Uma vitória amarga para o Partido Socialista que perde maioria absoluta

Cerca de cinquenta pessoas - entre dirigentes, antigos deputados e antigos governantes – permaneceram no Quartel-general do Partido Socialista, montado no Teatro Micaelense, sem grandes manifestações perante o cenário inicial da perda da maioria absoluta. Nem mesmo quando o Secretário-Geral do PS, António Costa, reforçou tratar-se da sétima vitória consecutiva do PS na Região, houve manifestações dos presentes. 
Só quando Vasco Cordeiro entrou no foyer do Teatro Micaelense é que se ouviram aplausos e vivas socialistas. Fazendo-se acompanhar da esposa e dos dois filhos, e do Presidente do PS e mandatário regional da candidatura, Carlos César, Vasco Cordeiro começou por se dirigir a todos os açorianos que, em maior número que há quatro anos, participaram neste acto eleitoral “fazendo ouvir a voz dos Açores”. 
O candidato a Presidente do Governo Regional dos Açores, posição que ocupa desde 2012, saudou todos os candidatos e todos os eleitos, referindo que “esta é a noite da vitória eleitoral do Partido Socialista”. Uma frase que não se cansou de repetir ao longo da curta intervenção ao final da noite eleitoral. E continuou: “o Partido Socialista ganhou estas eleições. Ganhou com mais votos e mais mandatos, ganhou em sete das nove ilhas da nossa Região, ganhou, no fundo, de forma clara e de forma inequívoca estas eleições”. E explicou que os resultados da noite eleitoral não foram um cartão vermelho ao Partido Socialista mas sim a escolha entre vários projectos. “Desses, foi o projecto do Partido Socialista que recolheu mais votos. É indesmentível. Nas condições desafiantes que o quadro parlamentar apresenta e que estamos prontos a trabalhar a partir dessas condições para garantir que Açores seguem o trajecto de ultrapassar esta fase de tormenta”, disse. 
Vasco Cordeiro recordou que, à semelhança do que já aconteceu no passado, em 1996, o Partido Socialista vai governar sem maioria absoluta, sendo essa a vontade dos açorianos que tinham à escolha mais de uma dezena de projectos. Tomando “devida nota” dessa vontade dos açorianos, Vasco Cordeiro também realçou que mesmo num “contexto tão desafiante que vivemos”, de pandemia, o Partido Socialista continua a ser “mesmo com esta configuração da Assembleia, um referencial de estabilidade, de segurança, de fazer cumprir a vontade dos açorianos”.
Admitindo um quadro parlamentar desafiante, Vasco Cordeiro quer já avançar e trabalhar para que “os açorianos consigam sair da situação complexa, derivada da pandemia. É o compromisso que hoje aqui deixo”. Um compromisso consciente “daquilo que obriga este quadro parlamentar e toda a disponibilidade para construir uma solução que dê segurança para ultrapassar esta fase”, sempre, garante Vasco Cordeiro, em diálogo e concertação. 
Mas com quem poderá estabelecer esse diálogo, não avançou, quando repetidamente questionado pelos jornalistas. Vasco Cordeiro reforçou várias vezes que a noite de ontem era de “vitória eleitoral do Partido Socialista” e que resultou na escolha dos açorianos que “de forma maioritária” escolheram o projecto socialista. Escusando-se a falar em derrota, pela perda da maioria absoluta, e falando sempre em vitória do Partido Socialista, Vasco Cordeiro diz que nos próximos dias “haverá oportunidade para tratar com profundidade essas matérias”, relativamente a possíveis conversações de coligação partidária à semelhança da apelidada “geringonça” a nível nacional, para poder liderar em maioria. 
No entanto, e apesar de referir várias vezes a “tormenta” da Covid-19, Vasco Cordeiro garante que o PS a não está sozinho na responsabilidade de ultrapassar estas dificuldades. A responsabilidade, referiu o Presidente do PS/Açores, “é de todos os partidos que agora têm representação parlamentar. Mas estou convicto que será possível o diálogo para que possamos construir um caminho que permita aos Açores vencer as dificuldades”. 
Novamente a frase que fez questão de repetir ao longo do discurso e com a qual terminou a sua intervenção: “esta é uma vitória de eleitoral do Partido Socialista”, deixando para depois possíveis negociações partidárias.
Na noite eleitoral de ontem, o Partido Socialista perdeu a maioria absoluta nas eleições regionais, tendo conseguido eleger 25 deputados de um total de 57 parlamentares que vão ocupar a Assembleia Legislativa Regional. Em 2016 o Partido Socialista elegeu 30 deputados, mantendo a maioria absoluta que vinha garantindo desde 2000.

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Autor: Carla Dias

Categorias: Regional

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