Centros de Saúde já administraram num mês 17 mil das 26 mil vacinas distribuídas

Farmácias sem vacinas da gripe, sem previsão de reposição de stock e com grande lista espera para fornecer empresas e utentes

Devido à situação de pandemia que se vive devido ao novo coronavírus a população tem aderido mais à vacina da gripe, procurando prevenir-se. Nos centros de Saúde da Região não faltam vacinas para cobrir os grupos de risco, mas a população que não integra os grupos contemplados não consegue vacinar-se porque não as há nas farmácias dos Açores. 
O Ministério da Saúde conseguiu garantir a antecipação do fornecimento das de vacinas contra a gripe, cujo objectivo era o de promover um melhor planeamento da distribuição das vmesmas aos cidadãos dos grupos prioritários e mais vulneráveis. Nos Açores, esta tendência também foi seguida. 
O Serviço Regional de Saúde iniciou mais cedo a campanha de vacinação este ano e, conforme foi referido ao nosso jornal, “procurando reforçar a protecção da saúde dos açorianos, num contexto de circulação de vários vírus respiratórios”.
A Secretaria Regional da Saúde diz que “o objectivo consistiu em promover a adesão à vacinação contra a gripe nos grupos vulneráveis, antecipando a campanha de vacinação, aumentando o número de vacinas administradas e alargando os grupos prioritários”.
A campanha de vacinação iniciou-se em 23 de Setembro, abrangendo utentes e profissionais das estruturas residenciais para idosos (ERPI) e da Rede Regional de Cuidados Continuados Integrados (RRCCI), profissionais do Serviço Regional de Saúde e grávidas.
A mesma fonte adianta que “na campanha de vacinação contra a gripe 2019/2020, que terminou no passado mês de Março, foram administradas, no Serviço Regional de Saúde, 25.850 vacinas contra a gripe. Este ano, em apenas um mês, já foram administradas mais de 17 mil vacinas, das mais de 26 mil já distribuídas pelas unidades de Saúde da Região, cujas reservas são monitorizadas e geridas regionalmente, existindo cedências entre as unidades de saúde consoante a procura e as quantidades de vacinas administradas”. Portanto, ao nível da Região em termos de centros de Saúde não há falta de vacinas, conforme refere a Secretaria da Saúde, mas aos que apuramos a vacinação tem sido feita por marcação, o que tem levado a grandes demoras. Um parceiro da vacinação podia ser as farmácias, mas nenhuma delas tem vacinas. Este ano a quota disponível para as farmácias foi menor porque o sector público, em contexto de pandemia, decidiu alargar a vacinação, isto é comprou mais e o remanescente é que ficou para o sector privado, mas a quota disponível é residual, muito inferior à do ano anterior como referem os farmacêuticos. 
Teresa Almeida Lima, Presidente da Delegação nos Açores da Associação de Farmácias Portuguesas, garantiu ao nosso jornal que não há vacinas da gripe nas farmácias dos Açores. 
Ao que sabe, do que apurou junto dos armazenistas, é que “em princípio poderá haver um novo fornecimento, mas sem garantia. As vacinas encomendadas pelas farmácias não chegaram na sua totalidade” e não se sabe se chegarão”, refere a também farmacêutica.

Farmacêutico sugere vacinação
em tendas para agilizar 

Ricardo Martins Mota, Director Técnico da Farmácia Mântua, no Rosário da Lagoa, fez um pré-encomenda de vacinas e da totalidade pedida o que recebeu não deu para garantir o fornecimento de metade das encomendas que tem todos os anos de empresas que promovem a vacinação dos seus trabalhadores e nem sabe se vai conseguir cumprir o compromisso assumido junto destas entidades empresariais e de outras entidades públicas, porque também os armazenistas desconhecem quando, e se, vai ser reposto o stock de vacinas contra a gripe para as farmácias. Uma situação idêntica à vivida por outras farmácias nos Açores.
Como refere Martins Mota, a quota disponível para o sector privado foi este ano muito baixa, deixando as farmácias sem capacidade de dar resposta a quem os procuro e no caso da farmácia que dirige a lista de espera de cidadãos a título individual é longa. A procura de vacinas é grande e todos os dias os cidadãos engrossam as filas para as farmácias à procura de vacina, sem sucesso.
No território nacional do continente, as farmácias comunitárias vão vacinar contra a gripe, em todo o país, para o Serviço Nacional de Saúde (SNS). 
Segundo informação disponibilizada pela Associação Nacional das Farmácias, os utentes maiores de 65 anos terão direito a vacinar-se gratuitamente numa farmácia da sua preferência, desde o dia 19 deste mês, à semelhança do que acontece nos centros de saúde. 
As farmácias aceitaram o desafio do Ministério da Saúde de vacinarem contra a gripe, e sem custos para o utente, pelo menos 150 mil pessoas maiores de 65 anos, replicando um projecto-piloto que decorreu em Loures, nos últimos dois anos.
Nos Açores, como as farmácias não têm vacinas, Ricardo Martins Mota defende que a Secretaria da Saúde ou cedia parte das vacinas que tem no sector público ao sector privado (farmácias) e/ou devia traçar um plano de vacinação para a população mais ágil, por exemplo utilizando tendas como as que existem para os testes à Covid-19 e nas quais os enfermeiros, nos diversos concelhos, vacinassem a população. 
Esta sugestão do farmacêutico, também empresário, em seu entender, justifica-se pelo facto de nos centros de saúde não ser possível agilizar tanto quanto é necessário, devido às novas regras, mas também porque decorrem naqueles espaços muitos serviços de saúde. A par desses argumentos, quem lá trabalha também já demonstra cansaço face à grande procura que tem havido destes serviços a todos os níveis numa altura de grandes restrições devido à situação do novo coronavírus.
Felizmente, segundo Ricardo Martins Mota, há sempre um desfasamento de cerca de um mês do início da época gripal em relação ao território nacional, e com esse espaço de tempo a situação ainda pode ser resolvida, claro, está “se for agilizada” a vacinação em massa da população com mais de 65 anos de idade.
A gripe é uma doença contagiosa, que normalmente passa espontaneamente, mas as complicações também surgem e é preciso prevenir, daí as campanhas de vacinação.
 

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