Paulo Malo, dentista e empresário

“Malo Dental recupera e já é maior do que a Malo Clinic”

Ao longo de sua carreira recebeu várias distinções e prémios pelas suas descobertas médicas, além de habilidades de gestão, liderança e empreendedorismo.
É o responsável pelo desenvolvimento da técnica All-on-4, cujo tratamento visa reabilitar desdentados totais em um ou em ambos os maxilares.
Fundou a Malo Clinic, que acabou por ser comprada por um fundo e Paulo Malo foi à sua vida, relançando a Malo Dental. De resto, este é um outro assunto que desenvolveremos numa próxima edição.
Em Angola, o seu pai era caçador profissional e depois dedicou-se à agricultura, pecuária e pesca, onde tinha uma fábrica de conservas e uma herdade.
A família “não era rica, mas nunca faltava nada”. Inclusivamente, os valores que os pais lhe ensinaram apontavam para a importância de ter de trabalhar. Aliás, “durante a semana estudava e ao fim-de-semana ganhava o que trabalhava”.
“Na fazenda trabalhava e fazia de tudo um pouco, desde de dar comida às vacas ou ter de construir uma vedação. Aos sábados e domingos começava a trabalhar antes do nascer do Sol e assim comecei com apenas 9 anos de idade”.
Paulo Malo ganhava 20 escudos por dia, mas recorda-se que, por exemplo, “uma bicicleta custava 200 ou 350 Escudos”, o que quer dizer que “em 10 fins-de-semana já tinha ganho o dinheiro suficiente para poder comprar uma bicicleta”.
Mesmo assim, a sua primeira bicicleta foi o seu pai que lhe ofereceu. No entanto, e porque já queria um modelo superior, com a autorização do pai acabou por comprar uma outra “com mudanças”, que na altura “era uma novidade”.

Revolução dos Cravos, 
Apartheid e Coimbra

No entretanto, dá-se o 25 de Abril e Angola entra em crise. Sobre esta realidade, Paulo Malo diz, “que na verdade as chefias militares não tiveram a capacidade de manter a paz. Foi uma situação muito triste, porque as chefias mandaram os militares para os quartéis e as populações ficaram desprotegidas sem os militares e sem a polícia. Começaram aqui os roubos e outras atrocidades, mas na minha província foi diferente, porque os militares juntaram-se à população para formar uma espécie de milícia para defender a população”.
Para segurança dos filhos, o pai de Paulo Melo entende que o melhor seria que estivessem em Portugal e assim aconteceu, onde estiveram durante um ano, em casa de familiares. O pai, entretanto, vai para África do Sul, mas esta foi uma mudança demorada, por causa do Apartheid.
Pelo meio, o pai ainda esteve algum tempo ‘retido’ na Namíbia, no sudoeste africano, porque não deixaram-no entrar logo na África do Sul. Teve de estabelecer-se primeiro na Namíbia antes de poder ser considerado ‘apto’ a poder entrar na África do Sul.
Em Portugal, Paulo Malo, com 12 anos de idade, o seu irmão com 11 e a sua irmã com seis anos, não viram os pais durante um ano. “Isto marcou-me, embora tenha tido o apoio dos meus tios, em Coimbra”, valida.
Pouco tempo depois de terem chegado a Portugal, chega a mãe, situação que aliviou, um pouco, o sentimento de ausência, isto porque o pai também ficou para trás.
Não raras vezes recorda-se do pai lhe ter dito: «Tu és o mais velho e tens de tomar conta dos teus irmãos». Assim interiorizava que tinha de tomar uma posição de liderança. 

