pessoas de fazerem este tipo de vacinas”, explica.
No actual contexto, diz o médico pneumologista, a toma da vacina pneumocócica nestes grupos referidos justifica-se porque “quantos menos problemas de saúde tiver um indivíduo, menor será a probabilidade de ter complicações ou de ser infectado pelo vírus SARS-Cov-2”, havendo um prognóstico muito pior na combinação de outras doenças quando associadas ao novo coronavírus.
“Um indivíduo com pneumonia e com uma infecção por SARS-Cov-2 terá um prognóstico muito pior do que um indivíduo que não esteja nesta situação. É possível apanhar a gripe e a SARS-Cov-2, e obviamente que o risco será muito superior. (…) Todas as medidas que forem no sentido da prevenção obviamente que são muito úteis”, refere Carlos Pavão.
Porém, apesar das recomendações que são feitas pela DGS, Carlos Pavão defende que também as pessoas com idade igual ou superior a 65 anos, mesmo que saudáveis, devam ser vacinadas, tal como acontece com a vacina contra a gripe.
“Da mesma forma que a vacina da gripe a partir dos 65 anos de idade deve ser feita mesmo por indivíduos saudáveis, e mesmo em alguns países recomendam com idades mais baixas, para idosos saudáveis será sempre útil este tipo de vacinação”, refere.
Neste domínio, e como não será novidade, os hábitos saudáveis de vida são também essenciais para que o organismo humano tenha o máximo de recursos possíveis para combater infecções mais graves.
Por esse motivo, este contexto de pandemia poderá ser também uma oportunidade para repensar certos hábitos, como o fumar, uma vez que “os fumadores têm mais risco de pneumonias, de terem gripe e de terem quadros clínicos mais graves”, afirma o médico pneumologista.
Em acréscimo, destaca que esta é uma vacinação cómoda de fazer, uma vez que na maioria dos doentes é feita apenas uma vez, não exigindo a repetição ao longo dos anos, “tirando num grupo muito restrito de doentes”, sendo por isso “uma mais-valia” a apresentar no boletim de vacinas.
Alerta, então, que as pessoas que façam parte de grupos de risco e que não tenham ainda sido sensibilizadas para a importância ou para a necessidade de fazer esta vacina, que contactem o seu médico de família para fazer esta vacina.
De acrescentar, conforme explica, que existem duas vacinas: “Há muitas estirpes ou sub-espécies de pneumococos. Umas mais frequentemente causam doenças do que outras, por isso há uma vacina que engloba 13 estirpes de pneumococos e outra que engloba 23. Habitualmente são vacinas complementares, quem faz uma deverá fazer a outra, com intervalos de tempo adequados entre as duas e, em alguns casos em particular, deverá repetir-se uma delas cinco anos depois”, conclui.

 

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