1 de Novembro é Dia Mundial do Veganismo

Ser vegano é “viver mais em ecocentrismo em vez de egocentrismo”, diz Sérgio Rego

Entre os vários estilos de vida e de dieta existentes, destaca-se o veganismo, no qual os veganos são os únicos entre omnívoros, vegetarianos e entre aqueles que mantêm uma dieta à base de plantas que não usufruem de produtos de origem animal nem na sua alimentação nem na sua vida quotidiana.
É este o caso de Sérgio Rego, que há cerca de dez anos percebeu que o regime alimentar que melhor se adaptava às suas necessidades, à sua consciência e forma de ver o mundo era o veganismo, iniciando a partir daí a transição que – para ser eficaz a longo prazo – demorou cerca de três anos a completar.
Hoje com 42 anos de idade, o micaelense que divide a sua actividade profissional entre a prática e o ensino de surf e bodyboard, sendo ainda guia da natureza/guia intérprete, afirma que esta sua opção de vida o faz sentir-se “jovem”, sentindo ainda que quer o seu corpo, quer a sua mente lhe permitem ter “boa resposta para as exigências das actividades físicas e uma boa recuperação” quando necessário.
Conforme nos conta, a principal motivação de Sérgio Rego para mudar o seu estilo de vida prendeu-se com “a justiça do bem-estar animal”, admitindo porém que ser “vegano à letra” é “de certo modo difícil”, uma vez que o movimento vegan não se cinge apenas à alimentação de cada qual, mas sim a todo o conjunto de escolhas feitas no dia-a-dia que procuram ser fiéis ao conceito. Por esse motivo, Sérgio Rego afirma que para além da alimentação exclui também qualquer produto que seja proveniente da exploração animal.
Foi depois de assistir a um documentário intitulado “A carne é fraca”, produzido pelo Instituto Nina Rosa e que explora os impactos que o comer carne terá na saúde humana, nos animais e no ambiente, que o instrutor de bodyboard ganhou “luz na consciência” e decidiu então “revolucionar” os seus hábitos alimentares.
Nesse sentido, refere que a mudança que se seguiu foi “radical para as carnes de animais”, propondo-se durante o restante tempo a reduzir gradualmente no consumo de lacticínios e de ovos.
Até entrar por completo no ritmo deste regime alimentar, o mais difícil ao longo destes três anos de adaptação prendeu-se com o consumo de bolos, sobretudo nas fases mais iniciais. Porém, adianta que mesmo nessa situação procurava fazer a escolha mais consciente possível, optando sempre “pelo bolo com menos presença de produto animal”.
No que diz respeito aos seus hábitos alimentares ao longo da vida, o professor de surf e de bodyboard salienta que estes sempre foram “mais do âmbito cultural do que consciente”, embora os vegetais fizessem sempre parte da sua ementa. Actualmente, desde que transitou para esta dieta baseada em vegetais, a afirma que as suas refeições têm sido “mais conscientes, equilibradas, diversificadas e muito mais saudáveis”.

Preocupações com o bem-estar, 
saúde e mitos

Assim que começou a mudar a sua dieta, conta, uma das suas principais preocupações prendeu-se com os impactos negativos que poderiam surgir fruto desta escolha, uma vez que na altura em que tomou esta decisão “havia muita contra-informação” que exigia um certo grau de pesquisa.
Porém, à medida que foi fazendo as suas análises de rotina, actualizadas anualmente, diz-nos, facilmente percebeu que “poderia estar mais do que tranquilo quanto à dieta baseada em vegetais”. 
Já no que diz respeito à sua concentração, Sérgio Rego afirma que se sente bem e que concluiu recentemente, e com bom aproveitamento, um curso de nível V com a duração de dois anos, algo que considera ter sido “bastante exigente e de introdução ao modelo universitário”, completa.
Entre os mitos que são mais populares em relação ao ser-se vegano, está o facto de não ser possível – abolindo a carne de animal e os seus derivados – obter uma alimentação rica, variada e saborosa. 
Assim, refere que, na realidade, “há uma imensa variedade de vegetais, massas, cereais e outros alimentos alternativos à carne animal que podem ser cozinhados com todos os sabores da tradição de cada cultura que torna os pratos deliciosos e nutritivos”.
Entre os vários outros mitos que existem quanto a esta forma de alimentação, Sérgio Rego desmente que “os alimentos de origem vegetal não possuam boas quantidades de proteína”, que “parar de comer carne irá deixar a pessoa mais fraca”, que “a soja seja rica em hormonas femininas”, que “crianças e grávidas não devam ser veganos” ou, ainda, que “o veganismo é caro”.
De qualquer das formas, tendo em conta que ser vegano em todas as suas vertentes “não é fácil”, a forma como este é vivido (com mais ou com menos “erros” pelo caminho) “vai da consciência de cada pessoa”. 
Apesar de ser uma escolha pessoal e uma opção de vida, a verdade é que nem sempre é compreendida na sua plenitude pela sociedade de uma forma geral, sendo que há ainda – para além dos mitos – muita resistência à mudança pela parte de alguns em relação ao veganismo.
Contudo, afirma que entre os seus amigos e familiares esta escolha é “compreendida e aceite”, embora ainda “sinta e oiça comentários de muita ignorância sobre o assunto por parte de muita gente”, algo que compreende tendo em conta também a falta de informação que algumas pessoas têm neste domínio.
Em acréscimo, pelo menos em São Miguel, nem sempre é fácil para um vegano desfrutar de uma refeição num restaurante. Porém, Sérgio Rego salienta que, neste aspecto, a restauração açoriana “tem vindo a evoluir em muitos espaços devido à preocupação em agradar este “novo cliente”, adianta.
Para além da preocupação com o bem-estar animal, Sérgio Rego procura também adequar outras práticas sustentáveis na sua vida diária. Para isso, adianta que faz a colecta da água das chuvas, poupando assim “muita água potável que é utilizada para regar a horta e para fins sanitários”. Em acréscimo, faz também compostagem, uma vez que desperdiçar alimentos é algo que se recusa a fazer.
Entre os motivos que o levaram a tomar esta decisão, está o facto de “acreditar veemente” que esta forma de estar na vida é aquela que o permite “ser mais conectado à natureza, respeitando-a, compreendendo-a e amando-a”.
Para além disto, o guia da natureza e monitor de surf/bodyborad acredita ainda que esta é a “forma e o caminho certo para a sustentabilidade do planeta, bem como para evoluirmos enquanto seres humanos, que com a nossa inteligência podemos tornar a experiência da vida muito mais feliz e justa para todos os seres vivos. Viver mais em ecocentrismo em vez de egocentrismo”.

 

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