23 de outubro de 2020

O novo normal e as regionais (2/2)

Na continuação do texto anterior, este serve para concluir a ideia inicial: como estão os partidos e a sociedade, em campanha eleitoral para o primeiro escrutínio em território nacional em tempo de pandemia. 
A jornalista Joana Almeida, no Jornal Económico, escrevia como os «Açores lançam base para eleições em plena pandemia». Perante a abstenção que tem vindo a crescer, a preocupação para que não venha ainda a aumentar, por receio de se sair de casa, é uma inquietação que diz respeito a todos. E por todos, houve menos arruadas e comícios, menos aglomerações de candidatos e apoiantes, mais infomail e cartazes de vários tamanhos. Ainda mais disseminação de mensagens político-eleitorais através das caixas de correio eletrónicas e, principalmente, utilizando as redes sociais. 
Concorrendo todos os partidos em pé de igualdade – desde que concorram aos mesmos círculos eleitorais – é natural, pela sua dimensão e pelo apoio popular que sentem ter, que tenham objetivos diferentes. Se os socialistas e sociais-democratas julgam ser possível vencer as eleições – reunindo para isso o apoio mínimo de 29 parlamentares – outras forças políticas apresentam-se a este escrutínio com ambições mais humildes ou moderadas. 
Eleger uma representação parlamentar ou transformar uma representação num grupo. Estas eleições, neste novo normal que é a pandemia, trazem consigo outra característica pouco habitual. Os partidos mais tradicionais, que se têm mantido estáveis no parlamento com mais ou menos membros, encontrarão desta feita mais dificuldades com o aparecimento de novas forças políticas. 
Mas o papel dos partidos com menor expressão eleitoral tem mais interesse atendendo aos resultados que o último domingo de outubro trará. Se Vasco Cordeiro ou José Manuel Bolieiro se quedarem por uma maioria relativa, a correlação de forças existente na assembleia legislativa terá uma importância acrescida. Não sendo uma consequência que pareça ter futuro, ainda assim é uma possibilidade que dependerá do voto em urna. Perante esta possibilidade, o presidente socialista apontou que «se o resultado das eleições for uma maioria relativa do Partido Socialista, nós respeitamos a vontade do povo». Mas a realidade, perante os dados disponíveis nos estudos de opinião mais recentes, tornaria difícil a existência de uma maioria absoluta de deputados à esquerda, se os socialistas não a lograssem sozinhos. 
A CDU terá dificuldade em manter a sua representação parlamentar. João Paulo Corvelo não se recandidata – não faz parte, sequer, da lista –  e Luísa Corvelo, primeira candidata e vereadora na CM de Santa Cruz das Flores, terá uma tarefa difícil. 
Perante a pandemia, e após a saída do ainda deputado, a população pode sentir-se impelida a dar o seu apoio a quem vier a governar. Os socialistas poderão beneficiar desta ânsia de estabilidade. O mesmo poderá acontecer com o BE, que não deverá renovar o mandato pela ilha de São Miguel. Ainda assim, o líder regional poderá lá chegar pela Compensação. Mas nem isto é certo, tal como não é certo que o PAN consiga chegar ao parlamento, depois de quase o ter conseguido em 2016. Neste caso, o maior ónus parece ser o facto de o seu líder regional, enquanto paraquedista político, transformar a intervenção do seu partido numa atividade de duas semanas. A forma opaca como seria pago pelos subsídios para apoio aos membros da AM de Lisboa não terá ajudado. A IL terá hipóteses, seguindo a experiência recente, no Círculo de Compensação.
À direita, o Chega poderá eleger à custa da perda de votos do CDS, que verá o seu grupo reduzido. Tal como nas Flores, um deputado do Corvo poderá ser vítima do afunilamento dos votos nos maiores partidos. O PS tenta manter a maioria. Os restantes, retirar-lha. O fundamental, é que todos se sintam seguros. 
Para isso, diz o texto que já citei, é «recomendado aos eleitores que tragam a sua própria caneta». E com ela contribuir para o futuro da região. 
 

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Categorias: Opinião

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