Professora Rosa Simas homenageada pela IMPRÓPRIA

“As mulheres açorianas devem ser fiéis à luta pela igualdade do género”

 Correio dos Açores - O que representou para si a homenagem da IMPRÓPRIA?
Rosa Simas (professora, investigadora e escritora, activista da igualdade do género) - Uma homenagem neste contexto é um reconhecimento do que uma pessoa fez, até ao momento, mas ainda espero fazer mais alguma coisa. Não estava minimamente à espera. Nós, durante a nossa vida, fazemos o que achamos que devemos fazer e depois ser reconhecidos por isso é a cereja no topo do bolo. E, neste contexto, para mim, a homenagem tem ainda um significado muito maior porque foi um grupo de jovens, uma outra geração que reparou no que eu fiz, achou que estava bem e, para além disso, estão empenhados em continuar esse esforço para a igualdade de género. O facto de ver que outra geração mais jovem reconheceu e dá continuidade a este trabalho e de uma forma diferente, (porque estamos a falar de curtas-metragens numa altura em que vivemos numa sociedade de imagem) e, isso, com a irreverência dos jovens, é muito significativo.

A defesa pela igualdade de género é uma causa por alcançar nos Açores?
Sim, é em toda a parte. Não haja dúvida que tem acontecido um avanço muito grande, há mudança de mentalidades. Percebemos isso em todos os aspectos, sem dúvida. Mas mantém-se sempre aquele substrato, porque foram décadas e décadas em que a mulher era posta de lado. O que estamos a falar é de mudança de mentalidade, que é uma coisa que leva muito tempo até desconstruirmos o que pensamos e reorganizarmos tudo de outra forma. 
Por exemplo, o outro dia, uma amiga e colega que está a organizar um livro, estava a falar comigo e a dizer: “pois Rosa, isto é sempre um desafio. Recebi o texto de um homem, que tem sido relevante nesta área, e ele acabava o texto dizendo que ‘por detrás de um grande homem há sempre uma grande mulher’” e ela disse-me que recomendou que ele mudasse e que em vez de ser “por detrás do homem”, ficasse ‘ao lado’. Ao lado de um grande homem há sempre uma grande mulher. Eu acredito que muitos homens e, se calhar, a maioria dos homens, hoje em dia, tem a melhor das intenções e percebe que a mulher não é posta de parte e que ainda é mal tratada em muitos aspectos. Sabemos de todos os problemas que existem com a violência doméstica. Eu acredito que muitos homens percebem isso e fazem a sua vida de forma diferente para que isso não aconteça. Mas a estrutura predominante na sociedade ainda é essa. Falou-me nos Açores e eu penso que aqui a questão geracional vai ser muito importante. As gerações mais jovens, espero eu, já vão ver as coisas e actuar de forma diferente. Mas veja o caso dos Estados Unidos onde se está falar da mulher de uma forma com desprezo, como o Trump faz, e isso é aceite e há pessoas que o seguem. Portanto, é uma situação muito complicada. 

Deixou o Pico aos 3 anos, os seus pais trocaram a ilha Montanha pelas planícies da Califórnia e os primeiros tempos não terã0 sido fáceis...?
Nós emigramos em 1953, numa altura em que se emigrava muito menos. Depois é que ocorreram as vagas de emigração. Naquela altura em que emigramos era quase como irmos para a lua. Eu tinha dois anos. Meus pais não sabiam se iam poder voltar, quando é que iam voltar. É claro que, nos Estados Unidos, já havia telefone mas no Pico não, e não havia forma de comunicar. Era deixar a ilha sem saber se algum dia ia haver contacto e se iam voltar. Saímos de um ambiente familiar, cercado de familiares e amigos, na freguesia de Santa Amaro e fomos para a Califórnia onde não conhecíamos as pessoas. Era uma daquelas farms, no campo, onde a pessoa estava muito distante das outras pessoas, portanto um ambiente totalmente diferente e longe de onde estávamos no Pico, um sítio pequenino onde tudo se conhecia. Eu digo sempre que era um mar de terra. Saímos do meio do mar aqui para o mar de terra na Califórnia. O meu pai, coitado, trabalhava de sol a sol. Acho que minha mãe sentiu muita solidão porque ficava em casa a tratar das coisas até que conseguiu conduzir. Conseguiram comprar-nos um carro e minha mãe conseguiu sair e isso é que terá dado outra dinâmica à vida porque, até aí era, um a vida de muita solidão.

