Entre Março e Setembro deste ano (período da pandemia)

Taxa de mortalidade padronizada de 7,4% nos Açores é a mais alta de Portugal

 Os Açores (7,4%) foram a região do país com a taxa de mortalidade padronizada pela idade mais elevada de Portugal entre Março e Setembro deste ano, um período que apanha todo o período da pandemia da Covid-19. Trata-se de uma taxa de incidência muito acima da média nacional (5,4%) e superior à da Madeira (6,9%), revelam dados divulgados ontem pelo Instituto Nacional de Estatística.
 Na média dos anos de 2018/2019, os Açores já eram a região portuguesa com a taxa de mortalidade padronizada pela idade mais elevada mas esta taxa agravou-se este ano, praticamente, na mesma percentagem que todas as outras regiões portuguesas, sendo a única excepção a Madeira em que há uma redução em relação à média dos últimos dois anos.
Em termos de taxa bruta de mortalidade entre Março e Setembro deste ano, os Açores surgem em último lugar entre as regiões portuguesas com 5,8%, abaixo da média nacional (6,5%); da Madeira (6,1%); e do Alentejo (8,9%).
Já em termos de taxa de mortalidade padronizada pela idade entre Março e Setembro de 2020, os Açores surgem com a taxa de incidência mais elevada (7,4%) quando a média nacional é de 5,9%.
 A estrutura etária da população constitui um factor importante na avaliação do fenómeno da mortalidade, uma vez que a mortalidade é, tendencialmente, maior em populações mais idosas. 
Como explica o INE, o indicador usualmente considerado para avaliar a mortalidade corresponde à taxa bruta de mortalidade, que consiste no número de óbitos durante um determinado período de tempo dividido pela população média desse período. No entanto, o cálculo deste indicador ao nível regional não permite isolar o efeito da diferente distribuição etária da população nas regiões. 
O cálculo de taxas padronizadas de mortalidade pela idade permite anular o efeito da variável idade, o que se revela mais ajustado para a comparação do fenómeno entre diferentes contextos regionais e entre diferentes momentos do tempo. 
Assim, o Instituto Nacional de Estatísticas apurou as taxas de mortalidade padronizadas pela idade com base no método directo de padronização que consiste na aplicação das taxas específicas de mortalidade por idades, de cada uma das regiões, a uma população padrão, designadamente a população padrão europeia de 2013 (Eurostat 2013), cuja composição etária é fixa para grupos quinquenais até aos 85 e mais anos.
O INE ressalvar que, pelo facto de utilizarem uma população padrão “artificial”, as taxas de mortalidade padronizadas pela idade, “adequam-se, exclusivamente, para comparar diferentes territórios e momentos no tempo, cuja população foi artificialmente uniformizada do ponto de vista da estrutura etária”. 
Ainda que as taxas de mortalidade sejam normalmente apuradas para dados anuais, para efeitos da presente análise, o cálculo da taxa bruta de mortalidade e da taxa de mortalidade padronizada pela idade considerou o número de óbitos entre os meses de Março a Setembro de 2020 aferidos à população média anual de 2020. 
Controlando o efeito da idade, o Instituto Nacional de Estatística regista uma alteração do posicionamento relativo das regiões, verificando-se, um aumento de três para quatro regiões com valores acima da média nacional, apresentando as regiões autónomas as taxa mais elevadas e surgindo a Área Metropolitana de Lisboa, seguida do Norte, com os valores mais baixos. 
Destaca-se, em particular, as alterações de posicionamento do Alentejo e da Região Autónoma dos Açores que correspondem, de acordo com o índice de envelhecimento (2019), respectivamente à região mais e menos envelhecida do país.
Segundo este índice de envelhecimento, por cada 100 jovens existem nos Açores 97,2 idosos; enquanto a média nacional é de 100 jovens para 163,2 idosos; no continente é de 100 jovens por 165,9 idosos; e na Madeira é de 100 jovens por 129,5 idosos. Ou seja, os Açores continuam a ter a população mais jovem do país. 

Lisboa, Porto e Açores com mais óbitos no país entre 11 de Setembro e 14 de Outubro

Desde o início do mês de Março que o número preliminar de óbitos em 2020 para o total do país, aferidos às últimas quatro semanas, se mantém superior ao do período homólogo de referência (média para o mesmo período em 2018 e 2019), atingindo nas quatro semanas de 6 de Julho a 2 de Agosto um número de óbitos 1,3 vezes superior ao do período de referência (ver gráfico).
Nas últimas quatro semanas (14 de Setembro a 11 de Outubro), o número preliminar de óbitos em 2020 foi superior ao período de referência em todas as do Continente e na Região Autónoma dos Açores, registando-se valores acima da média nacional na Área Metropolitana de Lisboa, na região Norte e na Região Autónoma dos Açores, segundo dados do INE.
No início do mês de Março (semanas de 2 a 29 de Março), apenas as Regiões Autónomas e o Algarve registaram um número preliminar de óbitos ligeiramente inferior ao observado no período de referência
 

J.P.

Print
Autor: CA

Categorias: Regional

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima