Joel Neto faz um retrato dos portugueses da Base das Lajes e das relações de afecto que o tempo deixou para trás

Na próxima Auinta-feira, às 20h30, no Auditório do Ramo Grande, no âmbito do festival Outono Vivo, será lançada mais uma obra de Joel Neto intitulada “Uma história de amor”. Com tertúlia com a coordenação de Tatiana Ourique e a presença, entre outras entidades civis e militares, do escritor Joel Neto, do historiador Francisco Maduro Dias, do líder histórico da CRT João Ormonde e de Almerindo Ázera, em representação da actual comissão a obra será apresentada ao público.
 «Não é talvez que a História se repita eternamente, como num círculo em permanente movimento», escreve Joel Neto em Uma História de Amor. «Mas há uma coerência fundamental nela, o que há-de ser também uma prova da derradeira racionalidade da espécie. E, ao tornar a verificá-lo, eu próprio volto a sentir o privilégio deste lugar — desta ilha que conta dessa racionalidade e dessa coerência. A Terceira. O centro do mundo. O palco de uma história de amor: terna e turbulenta e inesquecível — como só as mais passionais e belas histórias de amor.»
Mais de setenta anos depois da instalação das forças norte-americanas na planície do Ramo Grande, no extremo-Nordeste da Ilha Terceira, o escritor atravessa o perímetro da chamada Base das Lajes, percorre a história que o constituiu como é hoje e ouve as histórias dos seus protagonistas mais e menos anónimos: os terceirenses, açorianos e portugueses que, no passado como no presente, serviram a potência americana, assim se transformando numa das mais poderosas ferramentas nacionais para a consolidação daquela que permanece uma das grandes alianças do Estado português. O amigo da América, diz-se, está agora de partida. Não é verdade: muitos serviços, métodos e referências continuam e prometem continuar. Mas as famílias americanas, bem como uma série de responsáveis e operacionais de diferentes ofícios, já se foram embora. Deixam para trás afectos e meios, mas também uma série de oportunidades perdidas e várias injustiças que só o tempo será capaz de julgar. Em suspenso, mantém-se centenas de trabalhadores – o contingente a que se reduziram os milhares do passado. Ainda há promessas por cumprir, contas por acertar, contaminações e despejos por limpar. Mas, por agora, é o futuro a dominar as preocupações. O futuro imediato daqueles que não conseguem ver as suas condições de trabalho melhoradas. O futuro longínquo daqueles que pensam nas saídas profissionais dos filhos ou na sua própria reforma e chegam até a ver na China uma saída. Um livro bilingue que nasce de uma iniciativa da Comissão Representativa dos Trabalhadores das Feusaçores e contou com o alto-patrocínio da Fundação Luso-Americana Para o Desenvolvimento. A tradução para o inglês é da autoria de Diniz Borges, luso-americano nascido nas Lajes e feito professor secundário e universitário na Califórnia. A edição de texto e a revisão estão a cargo de Nuno Quintas e o trabalho gráfico de Rui Leitão.
Joel Neto é autor, entre outros, dos romances “Arquipélago” e “Meridiano 28”, bem como da série de diários “A Vida no Campo”, que lhe valeu o Grande Prémio de Literatura Biográfica da Associação Portuguesa de Escritores. Nasceu e cresceu na ilha Terceira, onde foi sempre um dos «de Angra» — esses para os quais «A Base» nunca deixou de ser um universo misterioso e mítico, onde só uma vez por ano se podia entrar. Viveu vinte anos em Lisboa, onde escreveu para a maior parte dos grandes jornais e revistas nacionais, e regressou aos Açores em 2012, no intuito de se dedicar inteiramente à literatura. “Uma História de Amor” é o seu 17.º título.
 

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Autor: CA

Categorias: Regional

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