Quando é que frequenta a escola?
Os meus pais inscreverem-nos e fizemos sempre escolas católicas com freiras. Lembro-me que aí sabia que havia outra língua, já tinha ouvido algum inglês, mas foi na escola que, de facto, contactei com a língua e percebi que as pessoas falavam de forma diferente e não se entendiam. Foi com freiras e na altura vestiam-se com aqueles hábitos todos pretos da cabeça ate aos pés e eu, pequenina, a olhar para aquela figura toda de preto para perceber o que dizia. Foi uma adaptação. Não diria que foi difícil e, hoje em dia, a psicologia prova isso): o nosso cérebro é muito ‘plástico’ e nós adaptamo-nos muito e eu, como todas as crianças, aprendi bem e relativamente rápido. E foi numa altura na América muito conservadora, anos 50, era pós McCarthy em que não se falava nada da emigração, não havia reconhecimento nenhum de outras culturas, de outras línguas…

Aos 7 anos regressou ao Pico e aí já tem noção da montanha e das raízes...
Os meus avós ficaram destroçados quando nós emigramos. O meu pai sabia que ia ser uma saída muito difícil. Na altura, o meu pai tinha o seu negócio de lacticínios, recolhia leite e fazia queijo e manteiga para aquela parte da ilha. Tínhamos até uma vida bastante confortável e vinha, por causa disso, algumas vezes aqui a São Miguel e foi numa dessa vezes que veio ao consulado e tratou da emigração e de toda a papelada. Voltou e disse à minha mãe que nós íamos sair e que vínhamos a São Miguel tratar de umas coisas e depois ainda voltávamos e aí é que a despedida ia ser dolorosa, como a minha mãe escreveu no diário. Chegamos a São Miguel e ela percebeu que já não íamos voltar ao Pico. O meu avô ficou…, foi um drama, mas como ele era negociante e tinha a mercearia em Santo Amaro e conhecia tudo e todos, então lá conseguiu, num barco de um amigo, vir do Pico para a nossa despedida no cais antigo, porque, então, íamos de barco até Santa Maria para apanhar o avião. A minha mãe ficou sempre com um sentimento de culpa, porque isto foi em 1953 e o meu avô faleceu em 55, e foi uma tristeza enorme. O meu pai, na altura, prometeu que assim que conseguíssemos, voltávamos ao Pico e isso aconteceu em 1957. Eu tinha 7 anos. Lembro-me de ter sido uma experiência muito marcante porque, para já, chegamos precisamente no inicio de Setembro quando houve a erupção do Vulcão dos Capelinhos e eu lembro me de, à noite, ver os clarões de luz e de pensar que era um monstro. Acabamos por ficar um ano e foi aquele ano em que o vulcão ficou activo. É claro que como ficamos um ano eu fiz a primeira classe. A casa dos meus avós, em Santa Amaro, é logo ali ao pé do porto e achava uma graça ir a pé para a escola porque na América era no autocarro. Fiz um ano de escola primária e quando voltamos à América tinha esquecido o inglês todo. Ao chegar à escola americana a professora pôs-me no grupo dos atrasinhos na leitura. Mas, depois de um mês, consegui voltar. Mas foi uma experiência fenomenal ver o mar, a ilha, andar pelas pedras, brincar e lembro-me tão bem disso.

Conviveu bem com a diferença entre a montanha e a planície?
É outro mundo. O Nemésio já dizia que somos marcados pela geografia e eu, no meu caso, concordo plenamente. Podemos talvez pensar assim: a ilha montanha deu-me raízes para a minha identidade como pessoa, a cultura, a língua, etc. E o Estado da Califórnia e a América deram-me espaço, mas não para alargar aventura, porque sabemos que isto havia também nos Açores. Agora as coisas estão bastante diferentes com toda a tecnologia e a facilidade de ir além da ilha. Mas, naquela altura, havia aquela ideia de ficarmos cativos na ilha.

O horizonte era muito curto?
Era. Nunca penso como seria a minha vida se tivesse ficado. Mas não haja dúvidas que o facto de termos ido para a América abriu horizontes e oportunidades.

