PS/A fala em vitória “inequívoca” e PSD procura diálogo à direita

 Vasco Cordeiro, apesar de perder cinco deputados e 2.565 votos em relação às últimas eleições regionais, assumiu a vitória na noite eleitoral como “clara e inequívoca” e procura já soluções governativas numa Assembleia Legislativa regional em que tem de chegar a entendimentos, pelo menos, com duas forças políticas para formar uma maioria estável. 
 “Esta é a noite da vitória eleitoral do Partido Socialista”. Uma frase que não se cansou de repetir. “O Partido Socialista ganhou estas eleições. Ganhou com mais votos e mais mandatos, ganhou em sete das nove ilhas da nossa Região, ganhou, no fundo, de forma clara e de forma inequívoca estas eleições”, disse.
 Dos projectos colocados a sufrágio, disse, “foi o projecto do Partido Socialista que recolheu mais votos. É indesmentível”, sublinhou. 
Realçou que mesmo num “contexto tão desafiante que vivemos”, de pandemia, o Partido Socialista continua a ser “mesmo com esta configuração da Assembleia, um referencial de estabilidade, de segurança, de fazer cumprir a vontade dos açorianos”.
Manifestou “disponibilidade para construir uma solução que dê segurança para ultrapassar esta fase”.
Na noite eleitoral nada disse sobre com quais forças políticas irá procurar uma solução governativa estável. “Haverá oportunidade para tratar com profundidade essas matérias”, disse.
Vasco Cordeiro deixou claro que o PS não está sozinho na responsabilidade de ultrapassar as dificuldades” que se avizinham. A responsabilidade, referiu o Presidente do PS/Açores, “é de todos os partidos que agora têm representação parlamentar”.
Na noite eleitoral de ontem, o Partido Socialista perdeu a maioria absoluta nas eleições regionais, tendo conseguido eleger 25 deputados de um total de 57 parlamentares que vão ocupar a Assembleia Legislativa Regional.    

Bolieiro prioriza defesa dos interesses dos Açores 

Já o PSD/Açores viveu uma noite como já não se via há muitos actos eleitorais. No seu discurso, o Presidente do PSD/Açores começou por destacar “a noite histórica da democracia e da autonomia dos Açores”.
“O PSD pode dar bem nota que foi um importante contributo para nestas legislativas de 2020 diminuir a abstenção, aumentar a votação apesar do período pandémico face às eleições de 2016”, afirmou para depois realçar que com os resultados conhecidos “há na democracia autonómica uma mudança histórica. É no Parlamento que agora se centra a decisão politica”, realçou.
Bolieiro tinha as contas feitas: Neste acto eleitoral, “o PSD subiu mais de 6 mil votos em relação a 2016, O PS desceu 2500 votos em relação 2016. Há agora uma diferença percentual que é de pouco mais de 5%. Em 2016 era superior a 15%”, disse.
O líder do Partido Social Democrata afirmou que estará “atento a esse novo quadro politico, a esse novo quadro parlamentar para garantir estabilidade governativa e sobretudo futuro politico e democrático para os Açores”.  
“O nosso quadro é de diálogo e de concertação para defender os interesses dos Açores, o interesse da autonomia e o interesse autonómico”, referiu.

 CDS/PP aberto ao diálogo

“O quadro é tão polivalente que pode admitir tudo. Pode admitir uma solução de liderança de oposição como até uma responsabilidade alternativa”, destacou.
 O quadro parlamentar nos Açores alterou-se com a entrada de três novas forças políticas – CHEGA, Iniciativa Liberal e o PAN. A CDU sai do Parlamento. 
O líder do CDS-PP, Artur Lima, referiu que a pluralidade de forças políticas no novo hemiciclo açoriano “é sinal de democraticidade e de maturidade democrática”.
O Presidente centrista salientou também o facto de o CDS-PP ter conseguido manter-se como a terceira força política, considerando essencial “não haver maioria absoluta de um só partido. Somos o CDS que nos Açores dá a prova de termos enfrentado com sucesso a forte oposição à direita. Não foi desta vez que o CDS despareceu. Está forte e está vivo e recomenda-se”, sublinhou.
Neste novo quadro parlamentar referiu Artur Lima que “o CDS é responsável, é um partido que tem em primeiro lugar as pessoas e os interesses dos Açores e a segurança das populações. É isso que nos move e é isso que vamos fazer”.

 Bloco e PPM satisfeitos

O coordenador do Bloco de Esquerda, António Lima, referiu que “o Bloco obteve o melhor resultado de sempre. Tivemos mais 500 votos e um aumento em termos percentuais. É uma subida que nos garantiu a manutenção do grupo parlamentar. Foi um grande resultado que assim vê reforçada a sua capacidade de trabalho”, disse.
Deixou a garantia de que vai haver “o mesmo trabalho de sempre e o mesmo compromisso com as pessoas”
O Líder do PPM, Paulo Estêvão, agradeceu a confiança que o povo açoriano deu ao partido que lidera. “O povo do Corvo reiterou a confiança que desenvolvemos ao longo desse tempo e a capacidade que demonstramos para resolver os problemas. Agradeço todo o apoio e o carinho que o povo nos deu e podem ter a certeza que vamos fazer por merecer a confiança que depositaram em nós”. Também lembrou o resultado extraordinário: “Vamos defender os interesses da ilha das Flores como o temos feito para o Corvo”.
O Presidente do PAN-Açores, Pedro Neves, diz que ao ser eleito deputado regional “é uma alegria enorme. Finalmente estamos no Parlamento açoriano. Hoje celebramos a consolidação do nosso partido na Região, ao contrário do que auguraram todos os que disseram que o PN não passava de um partido de modas, sem crédito junto da população”.
O Líder Regional do Iniciativa Liberal, Nuno Barata, eleito como deputado regional, destacou “o esforço que foi feito pela equipa nas últimas semanas de liberalizar os Açores e trazer aos Açores um ar mais respirável. Esse objectivo foi absolutamente conseguido. Conseguimos um deputado e o Partido Socialista não teve maioria absoluta. Há no Parlamento novas forças políticas o que são salutares para a democracia.”
O líder da CDU e coordenador regional do partido, Marco Varela, nas reacções, assumiu que o resultado não era o esperado – perderam representação parlamentar.
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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