25 de outubro de 2020

Recados com Amor

Meus queridos! Hoje é dia de eleições e, como sempre, desde há quase 40 anos, nos meus recadinhos, vou procurar ser muito contida, não vá alguém pensar coisas onde coisas não existem. Apetecia-me mandar uns recadinhos sobre a ponta final da campanha eleitoral que este ano, e com esta onda de pandemia e de medos, parece que não se ouviu, nem se viu, na maioria dos lugares… o que até é bom porque quem decidir participar no acto eleitoral … já sabe onde vai votar… A campanha foi tão morna que até a minha prima da Rua do Poço me ligou a perguntar se por aqui na minha Rua Gonçalo Bezerra havia alguma arruada que pudesse lembrar que vamos hoje a votos, … e que noutros tempos se fazia com jovens e não jovens numa mistura de alegria, embora cada um puxando a brasa à sua sardinha…. Lá lhe disse que não via viva alma... e acrescentei que não sei se é por causa da Covid-19 ou se é mesmo por medo e por indiferença… E nem falámos das sondagens, porque quem faz sondagens para os Açores devia saber que aqui há nove círculos eleitorais e podem ser os pequeninos a fazer a diferença… Mas isto são contas de outro rosário que vou guardar para a próxima semana. O que eu quero agora é que todos sigam o meu exemplo: logo, depois da missa do dia, que este ano não é na Senhora da Estrela, por via das obras que lá decorrem, vou direitinha depositar o meu voto. Dever cumprido e aqui estarei, nos meus recadinhos de alma lavada, para dizer o que quero e o que sinto, porque é o voto que dá o direito de “cortar a direito”… Vamos todos votar, porque a Autonomia dos Açores, velho sonho de tantas gerações, pode não ser o ideal, mas é o caminho que agora melhor nos serve. Se vier outro, cá estaremos… mas agora, o que interessa é votar, para lá de fora não dizerem que só queremos é saber quanto nos vai caber do bolo nacional… Onde é que eu já li isto?


Ricos! Quero mandar um ternurento beijinho ao Director do jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio pela decisão que tomou de mandar publicar em páginas periódicas, o texto integral da carte encíclica do Papa Francisco, “Fratelli Tutti”, para quem quiser ler e entender a mensagem do documento que é um marco da visão papal do mundo e dos problemas de hoje, embora não recolha unanimidade de opiniões na Igreja e na Sociedade. Mas interessa é perceber a mensagem na íntegra, porque hoje o que está a dar é a popularidade das frases soltas de muita gente que a todo o custo quer colar o Papa às suas ideologias. Eu bem sei que a espontaneidade de Francisco o põe a jeito de duplas interpretações, mas há casos como este agora da “união civil” de pessoas do mesmo género que é um bom exemplo de como há gente capaz de agarrar palavras soltas e delas fazer uma frase que o Papa não disse. Por isso mesmo, e para quem quiser ter honestidade intelectual, nada como ler e ouvir as coisas na íntegra… As frases soltas potenciadas, revistas e aumentadas nas redes sociais, estão a dar cabo deste mundo… Como uma coisa que era, e é boa quando usada com peso e medida, tornou-se num chiqueiro onde chafurda toda a gente que exibe com garbo a ignorância que ostenta como grande virtude e sapiência, lançando atoardas e denegrindo o bom nome de cada um… mas atrás de tempo… tempo vem…. Porque não há bem que perdure… nem  mal que sempre dure !   


Meus queridos! O meu querido Presidente Marcelo não pára de me surpreender com as suas marcelices. Agora foi a ideia de chamar a atenção para a importância da vacinação contra a gripe, fazendo divulgar urbi et orbi a foto do Presidente em tronco nu, para levar uma vacina num braço. Como disse a minha prima Jardelina, essa era uma ideia que dificilmente passaria pela cabeça de uma Presidente, mas eu já nem digo nada… O que penso é que não me entra na cabeça que até o simples acto de ser vacinado seja motivo para uma série de fotografias na Página Oficial da Presidência da República. O Presidente tem o direito de levar uma injecção tirando a roupa que quiser, mas daí a publicar isto no site oficial que é visto por milhões de pessoas, salvo seja… É coisa mesmo só de Marcelo!