Aos 22 anos, estudava na Universidade da Califórnia quando ao seu lado nascia a Internet. Como é que viveu esse tempo?
Na altura, não tinha a noção e as pessoas normais não tinham computadores. Aquilo era daqueles computadores enormes que ocupavam uma sala completa. Eu trabalhei especificamente num projecto que tinha a ver com transportes porque Los Angeles é uma enorme cidade e os transportes são uma questão fundamental. Não tem metro. Era um estudo sobre essas questões mas, logo ao lado, tínhamos essa grande área em desenvolvimento que depois veio a dar a internet. Em 1972 o primeiro e-mail foi enviado de lá. Era a Universidade de Los Angeles, Stanford, UTAH e mais uma, eram 4. Aí nasceu a ideia de rede e de comunicação. É fascinante.

Foi na adolescência que começou a movimentar-se em prol da mulher e do ambiente?
Nos anos 60 estava na adolescência e acabei o Liceu nos EUA em 68 ou 69. Na altura do movimento estudantil em França e na América toda essa movimentação tinha acontecido em meados dos anos 60 e, portanto, foi precisamente numa idade em que estava muito atenta e curiosa. Foi o movimento Black Power, dos negros, começou também o movimento dos povos indígenas e, é claro, o movimento da mulher e eu, como mulher, tinha muito a ver comigo e eu interessei-me muito. Não fui activa nessa altura mas segui o que estava a acontecer. Depois, em termos do ambiente, foi também o momento em que o movimento da ecologia começou e eu fui activa no centro de Sacramento, onde vivíamos e percebia que aquilo era muito importante. Foi uma altura de uma efervescência, de um questionar, de um procurar outras formas de lidar com estas questões que me tocou muito.

E no início dos anos 80 fez o percurso inverso, trocou a Califórnia pelos Açores.
Foi por acaso e até aí nunca tinha tido a visão de voltar aos Açores. Nunca foi uma meta que eu tivesse pensado ou estabelecido. Os meus pais, para já, mantiveram o português em casa. Eu e a minha irmã falávamos português, o que é muito importante e há muitos emigrantes que optam por falar apenas inglês. Os nossos pais tinham muito orgulho e respeito pela nossa cultura e a nossa língua. No meu caso, os Açores sempre foram um sítio onde viviam pessoas que me diziam respeito, conhecidas e amigas. Chegava uma carta das ilhas, nunca dizia Açores nem necessariamente Pico, era das ilhas, e eram cartas que demoravam um mês e tal a chegar, ainda vinham de barco. Então, estava a família à volta da mesa e minha mãe tirava a carta, lia e dizia: o tio Manuel fez isto, a prima Sara aquilo… Sabíamos assim da vivência que as pessoas tinham cá. 
Ao contrário de pessoas que sofreram muito nos Açores e que emigraram por isso, os nossos pais tinham boas recordações e transmitiram-nos isso. Em 1980 recebi uma bolsa e fui a Lisboa à Universidade Clássica. Como tinha muito interesse em Vitorino Nemésio e na literatura dos Açores tive oportunidade de vir duas vezes a Ponta Delgada trabalhar com o professor Machado Pires e vim cá e foi aí que eu soube que havia nos Açores uma Universidade. 
Na Costa Leste dos EUA é diferente e tem mais contacto com isto aqui. É onde há muitos emigrantes de São Miguel e uma proximidade maior. A Califórnia fica muito longe. Leva-se mais tempo a atravessar a América do que ir daqui para Nova Iorque. Portanto, eu não fazia ideia que havia Universidade nos Açores, não sabia do que se passava aqui e fiquei encantada. No final desse ano, o professor Machado Pires convidou-me. 
Nessa altura, eu estava com 30 anos. Comecei a trabalhar em diversos part-time com 16 anos e o dinheirinho que ia juntando era para viajar e muitas das viagens foram aqui para os Açores. Mais para o Pico e ali no Grupo Central. A primeira vez que vim a São Miguel foi em 1969, depois do High School (Liceu). 
Quando fui convidada pelo professor Machado Pires, pensei: gosto tanto de visitar mas viver é outra experiência, se calhar também vai ser bom e então aceitei e fiquei 4 anos. Era para ser 1 ano e fui renovando o contracto e adorei.

