“Acho que para se ser humorista é preciso um pouco de coragem para enfrentar o público”, diz Paulo Vieira

Correio dos Açores: O humor entrou muito cedo na sua vida? 
Paulo Vieira: Sim, desde muito novo que me habituei a fazer humor, pois tenho uma família grande e muito divertida. 

Como é que tudo começou a sério?
A sério mesmo foi quando enfrentei o público, pela primeira vez, numa peça teatro-revista, com um projeto da Câmara Municipal. 

Tem feito algum espectáculo a solo?
Sim, já tive alguns a solo e estavam agendado para este Verão mais alguns que não aconteceram, infelizmente, devido à situação de pandemia em que vivemos. 

Os açorianos têm humor?
Sim, muito. Os açorianos são na sua generalidade um povo alegre e que gosta de se divertir. 

Como é que tu cria as piadas?
As minhas piadas são quase sempre coisas do momento, ou seja, memórias que me vêm à cabeça no momento. 

Qual é o processo por detrás do seu trabalho?
Acima de tudo ter boa disposição para poder transmitir alegria ao público. 

Gosta da representação?
Sim, muito mesmo. Sinto-me bem a encarnar personagens e dar vida a elas para parecer o mais verosímil possível. 

Como correu o espectáculo no Auditório Luís de Camões?
Foi um espectáculo memorável, em que o povo delirou, tendo o público esgotado com a capacidade de lugares rapidamente, até as portas foram fechadas, por não ter capacidade para mais pessoas. 
Os actores viverem momentos de muita alegria, pois havia muita união com o grupo. Ainda hoje muitas pessoas me falam daquele espectáculo. Infelizmente, houve duas ou três pessoas que fizeram de tudo para acabar com aquele projecto. O que é lamentável, pois há certas pessoas que não valorizam o que é nosso! Mas não me dou por vencido facilmente…

Como têm decorrido os espectáculos no Cineplace do Parque Atlântico?
Foi um Festival de Humor, em que participei com outros dois comediantes, o Tiago Mota Rosa e o Vítor Raposo. O primeiro foi a semana passada e correu muito bem. 
É pena que os lugares para o público estejam limitados, tendo-se esgotado em pouco tempo. 

Porque é que existem poucos humoristas nos Açores?
Acho que para ser humorista é preciso um pouco de coragem para enfrentar o público. 

Acha que o humor que se faz hoje em dia tem qualidade?
Sim tem qualidade, mas nunca devemos desvalorizar o humor tradicional, que tem sido muito apreciado pelo nosso público.

Qual a principal ferramenta de divulgação dos trabalhos?
Tenho divulgado os meus sketches sobretudo através das redes sociais.

Porque usa muito o sotaque micaelense no seu humor?
Porque é algo que é nosso e é muito genuíno e nunca deve ser esquecido. 
Para mim, o sotaque micaelense é uma identidade característica do nosso povo e casa muito bem com o humor que gosto de fazer. 

Tem muitos seguidores dos seus vídeos?
Cerca de 20.000

É fácil ser-se humorista nos Açores?
Hoje em dia está um pouco na moda, e já são muitas pessoas que fazem vídeos, mas acho que para se ser humorista tem de ser algo que tem de fluir naturalmente. 

Qual a piada que mais sucesso teve?
Foi aquela que fiz sobre o Sata Rallye Azores, com uma crítica ao Governo, revestida de humor sadio que foi muito apreciado.

Qual o feedback que tem do público acerca do seu trabalho humorístico?
Muito bom mesmo, muitas vezes até me surpreende os comentários das pessoas que vêm as piadas que eu tenho criado e que lhes têm agradado imenso.

Como arranja os temas para os vídeos?
São coisas do momento. 

Para quem nunca viu um video seu, qual é o teu tipo de humor?
Humor tradicional da nossa terra.

Acha que uns palavrões e umas piadas mais ordinárias fazem parte do humor?
No meu modesto entender, acho que uma boa piada não precisa de palavrões para se criar uma situação divertida e fazer rir as pessoas.

Qual foi a piada mais bizarra que fez?
Foi aquela em que eu estive em cima dos saltos altos da minha mulher (risos). 

Qual é o objectivo das suas piadas?
Proporcionar uma boa gargalhada e alegria ao público que me vê ou me segue, o que me traz alegria também a mim, pois fico satisfeito que o meu trabalho possa ser uma forma de divertir um pouco as pessoas.
Rise das suas piadas? 
Sim. Por norma, se não achar piada a um determinado sketch eu não divulgo o trabalho, pois também sou um grande fã de comédia. 
      

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