Ricos! Por mais que eu goste e sinta a tradição das romarias em São Miguel e faça questão, sempre que na Quaresma as oiço passar aqui na minha cidade norte, de com eles rezar e perguntar quantos são e donde vêm, não consigo entender a necessidade de transformar um movimento religioso numa associação e muito menos de andar à cata de apoios políticos para transformar os romeiros em património imaterial, como se tratasse de uma atracção turística ou algo que se está a perder… Já basta hoje andarem pela ilha seguidos de carrinhas de apoio e de contínua divulgação de imagens e vídeos, para agora ainda se ocuparem com essa coisa de património e sei lá mais quê… Por isso mesmo fiquei de boca aberta quando, em plena semana de eleições, os líderes da dita cuja associação de romeiros, de lenço aos ombros e tudo, tenham sido recebidos pelo meu querido Presidente Vasco Cordeiro em Sant’Ana… E mesmo na semana em que a liturgia católica se alimentou da frase “Dai a Deus o que é de Deus e a César o que é de César”… Nem de propósito. 


Meus queridos! Há dias, aqui nos meus recadinhos falei na proposta que está em São Bento para dar um dia de folga a todos os donos de animais de estimação, quando lhes morra o bichinho. Mas esta semana, ouvi com estes que a terra há-de comer, que a dita proposta vai muito mais longe e pretende que Governo e patrões sejam obrigados a dar até sete dias de faltas justificadas por ano para assistência inadiável aos animais. E também li que em Portugal há cerca de seis milhões e meio de animais de estimação registados… Como dizia o Primeiro-Guterres, “basta fazer as contas” a quantos dias de folga isto corresponderá… É o que temos. E tudo isto na mesma semana em que o mesmo Parlamento chumbou a petição de quase cem mil pessoas para que houvesse um referendo sobre a eutanásia, fazendo com que com esta maioria e com a fraqueza de Belém ela esteja praticamente aprovada… Estamos bem entregues!


Meus queridos! Bem bom que desta vez a Saúde nos Açores não se encostou à decisão nacional de fechar os concelhos precisamente nos dias em que se celebra a memória dos nossos que partiram. Para quem pensa que isto não é uma clara perseguição a todas as tradições cristãs, mais uma vez aqui está a prova em contrário. E já estamos todos avisados sobre o Natal… e já até a GNR fiscaliza casamentos lá para os lados do rectângulo. Mas como não se trata de um Avante ou de um 1º de Maio querem lá saber das pessoas que desejam colocar uma flor, uma prece e uma lágrima na campa dos seus defuntos, mesmo daqueles que morreram e foram enterrados este ano sem terem direito a uma despedida, nem a um velório. A desculpa do vírus está a servir para outros muito bem calculados intentos… Lá isso está!


Meus queridos! Como está quase aí o tempo de São Martinho, de castanhas e vinho, vem bem a propósito a notícia que li, no passado dia 20 no jornal que tão generosamente me acolhe no seu seio, segundo a qual já está disponível uma APP chamada “Vinhos dos Açores” que toda a gente pode instalar nos seus telemóveis e que é um verdadeiro guia sobre os vinhos produzidos na Região. Os apreciadores têm agora à distância de um clique no telelé tudo sobre os vinhos certificados e seus produtores… O engraçado, diz a minha prima Teresinha, é que não se ouviu uma única reclamação… como aconteceu com a APP stayaway do Primeiro-Costa… É o que faz querer obrigar o que nunca deve ser obrigado…
 

Print
Autor: CA

Categorias: Maria Corisca

Tags:

Theme picker

Revista Pub açorianissima