Como eram esses tempos na Universidade?
Para já éramos muito pequeninos e o departamento estava num pré-fabricado. Tinha-se a noção que era uma instituição que estava a nascer e que se estava a desenvolver. Muito diferente da América. Com muito mais contacto com colegas e com estudantes. Tudo muito mais pequenino. Gostei muito dos estudantes…

Não se arrependeu da opção que tomou?
Não. Não se esqueça que estamos falar do início dos anos 80. O 25 de Abril aconteceu em 1974 e a Universidade foi fundada em 76 e eu estive em Lisboa em 80, precisamente naquela fase da efervescência depois do 25 Abril. Havia uma criatividade de grupos de teatro, de músicos, do Sérgio Godinho, do José Mário Branco. Estava a acontecer muita coisa. O povo português estava à procura de encontrar o seu caminho depois do 25 de Abril. Foi uma altura espectacular e aqui nos Açores, eu digo sempre, que a Universidade foi uma das maiores conquistas da nossa Autonomia. Acho que foi, é e continua a ser. Tenho muito orgulho de ter ficado cá. Fiquei esses 4 anos mas não tinha completado o doutoramento na América. Depois voltei para ficar em 1991.

Quando é que se começa a movimentar em defesa da igualdade do género?
Na América foi mais para aprender, ler e saber o que se pensava e o que se dizia, com toda a movimentação que houve. Em termos de participar activamente foi nos Açores. Organizei em 2001 o primeiro encontro sobre as questões de género. Para mim foi sempre importante ligar Açores e Comunidades e, então, foi “A Mulher nos Açores e nas Comunidades”. Na altura, fizemos um encontro de 3 dias, cada um deles dedicado a temáticas diferentes. O primeiro painel foi em geral; o segundo foi sobre a mulher na cultura e nas artes. No segundo dia foram abordadas as áreas da saúde e, no terceiro dia, os aspectos legais. Houve a participação de mulheres activas nas comunidades. Depois disso, pensei que havia muita coisa que valia pena os trabalhos apresentados terem ficado escritos numa edição que era para ser um livro e que, depois, acabou por ser quatro. Foram livros bielling. Pretendia atingir um público aqui e na América. A açorianidade de que nos falava Vitorino Nemésio, hoje em dia, é bielling por causa da nossa comunidade nos Estados Unidos, onde o inglês é muito importante.
Foi em 2003 que saíram os quatro livros e, depois, em 2005, foi ‘A Mulher e o Trabalho’. Especifiquei-me nesta área que, de facto, é uma área de grande importância.

Ainda é difícil a igualdade da mulher...
Sabemos que as diferenças salariais persistem. (…) Em termos práticos, o grande desafio ainda é - embora tenha havido algum progresso – a partilha do trabalho doméstico. Aí a mulher ainda está sobrecarregada. É ela que acaba por ficar com mais responsabilidade, não só na lida da casa, na comida, na roupa, mas também no cuidar dos idosos. Nós sabemos que as mulheres é que fazem isto. Aí ainda há bastante a fazer para o homem participar também activamente. Estamos a caminhar neste sentido, mas de uma forma muito lenta.
A mulher, muitas vezes, foi criada a pensar em cuidar do outro. Este é um aspecto fundamental e acaba por, às vezes, dar demais e isto, depois, pode causar problemas, pode complicar-se…

Como docente na Universidade marcou, durante vários anos, a vida de muitos alunos…
Eu adoro os meus alunos. Como estamos neste meio ambiente mais pequeno encontro tantos alunos em tanta parte e adoro isto. Eu sempre fui uma daquelas professoras que gostava muito de desafiar os alunos, de ver se eles desenvolviam as suas capacidades o máximo possível. (…) A ideia de educação como encher a cabeça de factos e tudo o mais, na era em que vivemos, está muito mal. Hoje em dia quem pode assimilar tudo, toda a informação que há? É impossível. Então, a educação, na sua realidade, é fazer com que a potencialidade, a capacidade que está no interior da pessoa venha cá para fora e que os alunos aprendam com isso. E isso para mim foi o essencial…
Leccionei também bastantes anos nos Estados Unidos mas nos Açores o aluno era, embora haja muita coisa que está a mudar um pouco, muito mais negativo. Começa com um “eu não sei…”
Estou a lembrar-me de um programa de bolsas para os alunos irem fazer, no Verão, bolsa de estudo nos Estados Unidos. E para se candidatarem a estas bolsas, os alunos tinham de se preparar para fazerem uma apresentação sobre uma temática da actualidade nos Açores que eu escolhia para irem aos EUA apresentar nas comunidades, para as pessoas de lá aprenderem. Isto porque, muitas vezes, os emigrantes têm nos Estados Unidos os Açores do passado. Pensam que a Região está como a deixaram e claro que não está. E, então, dois alunos – um rapaz e uma rapariga – vieram ter comigo e disseram: “ai professora eu posso não ganhar a bolsa mas só preparar esta apresentação foi tão giro fazer isso…”. E isto para mim é muito importante.
Sou professora do coração porque eu acho que se nasce professora. Eu gostei muito e tenho muito carinho e apreço pelos meus alunos. 