Conceito Malo

Paulo Malo reconhece que nunca pensou ser dentista. Em jeito de brincadeira, até diz que “isto foi um erro que me aconteceu, que por acaso até calhou bem”.
“O que queria era ser veterinário ou engenheiro agrónomo, mas perdi este desejo quando ficamos sem as propriedades”. O seu pai chegou a ter enormes propriedades, muita agricultura e cerca de 40 mil cabeças de gado.
No entanto, e na prática tenta ingressar num curso superior de biologia marinha, porque via muitos filmes do Jacques-Yves Cousteau, mas envereda pela medicina para fazer neurocirurgia, já que lhe “fazia confusão como é que uma pessoa que andava, depois de um acidente perdia essa função e acabava numa cadeira de rodas?”.
Pelo meio surge uma frequência em física, porque a engenharia nuclear entusiasmava-o. “Era muito sonhador, mas era próprio da idade, com o meu pai a perguntar-me sempre, o que queria, afinal, fazer?”
Paulo Malo estudava medicina em Coimbra, onde por coincidência o seu tio era somente João Luís Melo de Abreu, professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, que foi também um dos principais responsáveis pela criação do curso de Medicina Dentária na mesma faculdade, famoso, de igual modo, por ter sido guarda-redes da Académica na década de 60.
Um outro tio de Paulo Malo também era dentista, tinha estudado medicina, mas acabou por enveredar pela medicina dentária.

O ponto de viragem

Paulo Malo jogava rugby e pela selecção nacional foi um dia jogar a Itália, onde a selecção das quinas, depois de uma grande exibição, acabou por perder no último minuto. Esse jogo marcou o nosso interlocutor profundamente por ter perdido injustamente aquele jogo. Interiorizando o que afinal se tinha passado, no regresso a Portugal tomou a decisão de se inscrever na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa, acatando os conselhos dos tios.
Inscreveu-se a tempo e a horas, porque o prazo estava a terminar e depois só poderia fazê-lo no ano seguinte, pelo que o tio até lhe congratulou: «Parabéns. Tomaste finalmente a decisão acertada», relembra, o contentamento do seu familiar, que sempre considerou ser “seu segundo pai”, porque os seus tios foram quem os criaram nesta altura importante das suas vidas.
Na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa deram-lhe a equivalência de três anos, porque tinha passado para o quinto ano do Curso de Medicina, entrando assim para o quarto ano do curso de Medicina Dentária.
Mudou-se de Coimbra para Lisboa, alugando um quarto, onde a sua avó, que tinha uma reforma de nove mil escudos, ajudava-o a pagar a custear a estadia com 7 mil escudos mensais, ficando com dois contos, contando ainda com a ajuda dos tios.

O concretizar de um outro sonho

Após terminar a graduação faz o doutoramento no Brasil, concretizando ainda um dos seus sonhos, quando em Reguengos de Monsaraz faz um curso de jovem agricultor, com distinção, já que foi o melhor aluno do curso, ganhando inclusivamente um prémio de cinco mil contos.
Começava assim a tomar forma a sua herdade de Coimbra, onde hoje em dia é líder nacional de Leitão Bísaro, explorado pelo seu irmão.
Uma nota para referir, que o Leitão Bísaro tem duas costelas a mais, depois é um leitão que tem a gordura entremeada e não apenas à volta, realidade que torna o seu sabor incomparável.
A par disto, até porque a vida no campo continua muito presente, Paulo Malo conquista o universo da medicina dentária, onde desenvolve muitas técnicas que mudaram completamente a maneira de trabalhar, no mundo inteiro, entre elas a Carga Máxima Imediata, que deu origem ao All-on-4, já que esta tornou-se na solução eficaz e simples para todas as pessoas que queriam implantes, mas não o conseguiam fazer por não terem osso suficiente.
Fundador da Malo Clinic espalhou clínicas por mais de meia centena de cidades no mundo, revolucionando a medicina dentária não só em Portugal.
Neste momento, tudo o que era da Malo Clinic, no estrangeiro, passou a ser da Malo Dental e em Portugal, neste momento, a Malo Dental já é maior do que a Malo Clinic, mas este é um processo que terá novos desenvolvimentos a curto e a médio prazo.
Em termos mais práticos, “a Malo Dental é a continuação do projecto da Malo Clinic”.
Nos Açores, a Malo Dental está presente em São Jorge e em São Miguel, em Ponta Delgada, na Rua Professor Machado Macedo, preparando-se agora para abrir mais representações noutras ilhas.
Concluindo, a Malo Clinic já não tem nada a ver com Paulo Malo, já que pertence a um fundo que comprou a Malo Clinic a um determinado banco, ou seja, é um produto financeiro que pertence a um grupo financeiro.
Em Portugal, com 18 clínicas, a Malo Dental já cobre todo o território nacional, Madeira e Açores.


 

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