Parlamento açoriano com um novo xadrez político que deixa de fora a CDU-Açores

O quadro parlamentar nos Açores alterou-se com a entrada de três novas forças políticas.
O PS ganhou as eleições mas perdeu votos. O PSD/Açores subiu o seu score eleitoral. O CDS-PP manteve-se como a terceira força política e o Bloco de Esquerda manteve o número de deputados, mas subiu a sua votação em percentagem. O PPM conseguiu formar um grupo parlamentar, assim como o CHEGA, que entra pela primeira vez no cenário político açoriano. Entram também na Assembleia regional o PAN e  o Iniciativa Liberal.
Conhecidos os resultados, o líder do CDS-PP, Artur Lima, referiu que a pluralidade de forças políticas no novo hemiciclo açoriano “é sinal de democraticidade e de maturidade democrática. Isso é positivo em todas as democracias e os Açores tardavam em dar este sinal, mas finalmente os açorianos fizeram-no ao não dar a maioria absoluta a um só partido”.
O Presidente centrista salientou também o facto de o CDS-PP ter conseguido manter-se como a terceira força política, considerando essencial “não haver maioria absoluta de um só partido. Somos o CDS que nos Açores dá a prova de termos enfrentado com sucesso a forte oposição à direita. Não foi desta vez que o CDS desapareceu. Está forte, está vivo e recomenda-se. E como Vice-presidente do CDS nacional é com particular orgulho que o digo. Este foi um extraordinário resultado que vai servir para galvanizar também o nosso partido a nível nacional”. 
Neste novo quadro parlamentar, em que o PS terá de fazer acordos, referiu Artur Lima que “o CDS é responsável”, mas lembrou também que “é um partido que tem em primeiro lugar as pessoas, os interesses dos Açores e a segurança das populações. É isso que nos move e é isso que vamos fazer”.
Como nota negativa nestas eleições, Artur Lima repudiou o trabalho desenvolvido pela Universidade Católica na projecção que fez, considerando a sondagem como “uma vergonha inqualificável ”.
O coordenador do Bloco de Esquerda, António Lima, por seu turno, começou por referir que “o Bloco obteve o melhor resultado de sempre. Tivemos mais 500 votos e um aumento em termos percentuais. É uma subida que nos garantiu a manutenção do grupo parlamentar. Foi um grande resultado do Bloco, que assim vê reforçada a sua capacidade de trabalho”. 
António Lima também fez questão de sublinhar que a noite eleitoral foi para o Bloco de Esquerda “uma vitória” que “não contribuiu para o crescimento da extrema-direita nos Açores”, apelando ao PS para que reflita nas políticas que tem levado a cabo para que isso acontecesse. 
Deixou o coordenador do BE a garantia de que vai haver no hemiciclo açoriano “o mesmo trabalho de sempre e o mesmo compromisso com as pessoas”
Já o líder do PPM, Paulo Estêvão, agradeceu a confiança que o povo açoriano deu ao partido que lidera. “O povo do Corvo reiterou a confiança que desenvolvemos ao longo desse tempo e a capacidade que demonstramos para resolver os problemas. Agradeço todo o apoio e o carinho que o povo nos deu e podem ter a certeza que vamos fazer por merecer a confiança que depositaram em nós”. Também lembrou o resultado extraordinário “obtido na ilha das Flores. Um grande abraço para a população. Vamos defender os interesses da ilha das Flores como o temos feito para o Corvo”.
O Presidente do PAN-Açores, Pedro Neves, na leitura aos resultados assumiu que ao ser eleito deputado regional “é uma alegria enorme. Finalmente estamos no Parlamento açoriano. Hoje celebramos a consolidação do nosso partido na Região, ao contrário do que auguraram todos os que disseram que o PAN não passava de um partido de modas, sem crédito junto da população”.
Também destacou o facto de os números da abstenção terem baixado. “Apesar dos valores ainda elevados, partidos como o PAN contribuíram para que muitas pessoas acreditassem que mesmo em contexto de pandemia é possível mudar o sistema”. 
O líder regional do Iniciativa Liberal, Nuno Barata, eleito deputado, destacou o esforço que foi feito pela equipa nas últimas semanas de liberalizar os Açores e “trazer aos Açores um ar mais respirável. Esse objectivo foi absolutamente conseguido. Conseguimos um deputado e o Partido Socialista não teve maioria absoluta. Há no Parlamento novas forças políticas o que são salutares para a democracia.”
O líder da CDU e coordenador regional do partido, Marco Varela, nas reacções, assumiu que o resultado não era o esperado – perderam representação parlamentar - , mas garantiu que todos os que estiveram envolvidos fizeram uma inigualável”, mas prometeu que vão continuar a trabalhar “em defesa do povo açoriano e do seu direito a uma vida melhor”.
           

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