Dia Mundial da Terapia Ocupacional

Sobrevivente de AVC conta como a Terapia Ocupacional foi essencial na sua recuperação em São Miguel

No passado dia 16 de Maio, mais concretamente no Sábado dedicado em São Miguel ao culto do Senhor Santo Cristo dos Milagres, a vida de Paulo, como se identificou perante o nosso jornal, sofreria uma grande reviravolta ao ser surpreendido por um acidente vascular cerebral (AVC) aos 48 anos de idade.
Na altura do sucedido, este homem encontrava-se a desenvolver a profissão de barman, à qual está ligado há um total de 20 anos, encontrando-se naquele dia do mês de Maio a preparar-se para o regresso ao trabalho, tendo em conta que os bares iriam reabrir a 29 daquele mês devido à pandemia que impôs o encerramento destes espaços.
Prevendo-se um Sábado igual a tantos outros, uma vez que pela primeira vez em três séculos não foram realizadas as festas em honra ao Senhor Santo Cristo, Paulo decidiu descansar um pouco depois do almoço, dando por si por volta das 14h00 a sentir “a perna e o braço dormentes, e a voz a enrolar”.
De início, confessa que terá pensado que estes pudessem ser os indícios de que os seus problemas de coluna se estavam a agravar, acabando por isso por ir ao hospital e por descobrir que o prognóstico era, afinal, outro.
Acabou por ficar o resto do dia em vigilância, entre exames, tendo a equipa médica decidido que a melhor opção era mesmo a do internamento, onde ficaria durante pelo menos 12 dias concentrado na sua recuperação, uma vez que deste AVC resultaram sequelas, tais como ter ficado com o lado direito do corpo paralisado e com a fala enrolada.
Foi neste contexto que Paulo teve o seu primeiro contacto com a terapia ocupacional, um campo de conhecimento e de intervenção na área da saúde que procura auxiliar e orientar as pessoas para a reconquista da sua autonomia e independência em diversas acções do quotidiano, perdida como consequência de algum problema ou como forma de prevenção.
Então, ainda no hospital, mesmo na enfermaria onde ficou internado, começou a fazer terapia ocupacional em conjunto com fisioterapia, de modo a que pudesse sair do hospital mais reabilitado do que lhe faziam crer os médicos, que alertavam para a eventualidade de Paulo regressar a casa dependente de uma cadeira de rodas.
Na opinião deste doente que partilha connosco o seu testemunho, foi a terapia ocupacional que em muito o ajudou, acreditando que caso não se encontrasse a fazer terapia, provavelmente “não voltaria a andar ou a mexer o braço” tão rapidamente.
“A terapia ocupacional e a fisioterapia é que me ajudaram muito, se não fosse estas duas terapias não sei se voltaria a andar ou se voltaria a mexer o braço. Ainda estou um bocadinho manco, a perna está a demorar um bocadinho mais para recuperar, e o braço tenho que o manter suspenso, mas de resto está tudo muito bem encaminhado para uma boa recuperação”, conta.
Tendo em conta que o objectivo deste tipo de terapia passa por devolver ao doente a capacidade que este teria para lidar com as mais comuns tarefas do dia-a-dia, depois de aquecidos os músculos, os exercícios de Paulo passam por simular movimentos que o façam manter os braços suspensos, como o estender roupa, por utilizar pesos ou por fazer movimentos de aparafusar ou desaparafusar, salientando o carácter essencial desta terapia.
Vendo os resultados que conseguiu obter após cinco meses de terapia, o conselho que Paulo dá às pessoas que se encontram a passar por desafios semelhantes é o de que estas não desistam da terapia ocupacional, por mais desafiante que possa ser.
“Digo às pessoas para não desistirem. Se forem aconselhados a ir à terapia ocupacional optem por ir e nunca desistam. Se esmorecermos e metermos na cabeça que não conseguimos será pior. O que eu aconselho é que as pessoas a acreditarem que vão recuperar, mesmo que demore muito tempo”, uma vez que há casos que podem demorar mais tempo até que haja uma recuperação completa.
Apesar de não saber exactamente quanto tempo terá ainda que ser investido em terapia ocupacional para recuperar totalmente e, quem sabe, voltar a trabalhar, Paulo afirma que esta é uma experiência que o fez ver a vida “de forma muito, muito diferente”, sendo agora capaz – mais do que nunca – de a apreciar.
Em acréscimo, deixa ainda uma palavra de apreço a todos os profissionais desta área que tem encontrado no Hospital do Divino Espírito Santo, afirmando que são pessoas excelentes e incansáveis, tal como a sua família, responsável sempre por deixar mensagens de incentivo e de esperança.

 

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