27 de outubro de 2020

Diálogo e Concertação


Diálogo e Concertação são as palavras de ordem que mais se ouviram na noite das eleições dos Açores, em que os líderes dos maiores Partidos nelas se escudaram para responder às insistentes perguntas dos jornalistas nas respetivas sedes e campanha.
Como se sabe, o Partido Socialista perdeu a maioria absoluta na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, numas eleições em que o PSD subiu substancialmente a sua votação e o Chega entra para o Parlamento dos Açores, logo atrás do CDS, que ficou com menos deputados, bem como o Iniciativa Liberal e o PAN.
Segundo os resultados provisórios das eleições regionais, os socialistas obtiveram o pior resultado de sempre, 39,13%, ficando abaixo da “fasquia” dos 40%, nas terceiras eleições de Vasco Coreiro como líder do PS Açores e arrecadando apenas 25 mandatos para a Assembleia Legislativa, o que por si só são insuficientes para governar a Região sozinho.
O PSD de José Manuel Bolieiro conseguiu eleger 21 Deputados, com 33,74% dos votos expressos em urna em todas as ilhas, com uma votação muito expressiva na ilha de S. Miguel, conseguindo vencer em Ponta Delgada, Ribeira Grande e Nordeste, precisamente onde os sociais democratas detêm o poder nas respetivas Câmaras Municipais.
O CDS, por seu lado, fica com 3 Deputados e com apenas 5,51% dos votos dos Açorianos. Seguem-se o Chega com 2 Deputados e 5,06 % dos votos; o Bloco de Esquerda terá também 2 Deputados, com 3,81% dos votos, o PPM com 1 Deputado, 2,3% dos votos e outro da coligação com o CDS. De referir ainda que a Iniciativa Liberal entra para o Parlamento com um Deputado e 1,93% dos votos e o PAN com o seu Deputado, também com 1,93% de votos.
É de recordar que aquando da maioria relativa em 1996, o Partido Socialista venceu as eleições pela primeira vez, obtendo 45,79% dos votos, e teve 24 Deputados, enquanto o PSD atingiu os 40,97% e os mesmos 24 Deputados, desempatando o CDS, com os seus 3 Deputados e 7,3% dos votos, tendo feito um acordo de incidência parlamentar com os socialistas, permitindo a que o PS formasse o governo e desde então está no poder há 24 anos.
Felizmente, apesar da pandemia, foram mais umas eleições realizadas com civismo e após a emoção da noite eleitoral, esperamos que tudo volte à normalidade, em que os ânimos se acalmam e a vida prossiga naturalmente e os novos eleitos com a enorme responsabilidade de dignificarem o cargo para que foram mandatados, e procurar valorizar uma classe tão abalada na sua reputação.
Desta vez, apesar do PS/Açores ter ganho, a noite das eleições não foram muito clarificadoras quanto ao futuro próximo, dado que os Deputados do PS com os do CDS são insuficientes para ser aprovado um programa de governo na Assembleia Legislativa, pelo que teremos que esperar pelas próximas horas para se saber para que lado penderá a balança do equilíbrio parlamentar, já que a Esquerda no Parlamento não tem maioria.
Por outro lado, antevê-se difícil um entendimento com todos os partidos da direita e centro direita na Assembleia Legislativa que têm maioria, mas que existem clivagens mal resolvidas que serão um grande entrave para se chegar a um acordo consistente.
Longe vão os tempos em que o PS festejava as suas vitórias contundentes por cada ilha dos Açores, mas que desta vez não houve euforias, também porque a pandemia assim o obriga.
Depois desta campanha eleitoral, esperamos que a economia corra de feição e que os tão badalados fundos estruturais sejam suficientes para dinamizar o aparelho produtivo tão arrasado com esta pandemia, pois há muitos desafios pela frente e importa encontrar uma solução urgente para eles. Agora é preciso voltar à realidade crua e encarar os números menos positivos que colocam os Açores num ranking perigoso, para assim se ultrapassar os ingentes reptos nas áreas da educação, da saúde, do emprego e do desenvolvimento social e económico.
O PSD foi um dos grandes vencedores destas eleições, dado que o Partido uniu-se à volta de Bolieiro para enfrentar este ato eleitoral, constituindo uma esperança na ilha de S. Miguel, com os olhos nos Açores no seu todo. Aguardam-se nestes dias interessantes desenvolvimentos no panorama político da Região.
 

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Categorias: Opinião

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