Por vezes, encontra-os na rua…
Adoro vê-los. Nós conversamos, ponho-me ao corrente do que estão a fazer. É interessantíssimo. Dá-nos a noção do impacto que tivemos nas pessoas. 

Citou algumas vezes Nemésio mas há também um outro açoriano de que é fã. Era pintor. Chama-se Domingos Rebelo…
Vi o quadro ‘Os Emigrantes’ em 1978 e fiquei impressionada. Domingos Rebelo, para já, como pessoa – e pelo que tenho lido e aprendido – era um homem de uma alma enorme. Era uma pessoa muito correcta e eu sinto-me impressionada com os seus quadros. 
Domingos Rebelo foi intitulado regionalista e posto assim de lado como se regionalismo fosse uma coisa não interessasse. E claro que interessa. Domingos Rebelo merecia uma maior exposição nos Açores. Tenho o sonho de, um dia, haver uma Casa Domingos Rebelo ou um Centro Domingos Rebelo. Ele tem uma vasta obra e houve uma evolução na técnica da pintura. Deveria haver um sítio onde a obra estivesse disponível para um grande público ver. O turista com cultura também quer ter oportunidade de ver as pinturas de Domingos Rebelo. E o nosso Museu Carlos Machado tem um espólio enorme que é o maior. Mas o espaço esteve fechado…
Agora, o Director do Museu, padre Duarte Melo, tem um espaço dedicado a Domingos Rebelo e também a Canto da Maia que é outro grande artista.
Eu descobri que havia arte e literatura nos Açores há muitos anos. E fui descobrindo artistas e escritores. E mesmo a arte contemporânea: Maria José é uma jovem pintora que também faz coisas muito giras. Tenho um quadro dela em minha casa que é espectacular e que me faz lembrar as casas do Pico. Foi por isso que o comprei a ela.

O professor Machado Pires marcou-a…
Muito, mesmo muito. Foi o meu mestre, sem dúvida. É um clássico que acompanhou a evolução dos tempos. Foi um grande Reitor da Universidade dos Açores. Foi o reitor que levou a Universidade de Instituto a Universidade. É uma pessoa de uma simpatia e de uma sensibilidade enorme. Gosto muito, muito, muito dele.
A última vez que estive com ele combinámos encontrarmo-nos. E liguei-o, por altura do confinamento, para saber como estava. E já combinámos que, quando isto acabar, nos vamos juntar de novo. 
Ele já foi homenageado, mas merecia muito mais, sem dúvida.

Vamos falar de Rosa Simas como mãe…
Tenho uma filha que adoro. A Marisa é filha única. Mas confesso-lhe que ter filhos não foram uma prioridade minha. Não sou daquelas mulheres: ai, eu tenho que ter filhos. Mas, cá no fundo, sabia que era uma coisa importante. Fui mãe e adoro. Não há melhor neste mundo. A minha filha tem agora 28 anos. É um grande desafio. Ser mãe é das melhores coisas que nos acontece. Gostava de ter tido mais filhos até porque sempre achei que, com filho único, fica-nos a faltar um bocadinho… Tenho três irmãs e somos muito chegadas. Gosto muito de ter irmãos…

Olhando para trás, fazia alguma coisa de diferente?
Eu acho que não. (…) Bom, foi de certa forma a profissão que me escolheu. Eu tinha de ser línguas, literaturas, etc. Fui mãe com 41 anos. Ser mãe mais nova dá-nos oportunidade de, chegando à idade que eu tenho, já eventualmente ter netos. Não sei se vou ter.
Há uma certa lógica termos os filhos a partir dos 20 anos, início dos 30 porque, se for depois, podemos não ter oportunidade de estar com as gerações seguintes. 
Mas, na altura, não era minha prioridade. Queria viajar, queria estudar. 

Que conselhos dá às mulheres açorianas?
Diria para serem fiéis a si próprias e à luta pela igualdade de género, pois juntas temos muito mais força. Diria para criarem os filhos sob o lema da igualdade, conscientes da importância fulcral de tal postura na vida. E diria para participarem activamente na defesa do ambiente e do nosso planeta, hoje em enorme perigo, que tem sido vítima, tal como a mulher, do uso e abuso, da mentalidade patriarcal e machista, que teima em persistir.

                                                     

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Autor: João Paz

Categorias: Regional

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